A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis

Há problemas científicos que parecem ter sido criados especificamente para testar a paciência humana. Impressoras, por exemplo. Quem nunca foi vítima de uma impressora de TPM porque ela viu que você estava com pressa e a deadline de entregar o trabalho expirou e ela manda um DANE-SE, MEU PARÇA, e não imprimiu? Em outra situação, você tem uma liga metálica excepcionalmente resistente ao calor, desenvolvida para aplicações aeroespaciais, sabe que ela pode ser impressa em 3D, mas existe um pequeno detalhe: quase nenhuma impressora comercial consegue fazê-lo adequadamente impressoras são sempre impressoras!). Comofas?

Bem, você poderia testar uma combinação de potência do laser, velocidade de impressão e outros parâmetros até encontrar uma configuração que funcione. Só há um inconveniente: existem mais de 100 milhões de combinações possíveis. Nesse ponto, a expressão “vamos tentar algumas opções” começa a adquirir um significado quase cômico. Continuar lendo “A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis”

Pedagogia inovadora resolve problemas gasosos em sala de aula

Os Teóricos da Educação passam a vida inteirinha tentando entender o sentido daquela coisa que muitos chamam de “magistério” eu chamo de “sofrimento”. Há décadas (séculos?) estão teorizando e se reunindo e pensando e debatendo o que significa ensinar em seu mais amplo significado; mas isso porque não conheceram Mrs. Sydney-Browning e sua forma de lidar com flatulências, eflúvios anais e crianças peidorreiras criando uma espécie de “Cantinho do Peidinho”.

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Caranguejo sem-vergonha agora tem adversário a altura: um polvo faminto

Toda invasão biológica tem um roteiro parecido: uma espécie pega uma carona indevida (geralmente na água de lastro de um navio, o Uber clandestino dos ecossistemas), desembarca num lugar onde ninguém a esperava, descobre um buffet livre de comida sem predadores à vista e começa a se multiplicar como se tivesse lido o manual de “Como Arruinar uma Economia Pesqueira em Três Passos Fáceis”.

No litoral do nordeste da Itália, esse papel está sendo interpretado com particular entusiasmo por um crustáceo americano de pinças afiadas, e a resposta que os italianos encontraram para lidar com ele é tão elegante quanto inusitada: soltar milhares de polvos bebês no mar e torcer para que cresçam com fome. Continuar lendo “Caranguejo sem-vergonha agora tem adversário a altura: um polvo faminto”

Fotografando algo infotografável: uma molécula

Em 1926, quando Erwin Schrödinger escreveu a equação que leva seu nome, ele próprio não sabia dizer ao certo o que raio era aquela função de onda que acabara de inventar no papel, o que é o resumo do trabalho de todos os físicos. Schrödinger passou o resto da vida meio incomodado com a criatura: a matemática funcionava perfeitamente, previa tudo, acertava experimentos, só que ninguém conseguia dizer o que ela representava fisicamente, nem produzir dela algo tão simples quanto uma imagem. Um século depois, um grupo de físicos da Universidade de Göttingen resolveu, enfim, tirar essa entidade fantasmagórica do armário e fotografá-la, em três dimensões, dentro de uma molécula real. Continuar lendo “Fotografando algo infotografável: uma molécula”

Artigos da Semana 320

Aqui, mais uma vez embaixo das minhas cobertas neste dia plúmbeo, contemplo as vicissitudes da vida cochilando placidamente. Na verdade, acordei só para colocar o que foi postado durante a semana. Acho que vou voltar a dormir. Até mais! ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzz

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Plágios, fofoqueiros e lavagem de roupa suja diplomática

No dia 6 de agosto último, eu contei a história do professor de Cambridge que foi pego com a boca na botija kibando trabalho alheio e usando IA para redigir os trabalhos até o ChatGPT fazer bico. A ascensão meteórica de Jason Arday se tornou um pesadelo humilhante pra Cambridge depois de tanta coisa errada foi descoberta, e isso culminou com ele pedindo demissão do cargo (o que também acusaram ter feito com uso de IA) para depois ser encontrado morto no dia 14 de agosto, em condições pra lá de misteriosas e até agora nada foi divulgado das investigações, o que eu acho que será acobertado.

A polêmica virou nota de rodapé acadêmico em luto público e, adivinhem, munição política, com embaixadores, presidentes e o início a uma Caça às Bruxas. Continuar lendo “Plágios, fofoqueiros e lavagem de roupa suja diplomática”

Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)

O Spielberg passou décadas nos avisando sobre os perigos de brincar de Deus com répteis pré-históricos, e a resposta da civilização, trinta anos depois, foi: “e se a gente vendesse esses bichos no WhatsApp por quinhentos reais?” Um tio de quarenta e poucos anos, mineiro e de bom coração, ainda que só tendo um, chegou a considerar seriamente a compra de “mini dinossauros” anunciados nos status de um contato qualquer. Claro, isso já grita GOLPE DE GOLPISTA GOLPEANDO, mas o brasileiro não dá bola para essas coisas.

Não pergunte como o tio chegou nesse contato, e convenhamos que é o menor dos mistérios aqui. Obviamente, era um engodo, mas aprendemos que se é um vídeo na Internet, claro que é verdade!

Não poupando despesas ao apontar a dinossaurônica loucura do mundo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)”

Manual de Boas Maneiras da Inglaterra pede por favorzinho que visitantes não estuprem ninguém

Há documentos governamentais que resolvem problemas e há documentos governamentais que, sem querer, funcionam como uma confissão pública de que algo deu terrivelmente errado antes mesmo de chegarem à segunda página. O novo guia do Home Office britânico, publicado em 19 de agosto de 2026 e destinado a solicitantes de asilo, entra fácil na segunda categoria.

São nove páginas cuidadosamente redigidas para explicar, com a paciência de quem ensina criança a amarrar cadarço, que não pode ser violento, não pode agridir parceiro, não se assobia para estranhos na rua, não pode beliscar, xingar o coleguinha e nem dizer que o rei tem dedo de salsicha. Ah, e não pode estuprar ninguém. Tem que avisar, porque vai que se confundem! Continuar lendo “Manual de Boas Maneiras da Inglaterra pede por favorzinho que visitantes não estuprem ninguém”

Evento chocante mata um boi e promove revolta da população (Índia, claro!)

Cá estava eu pensando triste que não havia nada de interessante na terra de Nosso Senhor Sidartão, o Budão. Claro, Índia sendo Índia, era uma questão de esperar muito (2 dias) que eles fariam o favor de aparecer com alguma coisa… digamos… digna de Índia. Eu recitei uns mantras, acendi um incenso, arriei um despacho na encruzilhada com açafrão e curry pro Deus Jotalhão, e eis que ele me iluminou com a notícia de um boi que passou por um momento chocante e passou dessa pra melhor, indo dar um rolê pelos círculos cármicos. Sendo animal sagrado, os moradores resolveram sentar a porrada no perpetrador disso: um monte de fios de eletricidade.

Tenho certeza de que, em algum lugar do universo, uma versão Onisciente e Onipotente dos Irmãos Zucker está tomando notas, porque tem coisas que só a Índia faz por você. Continuar lendo “Evento chocante mata um boi e promove revolta da população (Índia, claro!)”

Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!

Você já é power-usuário de ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e… não, você não, Copilot. IA virou confidente, redator, consultor financeiro, leitor de horóscopo, recomendador de culinária, namorada etc. Tem IA para todos os gostos lidando com todo tipo de idiomas (inclusive essas aí que pessoal no Brasil fala, sendo que português só uma minoria. Então, eu fiquei pensando: será que tem IA para lidar com idiomas e escritas muito antigas, tipo, sei lá, hieróglifos egípcios e acádico? Sim, tem uma IA para isso, e se eu tivesse descoberto a tempo, não tinha ficado uma porrada de tempo decifrando acádico para agradar a sede da Lise por artigos no meu Apoia.se.

Sente-se e deleite-se com IA que você nunca ouviu falar. Continuar lendo “Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!”