Pesquisa mostra que nem sempre carinha bonita garante confiança

Há um mito de design que atravessa décadas de ficção científica e reuniões de startup em igual medida: quanto mais humano parecer um robô, mais confiança ele inspira. Foi assim que chegamos a assistentes com cara de boneco de porcelana, recepcionistas robóticas que piscam os olhos e aspiradores que, inexplicavelmente, “pedem desculpa” quando ficam presos embaixo do sofá. A lógica parecia impecável: se o robô sorri, acena e olha nos seus olhos, ele ganha um cheque especial emocional que sobrevive até a primeira gafe.

Só que um estudo recente resolveu meter o dedo nessa ferida com um sensor de infravermelho na testa de cinquenta voluntários e descobriu que a coisa é bem mais traiçoeira do que qualquer folheto de marketing de robótica social gostaria de admitir. Continuar lendo “Pesquisa mostra que nem sempre carinha bonita garante confiança”

Artigos da Semana 321

Esta semana foi doida. Entre divulgação científica postei os dois lados antípodas de uma moeda. O lado A e lado B, o ponto positivo e negativo do uso da IA. Um para fazer o trabalho e várias pessoas, reduzindo o tempo e otimizando recursos. O outro, uma IA louca solta ano mundo digital fazendo um monte de merda.

Tudo dependendo da índole de quem digita start.bat.

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Anatomia da anatomia da invasão do Hugging Face e o que ninguém viu

Em julho, o Hugging Face sofreu um ataque maciço. Saiu em tudo que foi jornal e blogs e tecnologia (gringos, porque os blogs brasileiros estão na base de só fazer publi e escreverem bobagens irrelevantes). Dias depois, A OpenAI, dona do ChatGPT veio fazer mea culpa, me maxima culpa dando algumas explicações sobre o que ocorreu. Eu vi isso e quando saíram as informações dias depois eu percebi uma coisa em meu próprio blog. Continuar lendo “Anatomia da anatomia da invasão do Hugging Face e o que ninguém viu”

A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis

Há problemas científicos que parecem ter sido criados especificamente para testar a paciência humana. Impressoras, por exemplo. Quem nunca foi vítima de uma impressora de TPM porque ela viu que você estava com pressa e a deadline de entregar o trabalho expirou e ela manda um DANE-SE, MEU PARÇA, e não imprimiu? Em outra situação, você tem uma liga metálica excepcionalmente resistente ao calor, desenvolvida para aplicações aeroespaciais, sabe que ela pode ser impressa em 3D, mas existe um pequeno detalhe: quase nenhuma impressora comercial consegue fazê-lo adequadamente impressoras são sempre impressoras!). Comofas?

Bem, você poderia testar uma combinação de potência do laser, velocidade de impressão e outros parâmetros até encontrar uma configuração que funcione. Só há um inconveniente: existem mais de 100 milhões de combinações possíveis. Nesse ponto, a expressão “vamos tentar algumas opções” começa a adquirir um significado quase cômico. Continuar lendo “A IA procurou uma agulha em 100 milhões de palheiros e achou seis”

Fotografando algo infotografável: uma molécula

Em 1926, quando Erwin Schrödinger escreveu a equação que leva seu nome, ele próprio não sabia dizer ao certo o que raio era aquela função de onda que acabara de inventar no papel, o que é o resumo do trabalho de todos os físicos. Schrödinger passou o resto da vida meio incomodado com a criatura: a matemática funcionava perfeitamente, previa tudo, acertava experimentos, só que ninguém conseguia dizer o que ela representava fisicamente, nem produzir dela algo tão simples quanto uma imagem. Um século depois, um grupo de físicos da Universidade de Göttingen resolveu, enfim, tirar essa entidade fantasmagórica do armário e fotografá-la, em três dimensões, dentro de uma molécula real. Continuar lendo “Fotografando algo infotografável: uma molécula”

Artigos da Semana 320

Aqui, mais uma vez embaixo das minhas cobertas neste dia plúmbeo, contemplo as vicissitudes da vida cochilando placidamente. Na verdade, acordei só para colocar o que foi postado durante a semana. Acho que vou voltar a dormir. Até mais! ZZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzzzZZZZZZZZZZzzzzzzzzzzzz

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Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)

O Spielberg passou décadas nos avisando sobre os perigos de brincar de Deus com répteis pré-históricos, e a resposta da civilização, trinta anos depois, foi: “e se a gente vendesse esses bichos no WhatsApp por quinhentos reais?” Um tio de quarenta e poucos anos, mineiro e de bom coração, ainda que só tendo um, chegou a considerar seriamente a compra de “mini dinossauros” anunciados nos status de um contato qualquer. Claro, isso já grita GOLPE DE GOLPISTA GOLPEANDO, mas o brasileiro não dá bola para essas coisas.

Não pergunte como o tio chegou nesse contato, e convenhamos que é o menor dos mistérios aqui. Obviamente, era um engodo, mas aprendemos que se é um vídeo na Internet, claro que é verdade!

Não poupando despesas ao apontar a dinossaurônica loucura do mundo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)”

Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!

Você já é power-usuário de ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e… não, você não, Copilot. IA virou confidente, redator, consultor financeiro, leitor de horóscopo, recomendador de culinária, namorada etc. Tem IA para todos os gostos lidando com todo tipo de idiomas (inclusive essas aí que pessoal no Brasil fala, sendo que português só uma minoria. Então, eu fiquei pensando: será que tem IA para lidar com idiomas e escritas muito antigas, tipo, sei lá, hieróglifos egípcios e acádico? Sim, tem uma IA para isso, e se eu tivesse descoberto a tempo, não tinha ficado uma porrada de tempo decifrando acádico para agradar a sede da Lise por artigos no meu Apoia.se.

Sente-se e deleite-se com IA que você nunca ouviu falar. Continuar lendo “Querendo traduzir textos mais velhos que sua avozinha? Tem IA para isso!”

Artigos da Semana 319

Estamos nos efeitos do El Niño o que esta prolongando o inverno e estou adorando, pois assim economizo cm ar-condicionado (e gasto com chuveiro elétrico). Enquanto estou confortavelmente debaixo do edredom, escrevendo no notebook, que tal darmos uma olhada no que foi postado durante a semana?

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Starlink virou tomógrafo do céu

Eu sei que você se lembra muito bem quando xingava a Internet xexelenta enquanto o Wi-Fi do vizinho parecia funcionar às mil maravilhas. Daí veio a banda larga, larga, e você ficou feliz, assinou Netflix 4K (para ver filmes em fullHD apenas). Então, está olhando com volúpia cada anúncio do Starlink e sua constelação de satélites, sem saber que esses satélites estão fazendo um dos favores mais elegantes já prestados à Ciência Espacial: estão mapeando uma camada da atmosfera que os físicos vinham tentando fotografar, metaforicamente falando, há décadas, com o equivalente cósmico de uma Tekpix que caiu da mesa, enquanto Starlink está lá com uma daquelas camerazonas imensas que fotógrafos usam na Copa do Mundo.

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