
Em agosto de 2023, o veículo submarino de operação remota Deep Discoverer, pertencente ao navio de exploração Okeanos Explorer da NOAA, estava farejando o fundo do Golfo do Alasca a cerca de 3.250 metros de profundidade – algo próximo a três quilômetros e um quarto abaixo da superfície – quando deparou com algo que ninguém conseguia explicar: uma esfera dourada de uns dez centímetros de diâmetro, grudada numa rocha como se fosse um enfeite de Natal extraviado no fundo do mar. As reações da equipe, transmitidas ao vivo, foram um estudo de caso em perplexidade científica institucionalizada. “Eu não sei o que pensar sobre isso”, disse um. “Meu primeiro palpite seria uma esponja, mas…”, tentou outro, antes de sugerir, com a seriedade de quem acabou de resolver o enigma do universo, que talvez fosse uma boa ideia cutucar o negócio para ver se era duro.
O objeto foi coletado com o sugador do robô e enviado ao Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian. O que se seguiu foi um dos casos mais democraticamente frustrantes da ciência moderna: mais de dois anos e meio de investigação para descobrir que aquilo era, no fundo, uma pegada. Continuar lendo “A misteriosa bola dourada do fundo do oceano”









