Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia

Todo mundo fica de frescura à espera da Rebelião das Máquinas, Apocalipse Robótico ou mesmo o fim dos tempos ao modo Zumbi. Eu não me engano. Nosso fim mesmo será quando os macacos se revoltarem e escravizarem seres humanos. Os planos para dominação mundial começaram bem na Tailândia, um país muito apropriado para o fim de tudo e fodendo todo mundo. No caso, uma centena de macacos resolveu atacar todo mundo e dizer HAIL CAESAR!

Vendo o mundo numa imensa Ação da macacada, esta é  sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia”

A última canção de um império: o Epitáfio de Seikilos

Há uma sala no Museu Nacional da Dinamarca onde a luz entra devagar, como se meros fótons tivessem consciência da importância do local. Caminhando por corredores silenciosos, chega-se perante uma pequena coluna de mármore. Ao redor, o silêncio educado e um pouco solene que só existe em museus e em velórios. Ali é o Departamento de Antiguidades, e a coluna está cercada de outros fragmentos gregos e romanos que também sobreviveram por acaso ou por teimosia. Vasos que perderam a alça. Estátuas que perderam o nariz. Moedas que perderam o brilho mas não o perfil do imperador. É uma sala de sobreviventes, uma espécie de sala de espera na qual cacos do passado aguardam, pacientemente, que alguém pare, incline a cabeça e leia… e escute.

A coluna ali presente canta silenciosamente por meio de letras gregas entalhadas há muito tempo, junto aos símbolos que indicam a melodia. Uma voz que atravessou o tempo que traz a sensação de que a pedra sussurra, baixinho, para quem se debruça sobre o vidro. Aquela coluna é o Epitáfio de Seikilos. Continuar lendo “A última canção de um império: o Epitáfio de Seikilos”

Apertem os cintos, o piloto se jogou

Há certas frases que, ditas no momento errado, deixam de ser conselho e viram sentença. Por exemplo, dizer “Você sabe o que fazer, continue seguindo em frente” é, na maioria das vezes, algo que normalmente um instrutor faz a um aluno nervoso; problema é a minoria das vezes em que isso não soa legal, como falar isso segundos antes de tirar o fone de ouvido, organizar os pertences, destravar o cinto, abrir a porta e pular fora de um avião em movimento.

Não é o tipo de coisa que alguém queira presenciar, pincipalmente sendo o próprio aluno de pilotagem. Continuar lendo “Apertem os cintos, o piloto se jogou”

Biosfera 2: quando ignorar a Química quase leva a uma extinção em massa

Em 26 de setembro de 1991, oito pessoas se trancaram voluntariamente dentro de uma redoma de vidro e aço no meio do deserto do Arizona e, de quebra, quase morreram sufocadas pelo próprio otimismo. Não havia vírus, não havia sabotagem, não havia nenhum vilão de filme B espreitando pelos corredores. Havia, isso sim, um adversário muito mais chato e muito mais eficiente: o concreto. Bem-vindos à Biosfera 2, o experimento de US$ 150 a 200 milhões que prometia ensaiar a colonização de Marte e acabou dando uma aula magistral sobre como a Terra, com todos os seus bilhões de anos de rodagem, ainda sabe humilhar qualquer tentativa humana de replicá-la em escala reduzida. Continuar lendo “Biosfera 2: quando ignorar a Química quase leva a uma extinção em massa”

Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo

Existe uma maneira extremamente cara de vencer uma corrida tecnológica. Você investe centenas de bilhões de dólares em pesquisa, forma engenheiros durante décadas, constrói fábricas, ergue data centers do tamanho de bairros inteiros e torce para chegar primeiro. E existe outra muito mais barata: convencer quem está na frente a pisar no freio.

A história da tecnologia está repleta desse tipo de disputa, e ela nunca fica restrita a laboratórios e patentes. Sempre que uma inovação ameaça reorganizar mercados inteiros, a batalha se muda para a política, os tribunais, a imprensa, as audiências públicas e, cada vez mais, as redes sociais. Continuar lendo “Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo”

Artigos da Semana 313

Hoje é dia do jogo do Brasil. Escrevi isso aqui sem saber o resultado, e isso nem tem algo a ver com os textos, que vão desde um imbecil que trabalha como guia e não sabe o caminho até o câncer que se recusa a morrer passando pelo México tendo o seu próprio Batman.

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O câncer que se recusa a morrer

A Humanidade vem gastando bilhões de dólares procurando a fonte da juventude eterna enquanto um punhado de células malignas na sua pele já descobriu a fórmula há muito tempo, de graça, sem pedir licença e sem nenhuma intenção de compartilhar a receita. O melanoma, aquele tipo de câncer de pele que adora se esconder atrás de uma pinta desconfiada, é uma das formas mais eficientes que a natureza já produziu de driblar a morte celular. E por décadas os cientistas sabiam que ele fazia isso, só não sabiam exatamente como.

Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh encontrou a peça que faltava nesse quebra-cabeça bioquímico. A descoberta não é apenas mais um tijolo na parede do conhecimento sobre câncer: é o tipo de achado que explica por que essas células insistem em não respeitar o prazo de validade biológico que todas as outras respeitam. Continuar lendo “O câncer que se recusa a morrer”

Batman Mexicano mete moral e prende bandidagem

Havia uma cidade na qual a noite chegava mais cedo do que o de costume, não por causa do inverno nem da latitude, mas porque a luz dos postes parecia ter desistido de brigar contra a escuridão que se instalara nas ruas. O crime crescera devagar, mas sombriamente, como quem se muda de mansinho para não incomodar os vizinhos, até que os moradores aprenderam a andar olhando por cima do ombro e a polícia aprendeu a preencher boletim de ocorrência com a mesma resignação de cobrador de ônibus recebendo a passagem. As autoridades prometiam providências, os jornais prometiam apuração, e o cidadão comum prometia, silenciosamente, parar de acreditar em qualquer uma das duas promessas.

Este lugar era o tipo de lugar onde criminosos acham que podem fazer seus ganhos e nada irá lhes acontecer. Este lugar não é uma Nova Jersey disfarçada de metrópole gótica, e o super-herói que ela produziu não tem mordomo, não tem helicóptero e definitivamente não tem verba de marketing: essa cidade é Lagos de Moreno, no estado mexicano de Jalisco, e o herói que decidiu aparecer, sem convite e sem antecedentes claros, atende, nas redes sociais, pelo nome de… O Batman Mexicano!

ESTA É A SUA SEXTA INSANANANANANANANANANANA! BATMAN! Continuar lendo “Batman Mexicano mete moral e prende bandidagem”

Vaticano expulsa velharada e não gasta o seu latim

Toda organização que dura dois mil anos acumula parentes incômodos, e a Igreja Católica tem uma lista respeitável deles. Tem o parente que foi embora batendo a porta em 1054 e nunca mais atendeu o telefone, discordando sobre quem mandava mais; tem o parente que abriu uma emissora de rádio própria no século XVI e passou a vida inteira criticando a família original pregando poucas e boas numa porta, que é basicamente a versão medieval de vender assento vip no paraíso; e agora, no ano de 2026, a ICAR ganhou um novo desentendimento de família, só que dessa vez o motivo não é teologia complexa nem doutrina obscura. É apego à língua morta. Continuar lendo “Vaticano expulsa velharada e não gasta o seu latim”

O câncer fatal que virou um problema de encanamento biológico

Você chega ao hospital com uma dor de cabeça chata, dessas que não passam nem com paracetamol nem com promessas de que amanhã será melhor. Os médicos batem uma tomografia, encontram várias manchas espalhadas pelo seu cérebro e, num tom que tenta ser gentil mas nunca consegue, informam que aquilo tem toda a cara de câncer metastático. O tipo de notícia que reorganiza uma vida inteira em quinze minutos.

Você é medicado com corticoide, melhora rápido, e a equipe médica sai correndo atrás da origem do tumor primário: emarái, colonoscopia, PET scan, a bagaça completa. Daí, descobrem que não existe tumor nenhum. O que parecia o pior cenário possível simplesmente não bate com a realidade, e a equipe se vê obrigada a repensar tudo, porque uma ressonância mais detalhada revela cistos, não tumores, e dentro de alguns desses cistos havia algo com cabeça própria. Literalmente. A notícia boa é que não é câncer. A notícia ruim é que o motivo é ainda mais perturbador, e o paciente carregava vermes alojados no cérebro sabe-se lá quantos anos. Continuar lendo “O câncer fatal que virou um problema de encanamento biológico”