
Toda catástrofe tem dois enredos. O primeiro acontece nas ruas, com o vento, a destruição, as mortes e gente fugindo. O segundo vem depois, nas conversas, quando os sobreviventes precisam explicar o inexplicável e a explicação simples (fomos descuidados) perde para a confortável (foi um azar sobrenatural). O Grande Incêndio de Meireki, que arrasou Edo em 1657, permite ver os dois, lado a lado: o desastre real, que matou dezenas de milhares de pessoas, e a lenda do quimono amaldiçoado, que lhe deu uma protagonista e uma moral. A lenda é mais famosa. O que aconteceu de verdade é mais interessante. Continuar lendo “O quimono que queimou Edo: anatomia de um desastre e da lenda que ele ganhou de brinde”









