Uma brilhante história sobre os óculos

Um Agradecimento

Por mais décadas e séculos chegamos ao século XXI. Muita coisa mudou. Quando eu tinha cerca de 6 anos, descobri que precisava de óculos quando queria ler os gibis e não conseguia. Eram daqueles cuja armação tinha uma “orelhinha” de metal como uma mola que prendia atrás da orelha. Aos dez anos, ao entrar na sala de aula no colégio, meus queridos amiguinhos me bateram nas costas. Meus óculos caíram no chão e a lente quebrou. Aquilo doeu. Não tanto pela porrada nas costas, mas por ver aquele que me ajudava a enxergar quebrado, ferido.

Passei alguns anos sem precisar de óculos e algum tempo depois, voltei a usá-los. Os meus hoje são inquebráveis, pois são de resina. Não são bifocais. São multifocais, pois as lentes não são apenas duas em uma. A transição entre a parte de perto e de longe é suave. Essas lentes têm características antirreflexo e escurecem em presença de excesso de emanação ultravioleta. Mesmo em dias nublados as lentes ficam escuras, mostrando que os raios ultra-violeta passam pelas nuvens tranquilamente e é por isso que você deve usar filtro solar mesmo assim.

Sem meus óculos, eu não conseguiria ter lido o tanto que li para escrever este artigo. Sem eles eu também não conseguiria escrever este artigo. Com eles eu consigo trabalhar, me divertir, ver as pessoas que eu amo, escolher frutas na feira, me informar e produzir material educacional. Não sinto dores de cabeça e tenho uma vida muito mais produtiva. Isso tudo graças a essas antigas invenções de milhares de anos; graças a vários inventores, pessoas cultas e personagens fantásticos, alguns bem conhecidos, outros anônimos. Os óculos fazem parte da História Humana, e eles fazem parte de nós, como amigos, companheiros e uma extensão de nós mesmos. Foram símbolo de status, realeza e de criminosos, já que aqueles que eram julgados por homicídio entravam nos tribunais tendo que usar óculos escuros, pois a eles não era permitido olhar diretamente as chamadas “pessoas de bem”.

Óculos, símbolos de pessoas cultas, gentis homens e mesmo uma marca daqueles não tão gentis assim. Óculos, motivo pelo qual Pol Pot mandava prender pessoas, já que ele achava que quem usava óculos eram intelectuais e, por isso, inimigos do Estado, mesmo em se tratando de simples pessoas com algum defeito de visão.

Óculos, usados por celebridades para se esconder e não serem reconhecidos como por aqueles que querem se destacar na multidão por meio de armações exclusivas. Óculos, um apetrecho no disfarce do Super-Homem. Óculos, a marca de um estilo.

Dizem que os olhos são o espelho da alma. Talvez, mas todos os espelhos de bom gosto possuem uma bela moldura. Óculos podem ser esta moldura que realça ou esconde, dependendo do humor de quem o usa. Podem ser substituídos por lentes de contato, mas estas são apenas uma evolução de algo que existe há milhares de anos. Lentes de contato são ótimas, mas eu ainda penso que não conferem personalidade. O movimento que você faz ao segurar os óculos, ajeitando-o sobre o narz, tirando do rosto, baixando-o para você olhar fixo para o interlocutor, tudo isso mostra o seu estado de espírito e transmite imediatamente uma mensagem de como você está se sentindo naquela hora. Lentes de contato, não, mas elas são ótimas para o que se propõem a fazer

Mas os óculos… Ah, os óculos!

São companheiros fiéis de nossos olhos, e se não os encontramos quando mais precisamos é por culpa do nosso próprio desleixo em largar nosso amigo em algum canto.

Está tarde, sinto o peso dos meus óculos sobre o meu nariz. Tiro-os um pouco para descansar, mas isso será breve. Ele sabe e eu sei que voltarão para o seu lugar de direito enquanto estiver acordado, salvo raras ocasiões em que preciso retirá-los. Este e um texto para você, amiguinho, pelos anos que tem me ajudado e ajudado outras pessoas. Sua história merecia ser contada.

Obrigado por terem sido meu segundo par de olhos, sempre comigo.


Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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