
Muito bem, eu sei que quando falo “Thor” você pensa no sujeito de cabelo esvoaçante, corpo de capa de revista e cara de quem acabou de sair de um comercial da L’Oreal Paris. Esse Thor loiro, filosófico, cheio de tiradas espirituosas para trocar farpas com Loki e amadurecer emocionalmente a cada filme, é uma invenção relativamente recente, no modo Disvel de infantilizar personagens; uma limpeza de imagem digna de agência de relações públicas, aplicada a uma divindade que, na mitologia nórdica original, tinha o QI equivalente ao de um martelo e a sutileza de uma britadeira pneumática.
O Thor de verdade, o dos poemas em nórdico antigo e das sagas islandesas, não vencia ninguém na base da conversa, tentando resolver tudo no músculo (e também nem sempre vencia… aliás, na maioria das vezes ele realmente tomava na cabeça). Este Thor, quando raramente vencia as coisas, era na base da porrada, mas a realidade (falar “realidade” numa história mitológica soa esquisito, eu sei) Thor Odinson simplesmente perdia feio, e voltava para casa resmungando com o orgulho arranhado. Continuar lendo “Thor: O Deus Mais Burro do Mundo”









