Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)

Há coisas no universo que a gente aceita sem questionar, tipo a Terra ter uma Lua, o Sol nascer no leste e aquele parente que só aparece em churrasco quando tem carne cara. Mas de vez em quando a Ciência decide cutucar essas certezas confortáveis, e é exatamente isso que aconteceu com Vênus, aquele planeta tido como “gêmeo da Terra” mesmo sabendo que é um gêmeo estilo Raquel: mesmo tamanho, mesma massa, composição rochosa parecida, e ainda assim um inferno sulfúrico de 460°C com chuva de ácido.

E para completar o quadro de disfunção familiar, Vênus não tem nenhum satélite natural. Nem unzinho sequer, e uma nova pesquisa finalmente explica por que, e a resposta é tão deliciosamente e aterrorizante quanto a ideia de pasar um dia completo em Vênus. Continuar lendo “Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)”

O Ironman alemão imortalizado por um pronunciamento escatológico

Há gente que perde uma mão em batalha e vira nota de rodapé em livro de história militar; mas nenhum deles é Götz von Berlichingen, o cavaleiro que perdeu a mão direita e acabou conhecido, não apenas pela sua bravura, mas por um de seus pronunciamenteos, ainda que tal expressão que já rondasse as terras alemãs antes da Alemanha existir, e que virou clássico nacional depois que Götz gritou a versão certa para o interlocutor errado.

Alguns alcançam a imortalidade de formas bem expressivas. Continuar lendo “O Ironman alemão imortalizado por um pronunciamento escatológico”

Galinhão gigante dá rolê e agita cidadezinha

Existem manhãs de domingo para café, jornal e um cochilo culposo no sofá. E existem manhãs de domingo em uma cidadeca no Arizona, nas quais um grupo de vizinhos decide dar uma volta tranquila pela trilha do canal e se depara com uma ave grande, incapaz de voar, encharcada e visivelmente arrependida das próprias escolhas de vida, boiando como quem não tinha absolutamente nenhum plano B. Bem-vindos ao tipo de notícia que a realidade insiste em produzir só para lembrar que ela é, invariavelmente, mais criativa que qualquer redator de plantão.

O caso aconteceu em Gilbert, Arizona, uma espécie de Texas wannabe, mas sem uma gota de petróleo. O que sai de lá é cobre, o que é temerário porque quem tem cobre tem medo, principalmente de piadas ridículas e infames. Continuar lendo “Galinhão gigante dá rolê e agita cidadezinha”

O submarino que vazou o TNT que virou comidinha de mexilhão

Você estudou na escola (espero) que os U-boats alemães foram os maiores responsáveis por dar uma imensa dor de cabeça à Inglaterra por causa do bloqueio que a Alemanha Nazista impôs para colocar os súditos do Leãozinho e do Unicórnio. Entretanto, o pessoal da época do Káiser já tinha o hábito de fazer uso de submarinos para furtivamente tocar o terror nas águas, quando ninguém esperava por eles, ainda mais quando as tecnologias de detecção eram simplificadas pelo nome “sorte”. Sim, pois é! Pouca gente sabe que durante a Primeira Guerra Mundial a Alemanha já fazia uso de submarinos para tocar o terror no Mar do Norte.

A história de hoje é sobre como algo deu muito, muito ruim naquela época, e ainda hoje ainda pode ser péssimo. Motivo? Um submarino vazando TNT (sim, o explosivo).

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Artigos da Semana 323

Esta semana foi um saco: gente choramingando com IA trazendo o Apocalipse, Médium que usa Google, rei achado no estacionamento que teve seus dentes verificados e até o pessoal “ain u qui vussê fazia no 11 di çetembru?” (eu estava trabalhando, não tinha tempo para ficar com o cu na frente da TV o dia todo).

Bem, vejamos o que foi postado durante a semana, inclusive com Brasil endo uma terra mística esquisita e fora dos mapas convencionais.

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A cabeça enorme que enganou muita gente e enriqueceu um esperto

Eu fui numa feira de antiguidades uma vez (obrigado, óbvio. Eu sou apenas o marido e sou que nem criança: vou para onde me levam). Eu não entendo como alguém pode gostar de coisa velha (exceto na hora de comprar celular, cortinas etc), daí fica-se um tempão olhando aquilo, principalmente sabendo que é ótimo na loja, mas ninguém vai comprar aquelas monstruosidades. É um imenso tempo perdido e, claro, você vai ler o primeiro parênteses e entender como fui parar lá.

Inexoravelmente (eu sempre busco alguma forma de colocar “inexoravelmente” num texto, e quase nunca consigo) você vai encontrar aquele item de péssimo gosto que ninguém quer: o bicho empalhado torto, de olho esbugalhado, que alguns compram por causa de altas concentrações de álcool no sangue e visando fazer rir o vizinho também altamente alcoolizado. Então, por mero e ridículo capricho do Destino (que eu acho que TAMBÉM estava alcoolizado), alguém tira a sorte grande. Continuar lendo “A cabeça enorme que enganou muita gente e enriqueceu um esperto”

As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026

Todo mês de setembro, pouco antes de o comitê sueco anunciar quem vai salvar a humanidade com uma descoberta em Física Quântica ou com alguma bobagem da Economia, um bando de cientistas se veste de cogumelo, sobe a um palco em algum canto da Europa e aceita, com lágrimas genuínas nos olhos, um prêmio por ter enfiado o pé em cima de uma cobra, enterrado mil cuecas ou descoberto, com rigor de laboratório, o jeito certo de assoar o nariz.

Bem-vindos à trigésima sexta edição do Ig Nobel, a premiação que existe para provar, ano após ano, que a curiosidade científica não tem freio de mão e, às vezes, nem senso de autopreservação; e sim, esta é a sua cientificamente revisada SEXTA INSANA! Continuar lendo “As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026”

Arautos do Apocalipse Tecnológico Moderno apregoam o extermínio da Humanidade, só que…

Toda semana alguém com mais tédio do que competência em pleno Vale do Silício descobre o Fim do Mundo (MUAHAHAHAHAHAHA). Dessa vez o Mensageiro do Caos é um ex-funcionário da Anthropic (a mãe do Claude) de 27 anos que atende por Jacob Coxon. Coxon fez no Twitter aquilo para o qual o Twitter foi feito: xingou muito; no caso: a IA. Coxon atraiu a atenção de ao anunciar o próximo Futuro Apocalíptico; porque, convenhamos, nenhum profeta bíblico teria recusado 100 milhões de visualizações se a ferramenta estivesse disponível na época. Continuar lendo “Arautos do Apocalipse Tecnológico Moderno apregoam o extermínio da Humanidade, só que…”

Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…

Havia uma vez um livro tão estranho que só podia ter vindo de outro mundo. Letras vermelhas e pretas, tabelas que se liam na horizontal, na vertical e na diagonal ao mesmo tempo (uma espécie de Sudoku medieval para quem queria saber se ia sobreviver à próxima peste), e um dono que jurava tê-lo recebido de uma ilha encantada perdida no Atlântico. Era o tipo de história que qualquer editora de best-seller pagaria caro hoje: mistério, magia, um segredo guardado por sete anos a fio. Só que, como quase sempre acontece quando se puxa o fio de uma lenda bonitinha, a verdade por trás do Livro de Hy-Brasil é ainda mais interessante do que a fantasia, e de quebra ajuda a explicar por que um país inteiro do outro lado do oceano se chama… Brasil. Continuar lendo “Um médico árabe, um judeu siciliano e um lugar chamado Brasil entram num bar…”

Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados

Há uma categoria de descoberta científica que eu adoro particularmente: aquela em que a Ciência gasta uma fortuna, um exército de pesquisadores e uma tecnologia de ponta para provar que, no fim das contas, somos todos igualmente nojentos por dentro. Reis, camponeses, imperadores, pastores de cabra: por baixo do esmalte, a boca de todo mundo é uma zona de guerra microbiana, e a realeza, ao que parece, não tinha acesso a nenhum tratamento VIP nesse departamento.

O caso que motiva essa reflexão começa com um esqueleto encontrado, literalmente, sob um estacionamento. Em 2012, arqueólogos ingleses desenterraram em Leicester os restos de um monarca que a história tratou com a mesma delicadeza que Shakespeare: como vilão de peça teatral. Essa é a história de como fomos acabar fuçando a boca de Ricardo III. Continuar lendo “Os mal-cheirosos segredos dentais de Ricardo III desvendados”