Category Archives: Linguí­stica

Enem, Platão e a falta de leitura

ENEM 2016. Fora o show de horrores que foi a galerinha atrasada, o que mais reclamaram é que, como sempre, as provas estavam difíceis; dentre elas, a prova de Química, que mencionou um texto de Platão sobre os estados físicos da água.

Boa parte não entendeu, alguns ficaram confusos, mas em última análise, a pergunta se resumia em “o que acontece quando o gelo derrete”. O problema, mais uma vez, está na Língua Portuguesa.

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Chomsky estava certo? Existe uma gramática no cérebro?

Olá coleguinhas. Esse texto deveria ter sido publicado no início de dezembro/2015, mas por vários motivos pessoais (projeto de mestrado rolando, fiquei um tempinho sem computador, aí perdi a senha do site rs mais de uma vez rsrs…) só está saindo agora. Mas não tem problema, vamos lá.

Quem leu meus textos, sobretudo esse aqui, sabe que o Chomsky inaugurou uma teoria na linguística que propõe que a língua existe na mente do falante (em alguns textos ele até fala em "língua como um estado do cérebro" [CHOMSKY 1998]) e coloca a linguística na área de pesquisa em neurociência (sim, biologia, medicina e tal).

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Quero ser linguista quando crescer.

Os melhores artigos de 2015

Bem, é fim-de-ano. Estou de férias, mas muita coisa boa foi escrita ao longo do ano, entre muitas insanidades e tranqueiras em geral. Foi um ano bom, como todos os anos. Normalmente tem sempre um chato implorado pro ano acabar, dizendo que foi uma merda, para em dezembro do ano que vem, dizerem a mesma coisa, e em 2017, 2018 etc. Fico pensando se a vida dessa gente não melhora. Deviam se matar logo, mas não é problema meu se gostam de sofrer.

Dada a quantidade de artigos postados, fica meio difícil encontrar um específico, entre artigos de opinião, divulgação científica ou algumas bobagens que escrevi só por diversão. Selecionei alguns desses para vocês relembrarem, ou mesmo lerem pela primeira vez. Divirtam-se, como eu me diverti escrevendo.

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Localizacionismo, fRMI e linguística gerativa: tudo a ver?

Os amiguinhos e amiguinhas leitores e leitoras já devem ter ouvido falar dos frenologistas, uns caras que no século XIX achavam que o cérebro era todo divididinho em partes especializadas em funções. Eles foram longe demais nessa hipótese e acabaram descaindo pra uma pseudociência que justificava todo tipo de desgraça e preconceito… Mas acabou que eles não estava de todo errados.

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Usando o Twitter para entender as pessoas. Ou tentar, ao menos

O Twitter é algo interessante. Criado para ser um microblog em que você postaria coisas da sua vida em, no máximo, 140 caracteres, virou um sistema de compartilhamento de notícias e bate-papo. Mais o segundo do que o primeiro. De acordo com a empresa do passarinho, são 316 milhões de usuários ativos, porque, como sabemos, só em informática e tráfico de drogas que se tem usuários. São 500 milhões de tweets diários, isso desde anúncios da Presidência da República até gente fazendo o favor de informar o que acontece quando peida.

É um fluxo de informação (e desinformação) imenso. Será que daria para fazer algo legal com isso? Bem, pesquisadores analisaram cerca de 20 milhões de tweets, de forma que possam (tentar) entender um pouco mais sobre as pessoas em situações daquilo que chamam de “mundo real”.

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Pequeno manual dos verbos

Esse post começou com eu desabafando no Twitter minha alegria em aprender a diferenciar duas classes de verbos bem parecidas. O André e o Cogita me pediram mais detalhes, mas não cabe em 140 caracteres…

Então vamos de Livro dos Porquês \o/

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Pragmática: usando a linguagem no mundo real

Amiguinhos e amiguinhas!

Seguindo a nossa introdução aos estudos linguísticos, hoje vou falar de algo MUITO importante, mas que muito pouca gente leva a sério… O uso da língua.

Conhecer uma língua não é só conhecer as palavras (léxico), como pronunciá-las (fonética/fonologia), como combiná-las em frases (sintaxe). Você também precisa conhecer o uso da língua, no dia-a-dia. Essa é a parte mais difícil de se adquirir ou aprender uma língua (há diferenças, um dia eu explico).

Conhecer o uso de uma língua significa: saber usar as coisas no contexto certo, saber identificar contextos, saber usar expressões idiomáticas, gírias, arcaísmos, memes, tecnicismos… Ou seja, coisas que a gente não aprende nem na escola nem no dicionário nem na gramática, mas no dia-a-dia mesmo da interação social.

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Inscrições antigas elucidam sobre mudanças climáticas

A história humana se baseia no registro de histórias e histórias ("estória" com "e" é neologismo inventado por Guimarães Rosa. O certo é "História" em ambos os casos). Desde cedo relatamos detalhes de nossa vida, de nosso mundo ao redor, de nosso universo, mesmo que esse universo seja medido em alguns metros. Esses contos de um passado longínquo nos faz aprender muito, como é o caso das pinturas rupestres encontradas em uma caverna na China, com inscrições únicas que nos fazem saber muita coisa. Até sobre mudanças climáticas.

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O que é mumificação

Soldados! Aqui, 4000 anos de história vos contemplam. Aqui, tesouros vos aguardam! Não o tolo ouro, cujo valor varia de sociedade para sociedade. O principal tesouro é a cultura, a Ciência, os segredos escondidos aqui, mas conservados nelas, nas múmias.

O que são, como se formam? Quais os mistérios que a Química pode revelar no estudo das múmias? Egiptologia? Não, eles não foram os únicos a desenvolver técnicas de mumificação,

Mas que é essa mumificação? Por que as sociedades mumificavam? Quem eram essas pessoas? Vistam seus jalecos e coloquem um fedora. Corram pra biblioteca e abram o LIVRO DOS PORQUÊS.

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Linguagem materna tem forte efeito sobre as habilidades cognitivas dos filhos

Nada melhor do que pais para deixar as crianças (as suas próprias) traumatizadas. Claro que não é só isso; o reforço pode ser positivo também, e a forma com que nós falamos com nossos filhos influencia em muita coisa, principalmente nas habilidades sociais deles (normalmente, sempre associamos para o pior lado).

Em recente pesquisa, evidências mostraram como a linguagem utilizada pelos pais para conversar com seus bebês influenciam-os até bem mais tarde.

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