O Antropoceno e mais real do que se imaginava

Já tínhamos falado sobre o Antropoceno AQUI e AQUI. Nossa ação sobre o ambiente mudou radicalmente a História da Terra. Somos responsáveis por alterar o ambiente ao nosso bel prazer, e isso está causando sérios riscos a outras espécies vivas, tendo gente que acredita que estamos causando mais uma grande extinção, mas aí eu acho exagero, pois muito dificilmente nós mandaremos 95% dos seres vivos pra vala, como aconteceu no Permiano.

Até agora, a comunidade científica estava debatendo se os seres humanos têm mudado o sistema da Terra suficientemente para produzir uma assinatura estratigráfica em sedimentos e gelo. Bem, parece que a resposta chegou. E não é algo muito animador.

O dr. Jan Zalasiewicz é professor de Paleobiologia do Departamento de Geologia da Universidade de Leicester. Ele assinou um trabalho junto com outros cientistas (estou com preguiça de relacionar um por um) evidenciando como o Antropoceno é funcionalmente e estratigraficamente distinto do Holoceno. Este trabalho foi publicado no periódico Science.

O título é lindo e você não entendeu nada. Tudo começa pelo conceito de Estratigrafia. Estratigrafia, basicamente, analisa estratos (com S) e não extratos (com X). Estratigrafia não analisa se o extrato de tomate está na validade, ela analisa terrenos, camadas geológicas. Com o passar do tempo, sedimentos de rochas vão se depositando, até que alguma mudança faz as rochas mudarem também. Com isso, os sedimentos serão diferentes, formando camadas diferentes, que poderão ser estudadas separadamente.

Podemos ver na foto que cada camada de cor diferente das demais registra uma mudança geológica, mas não necessariamente um período geológico. Um período geológico precisa de mudanças mais profundas.

Mas e no caso do Antropoceno? Bem, antes ele era considerado uma subdivisão do Holoceno, que começou há quase 12 mil anos, mas de acordo com a pesquisa, vários indicativos apontam que criamos, UHUUUUUUUUUU!!!!!!!!, algo bem diferente. E isso não parece algo a ser comemorado.

As mudanças estão aí, e o crescimento e desenvolvimento acelerados de nossa tecnologia causou profundos impactos. Minerações, barragens, áreas de plantio, construções de casas etc provocaram mudanças no terreno.

Nosso ávido aumento no consumo de recursos deixou regiões desérticas. Os produtos de mineração, eliminação de resíduos, construção, urbanização e cagadas em geral como aconteceu em Mariana mostram como nós alteramos o ecossistema. Porque aquela coisinha linda que aconteceu com a barragem arrebentando e despejando toneladas de lama no rio Doce, que acabou indo pro mar, alterou o microclima da região, as espécies nativas foram pro ralo e alguns idiotas acham que as mudinhas do Sebastião Salgado vão salvar. cadê, resolveu algo? Não, né?

Temos registros de metais poluentes, mesmo os que não se encontram naturalmente em forma livre, como o alumínio, chumbo , cádmio, cromo, cobre, mercúrio, níquel e zinco, sendo encontrados em rios, lagos e no solo. A China está passando um perrengue com a altíssima concentração de poluição atmosférica, os níveis de nitrogênio e fósforo (bem como seus respectivos óxidos) em solos e no ar duplicaram ao longo dos últimos 100 anos. Aquilo que a antiga série Ark II estava prevendo, um apocalipse devido à poluição, parece não estar mais no campo da ficção.

A agricultura tem que quer intensificada para alimentar os bilhões de seres humanos. Se pessoas não têm acesso à comida não é uma questão de tecnologia, mas de geopolítica. Mais pessoas famintas? Aumenta-se a produção de comida. Essa comida chega até às pessoas? Não, produz-se mais e mais e mais e mais.

Talvez não sejamos tão responsáveis assim. O planeta já mandou várias espécies pra vala evolutiva, mas temos que perceber que o fazemos de maneira bem mais rápida. Se bem que um meteoro caindo em Yucatan não é algo lá muito devagar também. Talvez sejamos algum erro como esse meteoro, um fator caótico jamais imaginado. Assim como no caso do meteorão e a extinção que ele causou, se destruindo no caminho, talvez nosso destino será nos auto-aniquilarmos. Bem, a Natureza não se importa. A gente manda tudo pra vala e depois que sumirmos, as plantas estarão bem aí, obrigado. A vida sempre acha um jeito.

Aparecerá outra espécie inteligente que domine tecnologia? Bem, é quase certo que não, e o planeta só terá a agradecer. Mas não fiquem tristes. O planeta está muito bem. Nós é que estamos ferrados.

6 comentários em “O Antropoceno e mais real do que se imaginava

  1. Se não tentarmos mudar para melhorar esta situação,nós iremos se auto-aniquilarmos,se bem que já não temos muita esperança sobre o que podemos modificar para melhor,mas mesmo assim ainda vale a pena a tentativa,devemos nos esforçar para garantir que não só a nossa espécie mas outras espécies possam continuar a viver neste planeta.
    E caso nós conseguirmos mudarmos para melhor a situação,devemos já pensar que caso não nos aniquilemos,precisaremos arranjar um novo lar para os seres humanos,já que logo mais a Terra será devastada de um jeito ou de outro(ou pelo Sol quando se transformar em uma super nova,ou por outros fatores).

  2. Se ela estiver no fim é porque é mesmo assim
    E só isso é motivo pra sorrir
    Ao se sentir chateado, não fique falando de lado
    Assovie que o melhor está por vir….
    E olhe sempre pro lado bom da morte
    E vai ver que é tudo um jogo de sorte….

  3. Cara fica calmo! O Sol provavelmente só irá começar a se expandir dentro de 1 bilhão de anos. Nem nós nem as gerações futuras estarão aqui. O ser humano muito provavelmente já não existirá!

    1. Sim eu sei disto meu amigo,só estava corrigindo uma parte da minha explicação sobre o Sol e a a expansão dele.
      Também creio que nós seres humanos não existiremos daqui a 1 bilhão de anos(ou até antes).
      Mas mesmo assim é natural mesmo,por que o que a Seleção Natural da,ela também tira.

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