Sistema sabe aonde você vai e onde está. Esta fofoca pode salvar muitas vidas

Você não tem privacidade. Não existe mais esse conceito, a não ser como lembrança nostálgica, do tipo que os mais velhos evocam com um suspiro e um olhar distante, como quando falam em Fusca ou em disquete. Seu celular sabe onde você está, com quem você conversa, o que você consome, o que você deseja consumir e, se você usa qualquer aplicativo minimamente invasivo, provavelmente sabe quantas horas você dormiu e se estava nervoso quando acordou, desenhando um mapa fiel das suas andanças com uma precisão que qualquer detetive de noir dos anos 1940 encararia com admiração e ciúme.

É com essa constatação um tanto assustadora que chegamos a uma das aplicações mais elegantes e, convenhamos, levemente irônicas da vigilância de massas: usar esses dados de mobilidade para prever onde uma epidemia vai explodir antes que ela exploda. A ideia soa como aquela virada de enredo em que o vilão descobre que pode usar seus poderes para o bem, exceto que, neste caso, o vilão são as telecomunicações e o bem são as crianças que não vão morrer de sarampo. Continuar lendo “Sistema sabe aonde você vai e onde está. Esta fofoca pode salvar muitas vidas”

A Guerra das Invenções Idiotas

A Segunda Guerra Mundial foi, entre outras atrocidades, o maior laboratório de gambiarra da História Humana. Sim, ela nos deu o radar, o motor a jato, o míssil balístico e a bomba atômica; mas também nos deu um urso sargento, um submarino afundado por descarga sanitária e uma proposta de incendiar Tóquio com morcegos colados. A humanidade, quando colocada sob pressão extrema, não apenas sobrevive: ela delira com produtividade assustadora. O que se segue é um catálogo honesto desse delírio. Continuar lendo “A Guerra das Invenções Idiotas”

O caso do amor flamejante de uma adolescente apaixonada

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

– Camões

Há histórias de amor que terminam bem. Depois existem as que terminam com dois jovens separados para sempre, um coração partido e uma cidade em chamas. A de Yaoya Oshichi pertence definitivamente à segunda categoria, com o agravante de que ela própria foi quem tocou fogo e ainda teve a honestidade fatal de confirmar sua idade ao juiz no momento exato em que deveria ter mentido. Continuar lendo “O caso do amor flamejante de uma adolescente apaixonada”

O homem que quis carregar o Império e acabou esmagado por ele

Há muitas maneiras de um rei morrer. Batalha, envenenamento, conspiração de corte, uma queda não muito discreta das escadas do palácio e até comer demais. A História está cheia de monarcas que partiram desta para melhor de formas que fariam corar qualquer roteirista de tragédia grega. Mas poucos conseguiram a façanha de Ying Dang, o Rei Wu, do reino de Qin, que em 307 A.E.C. decidiu provar ao mundo que era o homem de maior proeza atlética do Período dos Reinos Combatentes, e foi literalmente esmagado pela própria ambição. No caso dele, a ambição tinha a forma de um caldeirão de bronze do tamanho de uma banheira de hidromassagem imperial. Continuar lendo “O homem que quis carregar o Império e acabou esmagado por ele”

Mulheres, negociantes e trapaceiros na Assíria

Existe uma ideia muito popular, suficientemente errada para incomodar, de que as mulheres entraram no mundo dos negócios em algum momento entre a Segunda Guerra Mundial e a invenção do blazer feminino. A História, no entanto, tem o péssimo hábito de não cooperar com narrativas convenientes. Por volta de 1850 A.E.C., enquanto a Europa estava lá, na Idade do Bronze, sem nem saber escrever direito e se matando e trabalhar com uma agricultura plantada ainda de maneira tosca, mulheres assírias administravam empresas, faziam investimentos em sociedades de capital compartilhado, concediam empréstimos a juros e se correspondiam por escrito sobre fraudes financeiras com uma fluência que envergonharia muitos diretores financeiros de hoje.

Tudo isso gravado em tabuletas que sobreviveram 4.000 anos para nos lembrar que a Humanidade não mudou tanto assim; principalmente em termos de golpistas, salafrários, vagabundos e trapaceiros. Continuar lendo “Mulheres, negociantes e trapaceiros na Assíria”

Segredos do capacetão da ave assassina revelados

Se você precisa de uma prova viva de que aves são descendentes de dinossauros, não procure fósseis. Vá até a Nova Guiné ou ao nordeste da Austrália (sempre ela) ou ainda no Parque das Aves no Paraná, e dê uma bela olhada num casuar, olhando bem nos olhos dele. Melhor ainda: não olhe. Ele já está te olhando com aquela expressão de quem calculou a trajetória do seu pescoço antes de você terminar de respirar.

A Natureza achou que este ser das Trevas de quase 2m de altura que ostenta garras internas comparadas a adagas tinha algo faltando: coroar essa máquina de indignação paleontológica com um capacete ósseo no alto da cabeça, cuja função os cientistas debatem há mais de um século sem chegar a um acordo. Pois bem: a Ciência acaba de complicar ainda mais esse mistério, e de uma forma que você não esperava. Continuar lendo “Segredos do capacetão da ave assassina revelados”

O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje

De tempos em tempos, a Internet descobre que a Idade Média era maravilhosa. Não o período da peste bubônica que matou um terço da Europa, não o das guerras ininterruptas ou das colheitas devastadas pela geada. A Idade Média romântica, aquela dos camponeses descansados que trabalhavam menos que o trabalhador médio e passavam os invernos bordando tapeçarias à beira da lareira, se banqueteando com uma dieta mais saudável. O argumento circula com a persistência das más ideias: os servos medievais tinham mais feriados do que você, seu CLT tosco, trabalhando só 1.620 horas por ano (contra as 1.780 do trabalhador moderno), e portanto viviam melhor. Soa bonito, eu sei. Continuar lendo “O mito do camponês que trabalhava menos que os trabalhadores de hoje”

Emergência cardíaca faz médico apelar para exame inesperado e eficiente

A  Emergência de qualquer hospital é pauleira, ainda mais se for no Brasil, que é considerado medicina de guerra. Só que daí você pensa “ah, na gringa é diferente!” Não é, e isso ficou comprovado quando um sujeito de 29 anos, em Queens, Nova York, que saiu andando tranquilamente pela rua e, de repente, percebeu que seu coração estava sambando mais rápido que bateria de escola de samba na Sapucaí. Cento e quarenta batimentos por minuto, o coração do cidadão estava tentando pedir arrego em código Morse.

O cara bateu hospital, o eletrocardiograma confirmou fibrilação atrial: as câmaras superiores do coração totalmente zuadas e os médicos iniciaram o protocolo, só que havia um problemão ali. Como foi resolvido? Você prestou atenção na imagem de abertura?

Aprofundando-se no âmago das pessoas a fim de proporcionar um bate-bate-coração-acelerado, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Emergência cardíaca faz médico apelar para exame inesperado e eficiente”

19 Hz: A Frequência dos Fantasmas

Vamos começar com uma pergunta que separa adultos funcionais de futuros caçadores de fantasmas de YouTube: o que é mais assustador, encontrar uma entidade do além ou descobrir que você passou anos sendo aterrorizado por um ventilador? Se a segunda opção parece mais perturbadora, parabéns, você já está no estado mental ideal para entender como o medo pode ser causado por coisas banais. Até mesmo visões de “entidades” nem sempre tem a ver com a existência de fantasmas ou estados de consciência induzidos por drogas. às vezes, um simples ventilador é o suficiente. Continuar lendo “19 Hz: A Frequência dos Fantasmas”

O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD

Imagine jantar num restaurante à beira-mar, pedir um peixe grelhado aparentemente inocente e acordar dois dias depois sem qualquer memória do que aconteceu. Não é o enredo de um thriller psicológico nem o relato de uma festa que saiu do controle. É o que pode acontecer quando alguém tem o azar, ou a curiosidade, de comer a Sarpa salpa, modestamente conhecida no mundo árabe como “o peixe que faz sonhos.” Os romanos chamavam-lhe delicatessen. A ciência moderna denomina esse fenômeno de ichthyoallyeinotoxism, dito em latim científico para soar menos embaraçoso nos relatórios hospitalares, porque “intoxicação alucinogênica por peixe” não tem, convenhamos, a dignidade que a situação merece.

Viajando firme na peixaria, chapadões durante o Império, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD”