Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…

Havia uma vez um livro tão estranho que só podia ter vindo de outro mundo. Letras vermelhas e pretas, tabelas que se liam na horizontal, na vertical e na diagonal ao mesmo tempo (uma espécie de Sudoku medieval para quem queria saber se ia sobreviver à próxima peste), e um dono que jurava tê-lo recebido de uma ilha encantada perdida no Atlântico. Era o tipo de história que qualquer editora de best-seller pagaria caro hoje: mistério, magia, um segredo guardado por sete anos a fio. Só que, como quase sempre acontece quando se puxa o fio de uma lenda bonitinha, a verdade por trás do Livro de Hy-Brasil é ainda mais interessante do que a fantasia, e de quebra ajuda a explicar por que um país inteiro do outro lado do oceano se chama… Brasil. Continuar lendo “Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…”

Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados

Há uma categoria de descoberta científica que eu adoro particularmente: aquela em que a Ciência gasta uma fortuna, um exército de pesquisadores e uma tecnologia de ponta para provar que, no fim das contas, somos todos igualmente nojentos por dentro. Reis, camponeses, imperadores, pastores de cabra: por baixo do esmalte, a boca de todo mundo é uma zona de guerra microbiana, e a realeza, ao que parece, não tinha acesso a nenhum tratamento VIP nesse departamento.

O caso que motiva essa reflexão começa com um esqueleto encontrado, literalmente, sob um estacionamento. Em 2012, arqueólogos ingleses desenterraram em Leicester os restos de um monarca que a história tratou com a mesma delicadeza que Shakespeare: como vilão de peça teatral. Essa é a história de como fomos acabar fuçando a boca de Ricardo III. Continuar lendo “Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados”

Artigos da Semana 322

Hoje é um domingo que é sábado, já que amanhã é feriado e eu estou aqui no bem-bom descansando, como convém a idosos como eu. Vocês jovens que se ralem de trabalhar. Aí, ó. A calçada tá suja e a ia tá imunda. Vão lá limpar. Depois podem ler o que foi postado durante a semana!

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O bolo de Ea-Nasir (sim, aquele pior comerciante da História)

Vocês conhecem a história de Ea-Nasir, o vendedor de cobre vagabundo e trapaceiro que eu já apresentei por aqui como o pior comerciante da História. Ele vendia cobre saído do Golfo Pérsico para a Mesopotâmia, ostentava o cargo oficial de “Alik Dilmun” — importador licenciado que ia até o atual Bahrein trocar prata, cevada e tecido por metal — e morava numa casa de sete cômodos com capela particular, escavada nos anos 1920 pelo arqueólogo Leonard Woolley, que resolveu batizar as ruas de Ur com nomes ingleses só porque podia. Resultado: o maior vigarista documentado da Idade do Bronze mora, para efeitos de citação acadêmica, na Old Street número 1.

Mas tem algumas coisinhas que eu não falei. Continuar lendo “O bolo de Ea-Nasir (sim, aquele pior comerciante da História)”

Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias

Toda cidade americana decadente já teve aquela ideia genial de marketing que parecia infalível no quadro branco e virou motivo de piada nacional. Cleveland, nos anos 1980, tentava desesperadamente deixar de ser conhecida como “a cidade cujo rio pegou fogo” (sim, aconteceu, e é outra história igualmente hilária, mas ficará pra outro dia), e alguém do United Way, ex-publicitário da Procter & Gamble, teve a epifania que só faz sentido dentro de uma sala de reuniões: por que não soltar um milhão e meio de balões ao mesmo tempo e quebrar um recorde mundial?

A ideia era muito simples, como todas as ideias mais idiotas podem ser: arrecadar fundos para a filial local do United Way e vender publicamente Cleveland como uma das cidades emergentes dos EUA. O recorde a ser batido, aliás, pertencia à Disneylândia, que tinha soltado balões no aniversário de 30 anos do parque, um ano antes. Cleveland ia superar Mickey Mouse! O que poderia dar errado?

Balonando e andando sem pensar nas consequências, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias”

Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!

Você já é power-usuário de ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e… não, você não, Copilot. IA virou confidente, redator, consultor financeiro, leitor de horóscopo, recomendador de culinária, namorada etc. Tem IA para todos os gostos lidando com todo tipo de idiomas (inclusive essas aí que pessoal no Brasil fala, sendo que português só uma minoria. Então, eu fiquei pensando: será que tem IA para lidar com idiomas e escritas muito antigas, tipo, sei lá, hieróglifos egípcios e acádico? Sim, tem uma IA para isso, e se eu tivesse descoberto a tempo, não tinha ficado uma porrada de tempo decifrando acádico para agradar a sede da Lise por artigos no meu Apoia.se.

Sente-se e deleite-se com IA que você nunca ouviu falar. Continuar lendo “Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!”

Artigos da Semana 318

Hoje é dia dos pais e vocês deveriam me dar presentes, já que eu sou como um pai pra vocês: estou profundamente desapontado, tenho a certeza que falhei seriamente em ensinar algo, acho que vocês deveriam pedir coisas pras mães de vocês, que acho que são gostosas. Já que expliquei bem o caso, vamos ver o que foi postado ao longo da semana.

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Linus Pauling estava certo, mas não como ele achava

Toda disciplina científica tem seu santo mártir e seu bobo da corte particular. De vez em quando essas duas figuras habitam o mesmo corpo. É sobre um desses casos que vamos falar hoje: como uma ideia ridicularizada por décadas, relegada à prateleira empoeirada da “medicina alternativa” ao lado de cristais e homeopatia, está sendo cuidadosamente desempoeirada por pesquisadores sérios, em revistas sérias, com microscópios sérios. E o melhor: sem que ninguém precise admitir publicamente que aquele senhor teimoso talvez não fosse tão maluco assim. Continuar lendo “Linus Pauling estava certo, mas não como ele achava”

Professor tosco que faz plágio usando IA toma pé na bunda e escreve renúncia com auxílio de IA

O artigo de hoje não tem nada a ver com a série sobre o Apocalipse Tecnológico Moderno, mas é divertido mesmo assim, quando o feitiço vira contra o lacrador trapaceiro. Em tempos de IA generativa, com geral usando Gepeto, Cláudio, Gemini-Man e aquela tosqueira da Microsoft, tem gente que dobra aposta e e resolve apostar algo que nunca irá ser pego. É pego, apela para perseguição e se desculpa com uma cartinha, também gerada por IA, comprovando que além de trapaceiro é estúpido, como foi o caso do professor laureado de Cambridge que foi pego com a IA na botija, a boca no Gepeto, ou use lá a expressão que quiser.

Mas sempre tem uma IA catando as cagadas que você faz com outras IA.

Passando a perna robótica nos incautos, esta é a sua QUINTA INSANA! (não quis esperar) Continuar lendo “Professor tosco que faz plágio usando IA toma pé na bunda e escreve renúncia com auxílio de IA”

Espanha toma uma gotinha do próprio remédio e é invadida por gente que ela não queria lá

Ontem, todo mundo (menos eu, e já direi o motivo) ficou estarrecido com a horda de imigrantes ilegais indo em massa que nem arrastão em Copacabana, só que indo pra terreno espanhol. Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 49 mil migrantes atravessaram para Corsa Ceuta em apenas 24 horas, vindos do Marrocos por mar e por terra. Somando os dias anteriores, a conta bate em 60 mil pessoas, o equivalente a mais da metade da população do enclave se materializando do nada, como se o território tivesse sido escolhido a dedo para um experimento de física social.

A Espanha e o Marrocos, tomados de um súbito interesse por engenharia civil, reforçaram a cerca fronteiriça , mas o saldo, no entanto, já inclui ao menos 34 corpos encontrados, porque toda crise migratória insiste em lembrar que estatística é gente. Quanto a mim? Eu estou achando divertidíssimo!

Invadindo a sua praia, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Espanha toma uma gotinha do próprio remédio e é invadida por gente que ela não queria lá”