O Ironman alemão imortalizado por um pronunciamento escatológico

Há gente que perde uma mão em batalha e vira nota de rodapé em livro de história militar; mas nenhum deles é Götz von Berlichingen, o cavaleiro que perdeu a mão direita e acabou conhecido, não apenas pela sua bravura, mas por um de seus pronunciamenteos, ainda que tal expressão que já rondasse as terras alemãs antes da Alemanha existir, e que virou clássico nacional depois que Götz gritou a versão certa para o interlocutor errado.

Alguns alcançam a imortalidade de formas bem expressivas. Continuar lendo “O Ironman alemão imortalizado por um pronunciamento escatológico”

O submarino que vazou o TNT que virou comidinha de mexilhão

Você estudou na escola (espero) que os U-boats alemães foram os maiores responsáveis por dar uma imensa dor de cabeça à Inglaterra por causa do bloqueio que a Alemanha Nazista impôs para colocar os súditos do Leãozinho e do Unicórnio. Entretanto, o pessoal da época do Káiser já tinha o hábito de fazer uso de submarinos para furtivamente tocar o terror nas águas, quando ninguém esperava por eles, ainda mais quando as tecnologias de detecção eram simplificadas pelo nome “sorte”. Sim, pois é! Pouca gente sabe que durante a Primeira Guerra Mundial a Alemanha já fazia uso de submarinos para tocar o terror no Mar do Norte.

A história de hoje é sobre como algo deu muito, muito ruim naquela época, e ainda hoje ainda pode ser péssimo. Motivo? Um submarino vazando TNT (sim, o explosivo).

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Artigos da Semana 323

Esta semana foi um saco: gente choramingando com IA trazendo o Apocalipse, Médium que usa Google, rei achado no estacionamento que teve seus dentes verificados e até o pessoal “ain u qui vussê fazia no 11 di çetembru?” (eu estava trabalhando, não tinha tempo para ficar com o cu na frente da TV o dia todo).

Bem, vejamos o que foi postado durante a semana, inclusive com Brasil endo uma terra mística esquisita e fora dos mapas convencionais.

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A cabeça enorme que enganou muita gente e enriqueceu um esperto

Eu fui numa feira de antiguidades uma vez (obrigado, óbvio. Eu sou apenas o marido e sou que nem criança: vou para onde me levam). Eu não entendo como alguém pode gostar de coisa velha (exceto na hora de comprar celular, cortinas etc), daí fica-se um tempão olhando aquilo, principalmente sabendo que é ótimo na loja, mas ninguém vai comprar aquelas monstruosidades. É um imenso tempo perdido e, claro, você vai ler o primeiro parênteses e entender como fui parar lá.

Inexoravelmente (eu sempre busco alguma forma de colocar “inexoravelmente” num texto, e quase nunca consigo) você vai encontrar aquele item de péssimo gosto que ninguém quer: o bicho empalhado torto, de olho esbugalhado, que alguns compram por causa de altas concentrações de álcool no sangue e visando fazer rir o vizinho também altamente alcoolizado. Então, por mero e ridículo capricho do Destino (que eu acho que TAMBÉM estava alcoolizado), alguém tira a sorte grande. Continuar lendo “A cabeça enorme que enganou muita gente e enriqueceu um esperto”

Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…

Havia uma vez um livro tão estranho que só podia ter vindo de outro mundo. Letras vermelhas e pretas, tabelas que se liam na horizontal, na vertical e na diagonal ao mesmo tempo (uma espécie de Sudoku medieval para quem queria saber se ia sobreviver à próxima peste), e um dono que jurava tê-lo recebido de uma ilha encantada perdida no Atlântico. Era o tipo de história que qualquer editora de best-seller pagaria caro hoje: mistério, magia, um segredo guardado por sete anos a fio. Só que, como quase sempre acontece quando se puxa o fio de uma lenda bonitinha, a verdade por trás do Livro de Hy-Brasil é ainda mais interessante do que a fantasia, e de quebra ajuda a explicar por que um país inteiro do outro lado do oceano se chama… Brasil. Continuar lendo “Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…”

Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados

Há uma categoria de descoberta científica que eu adoro particularmente: aquela em que a Ciência gasta uma fortuna, um exército de pesquisadores e uma tecnologia de ponta para provar que, no fim das contas, somos todos igualmente nojentos por dentro. Reis, camponeses, imperadores, pastores de cabra: por baixo do esmalte, a boca de todo mundo é uma zona de guerra microbiana, e a realeza, ao que parece, não tinha acesso a nenhum tratamento VIP nesse departamento.

O caso que motiva essa reflexão começa com um esqueleto encontrado, literalmente, sob um estacionamento. Em 2012, arqueólogos ingleses desenterraram em Leicester os restos de um monarca que a história tratou com a mesma delicadeza que Shakespeare: como vilão de peça teatral. Essa é a história de como fomos acabar fuçando a boca de Ricardo III. Continuar lendo “Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados”

Artigos da Semana 322

Hoje é um domingo que é sábado, já que amanhã é feriado e eu estou aqui no bem-bom descansando, como convém a idosos como eu. Vocês jovens que se ralem de trabalhar. Aí, ó. A calçada tá suja e a ia tá imunda. Vão lá limpar. Depois podem ler o que foi postado durante a semana!

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O bolo de Ea-Nasir (sim, aquele pior comerciante da História)

Vocês conhecem a história de Ea-Nasir, o vendedor de cobre vagabundo e trapaceiro que eu já apresentei por aqui como o pior comerciante da História. Ele vendia cobre saído do Golfo Pérsico para a Mesopotâmia, ostentava o cargo oficial de “Alik Dilmun” — importador licenciado que ia até o atual Bahrein trocar prata, cevada e tecido por metal — e morava numa casa de sete cômodos com capela particular, escavada nos anos 1920 pelo arqueólogo Leonard Woolley, que resolveu batizar as ruas de Ur com nomes ingleses só porque podia. Resultado: o maior vigarista documentado da Idade do Bronze mora, para efeitos de citação acadêmica, na Old Street número 1.

Mas tem algumas coisinhas que eu não falei. Continuar lendo “O bolo de Ea-Nasir (sim, aquele pior comerciante da História)”

Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias

Toda cidade americana decadente já teve aquela ideia genial de marketing que parecia infalível no quadro branco e virou motivo de piada nacional. Cleveland, nos anos 1980, tentava desesperadamente deixar de ser conhecida como “a cidade cujo rio pegou fogo” (sim, aconteceu, e é outra história igualmente hilária, mas ficará pra outro dia), e alguém do United Way, ex-publicitário da Procter & Gamble, teve a epifania que só faz sentido dentro de uma sala de reuniões: por que não soltar um milhão e meio de balões ao mesmo tempo e quebrar um recorde mundial?

A ideia era muito simples, como todas as ideias mais idiotas podem ser: arrecadar fundos para a filial local do United Way e vender publicamente Cleveland como uma das cidades emergentes dos EUA. O recorde a ser batido, aliás, pertencia à Disneylândia, que tinha soltado balões no aniversário de 30 anos do parque, um ano antes. Cleveland ia superar Mickey Mouse! O que poderia dar errado?

Balonando e andando sem pensar nas consequências, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias”

Artigos da Semana 321

Esta semana foi doida. Entre divulgação científica postei os dois lados antípodas de uma moeda. O lado A e lado B, o ponto positivo e negativo do uso da IA. Um para fazer o trabalho e várias pessoas, reduzindo o tempo e otimizando recursos. O outro, uma IA louca solta ano mundo digital fazendo um monte de merda.

Tudo dependendo da índole de quem digita start.bat.

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