Grandes Nomes da CIência

Biografias de cientistas conhecidos ou não tão conhecidos assim. Curiosidades e fatos sobre suas pesquisas, inclusive gente anônima que fez ciência e não recebeu os devidos créditos. Mais »

Livro dos Porquês

A sabedoria e o conhecimento. Isso é Poder! Abra sua mente, aprenda mais sobre questões básicas (e complexas) e tire suas dúvidas, de forma mais didática possível, sem ser aquelas aulas chatas de colégio. Mais »

Grandes Mentiras Religiosas

O mundo não é tão bizarro quanto fazem parecer. Mentiras e enganações para ludibriar as pessoas, lindamente desmontados, de forma a trazer à luz a desonestidade para tentar lhe fazer parar de pensar e simplesmente aceitar o que querem que você pense. Mais »

Caderno dos Professores

Para quem quer ensinar e muitas vezes se pergunta como abordar um tema. Como deixar a aula interessante, como levar conhecimento aos seus alunos por meios que pedagogos lhe odiarão, mas serão amados pelos estudantes. Mais »

 

Uma brilhante história sobre os óculos

A Visão Perfeita da Iluminação

Saindo do Crescente Fértil e indo para o Oriente Distante, temos a obra de Adi Sankaracharya, chamada “Aparokshanubhuti” – escrita em algum momento do século 8 EC –, no qual usou o termo “upanetra”, que eram uma espécie rudimentar de óculos, usada para obter o efeito de ampliação. Num dos versos aparece “Assim como todos os objetos que são muito pequenos parecem ser grandes quando vistos através de lentes (…)”.


Adi Sankaracharya

Este livro não é, efetivamente, um tratado de óptica ou manufatura de lentes. É um livro abordando a filosofia Advaita Vedanta. Sankaracharya usou o paralelo com lentes para descrever um método que os buscadores da Iluminação possam seguir para experimentar diretamente a verdade essencial de suas naturezas únicas. Ele estava fazendo uma analogia com algo que evidentemente conhecia: lentes de aumento usadas para ampliar textos para facilitar a leitura. Antes deste livro, nenhuma literatura disponível até então havia mencionado tais lentes, mas o emprego desse termo indica que era algo bem conhecido dos hindus na referida época, pois, não faz sentido fazer uma analogia com algo desconhecido, ou a analogia perde totalmente o sentido.

Este trecho do Aparokshanubhuti parece ter escapado de muita gente, ainda mais que é bem sutil. Por muito tempo achou-se que os mercadores da Companhia Britânica das Índias Orientais tinham introduzido (êpa!) óculos na Índia. Numa carta datada de 22 de setembro de 1616, é mencionado que a firma inglesa Kerridge, Barker & Mittford tinha colocado à venda óculos ingleses em Rajputana, no norte da Índia. Só que existem obras de arte do tempo do Império Mughal (não confundir com Império Mongol) mostrando pessoas lendo com o auxílio de óculos.


Obra do artista Mir Sayyid Ali, Retrato de seu pai
Mir Musavvir c. 1565-70 (Musée Guimet, Paris)

Há quem considere que foram os portugueses que levaram óculos, mas isso não está bem certo. Alguns acham que foram os chineses, tendo sido levado para a Europa pela expedição na qual Marco Polo estava, mas não há documentos que comprovem isso.

Entretanto, o que se sabe é que na biografia de Sri Vyasatirtha (1446-1539), também chamado de Vyasaraya, escrita pelo poeta Somanatha Kavi na obra Vyasayogicharita, é mencionado que o mestre da seita hindu Dvaita usava algo semelhante aos nossos óculos, quando tinha 74 anos de idade, portanto, em 1520, e não seria absurdo pensar que os tinha antes. Alguns autores mencionam que fora um presente dado pelos portugueses, mas até aí ficou nisso; mesmo porque, existem referências independentes que mencionam óculos no poema gujarati “Casimasabda-Satarthi-Svadh-yaya”, composto por Somavimalasuri, um poeta jainista de Ahmedabad, por volta de 1576.

Com isso, ainda fica a pergunta: Os hindus criaram seus óculos do zero ou esses apetrechos vieram de algum lugar? A resposta mais honesta é: Ninguém sabe. O que se sabe é que eles conheciam bem Óptica. O Império Islâmico já tinha pessoas que conheciam Óptica. Sendo assim, vamos voltar um pouquinho no tempo.


Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Pages: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13