Linus Pauling estava certo, mas não como ele achava

Toda disciplina científica tem seu santo mártir e seu bobo da corte particular. De vez em quando essas duas figuras habitam o mesmo corpo. É sobre um desses casos que vamos falar hoje: como uma ideia ridicularizada por décadas, relegada à prateleira empoeirada da “medicina alternativa” ao lado de cristais e homeopatia, está sendo cuidadosamente desempoeirada por pesquisadores sérios, em revistas sérias, com microscópios sérios. E o melhor: sem que ninguém precise admitir publicamente que aquele senhor teimoso talvez não fosse tão maluco assim. Continuar lendo “Linus Pauling estava certo, mas não como ele achava”

Professor tosco que faz plágio usando IA toma pé na bunda e escreve renúncia com auxílio de IA

O artigo de hoje não tem nada a ver com a série sobre o Apocalipse Tecnológico Moderno, mas é divertido mesmo assim, quando o feitiço vira contra o lacrador trapaceiro. Em tempos de IA generativa, com geral usando Gepeto, Cláudio, Gemini-Man e aquela tosqueira da Microsoft, tem gente que dobra aposta e e resolve apostar algo que nunca irá ser pego. É pego, apela para perseguição e se desculpa com uma cartinha, também gerada por IA, comprovando que além de trapaceiro é estúpido, como foi o caso do professor laureado de Cambridge que foi pego com a IA na botija, a boca no Gepeto, ou use lá a expressão que quiser.

Mas sempre tem uma IA catando as cagadas que você faz com outras IA.

Passando a perna robótica nos incautos, esta é a sua QUINTA INSANA! (não quis esperar) Continuar lendo “Professor tosco que faz plágio usando IA toma pé na bunda e escreve renúncia com auxílio de IA”

O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial

Durante séculos, fazer Química (com ela a oração e a paz) significou basicamente isto: misturar coisas, ver o que explode, anotar o resultado e tentar de novo no dia seguinte. Bancadas cheias de vidraria, sobrancelhas eventualmente chamuscadas e uma paciência de santo foram – e continuam sendo – os verdadeiros pilares do método científico na área. Entretanto, equipamentos feitos de dióxido de silício estão, aos poucos, contando com a ajuda cada vez maior de outras coisas feitas de silício: processadores, e, em 2026 uma parte considerável desse ritual está sendo terceirizada para algoritmos que nunca dormem, não reclamam de exaustor entupido e ainda por cima têm bom gosto para sugerir rotas de síntese. Continuar lendo “O casamento improvável entre a Tabela Periódica e a Inteligência Artificial”

Governo Americano coloca o… dólar na mesa e empresas de IA pedem penico

Todo mês tem um espetáculo novo. Um dia é o governo “investigando” as coitadíssimas Big Tech, no outro é a Big Tech “resistindo bravamente” às garras do Estado, e a plateia aplaude como se estivesse assistindo a uma luta de verdade, com mocinho e vilão bem definidos, em que cada babaca espectador escolhe um lado. Só que essa encenação de rivalidade cansou de ter final óbvio: sempre que a poeira baixa, as mesmas cinco empresas continuam maiores, mais ricas e mais indispensáveis do que antes, e o mesmo governo continua com mais acesso e mais controle informal do que qualquer lei jamais lhe deu.

Chame de teatro regulatório, de kabuki político ou simplesmente de negócio da China (rá!): a dinâmica é sempre a mesma. Anuncia-se um confronto, vaza um vídeo de audiência tensa no Congresso, publica-se uma “ofensiva regulatória” na imprensa, e no fim das contas as regras que saem desse processo são escritas, editadas e aprovadas pelas próprias empresas que deveriam estar sendo domadas. O que muda de um episódio para o outro não é o roteiro, é só o nome do vilão da vez e o ângulo da câmera. No final, você já sabe: todos eles almoçam juntos! Continuar lendo “Governo Americano coloca o… dólar na mesa e empresas de IA pedem penico”

Drone gringo joga pimenta para conter gente doida atirando em escolas

Os Estados Unidos têm um problema sério com ataques de gente surtada armada varando geral em escolas. Eu até entendo quando olho para os meus alunos, mas alguns casos são meio extremos. Combater isso não é simples: dá para colocar detectores de metal na entrada, reforçar o policiamento, aumentar a segurança… só que nada disso parece resolver de verdade. Foi aí que surgiu a solução definitiva: uma versão Terminator baiano tacando pimenta no lazarento que resolve se meter numa escola com fuzil.

Esse tipo de cena a gente imaginaria em algum filme futurista dos anos 90, cheio de neon nos prédios e robôs patrulhando tudo, só faltando o Juiz Dredd aparecer. Só que o caso em questão é o de hoje e já está a caminho de algum corredor de uma escola pública da Geórgia; o robô gigante trocado por um drone de plástico e a arma por um borrifador de pimenta. A vida imita a arte, mas em versão econômica, com orçamento de prefeitura. Continuar lendo “Drone gringo joga pimenta para conter gente doida atirando em escolas”

Artigos da Semana 317

Minhas microférias acabam hoje e amanhã eu tenho que ir trabalhar. Estou desconsolado, triste e revoltado. Bem, ainda tenho até hoje para isso porque amanhã é levantar cedo. Junte-se à mim na minha revolta e leiam o que foi postado durante a semana.

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Pesquisa dedura ancestral fantasma que ninguém sabe quem é

Toda família tem aquele parente que ninguém sabe explicar direito quem é, de onde vem e como apareceu na nossa história. Sujeito apareceu uma vez no Natal, contou uma história esquisita sobre onde morava, e nunca mais deu as caras. Pois, é, a genética acaba de descobrir que a espécie humana como um todo também tem um desses. Só que, em vez de sumir depois da ceia, esse parente sumiu há mais ou menos 800 mil anos, sem deixar endereço, sem deixar ossos, sem deixar absolutamente nada que um paleontólogo pudesse desenterrar num dia de sorte. E mesmo assim, ele deixou herança. Continuar lendo “Pesquisa dedura ancestral fantasma que ninguém sabe quem é”

Espanha toma uma gotinha do próprio remédio e é invadida por gente que ela não queria lá

Ontem, todo mundo (menos eu, e já direi o motivo) ficou estarrecido com a horda de imigrantes ilegais indo em massa que nem arrastão em Copacabana, só que indo pra terreno espanhol. Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 49 mil migrantes atravessaram para Corsa Ceuta em apenas 24 horas, vindos do Marrocos por mar e por terra. Somando os dias anteriores, a conta bate em 60 mil pessoas, o equivalente a mais da metade da população do enclave se materializando do nada, como se o território tivesse sido escolhido a dedo para um experimento de física social.

A Espanha e o Marrocos, tomados de um súbito interesse por engenharia civil, reforçaram a cerca fronteiriça , mas o saldo, no entanto, já inclui ao menos 34 corpos encontrados, porque toda crise migratória insiste em lembrar que estatística é gente. Quanto a mim? Eu estou achando divertidíssimo!

Invadindo a sua praia, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Espanha toma uma gotinha do próprio remédio e é invadida por gente que ela não queria lá”

A cidade que esqueceu de inventar reis

Há um roteiro que a história repete com a monotonia de uma novela mexicana. Vila prospera, vira cidade, e aparece um sujeito de coroa (ou tiara sacerdotal) reivindicando que os deuses o escolheram pessoalmente para acumular a maior parte do excedente. O Egito teve seus reis e pirâmides, a Mesopotâmia seus reis-sacerdotes e Creta o suntuoso palácio de Cnossos. Por décadas, o consenso entre historiadores foi simples e fatalista: cidade que cresce é cidade que concentra riqueza no topo.

Só que uma cidade no que hoje é o Paquistão parece ter perdido a memória desse roteiro. Entre 2600 e 1900 A.E.C., ela cresceu, prosperou, virou a maior metrópole do Vale do Indo e, em vez de gerar uma elite cada vez mais destacada, fez o oposto: ficou mais igualitária à medida que enriquecia. Nada de palácios, nada de tumbas de ouro, nada de estátuas de governantes olhando para baixo com desdém arquitetônico. Continuar lendo “A cidade que esqueceu de inventar reis”

Ladrão pede desculpas à divindade antes de assaltar a divindade

Diz a sabedoria popular que quem tem, tem medo. Mas há uma classe de pessoas que, apesar do medo, insiste em fazer merda. Chamamos isso de bandidos. Vagabundo sabe que tá fazendo merda, e mesmo assim insiste, como é o caso de dois ladrõezinhos toscos (o pior tipo de ladrão) que entraram de madrugada num templo com a intenção de arrombar as caixas de doação e fugir com o dinheiro.

MAS CALMA LÁ! Melhor não dar mole pras divindades ou a coisa degringola. Assim, eles levam as mãos às orelhas num gesto tradicional de contrição hindu (aquele que normalmente se faz ao pedir desculpas por alguma merda que fez ou estar prestes a fazer.

Mas aquele dinheirinho dando sopa… Continuar lendo “Ladrão pede desculpas à divindade antes de assaltar a divindade”