Quando um exército de robozinhos capitaneados por um programador humilhou big techs

Houve um tempo, não muito distante, em que você entrava numa loja, escolhia um produto, pagava e, pasme, a coisa era sua! Comprava um disco e ouvia até a humanidade desenvolver orelhas de reposição. Com os programas era parecido: pagava, instalava e usava aquela versão enquanto o computador aguentasse. Isso sempre foi maravilhoso.

Claro, foi uma corrida para impedir que as pessoas espalhassem seus programas com os amigos, e daí veio a corrida para impedir, craqueadores burlavam a segurança e estava tudo bem, já que a verdade é que Microsoft não estava nem aí se o Zezinho morador de Nova Iguaçu tinha comprado um Uíndous Jack Sparrow. Ela ganha dinheiro com as empresas, mesmo. Continuar lendo “Quando um exército de robozinhos capitaneados por um programador humilhou big techs” →

A bactéria que curte um calorzinho

Você sabe que esquentando muito a água (ok, fervendo), vai passar o cerol em tudo que estiver vivo ali. Só que muitas vezes a preguiça não deixa você esperar até a fervura, e você sabe que existe uma temperatura a partir da qual a vida complexa deveria começar a reconsiderar seriamente suas escolhas. Proteínas perdem a forma, membranas ficam instáveis, processos celulares começam a falhar e aquilo que até então era um organismo passa a caminhar perigosamente na direção de sopa orgânica. Para os eucariotos, seres cujas células possuem núcleo e outras estruturas internas, acreditava-se durante décadas que a fronteira estava por volta dos 60 °C. Era uma espécie de placa biológica de “não ultrapasse”.

Então apareceu uma ameba na Califórnia que aparentemente não sabe ler placas. Continuar lendo “A bactéria que curte um calorzinho” →

OpenAI chamou o contato, o contato veio com mastro, corda e ordem de restrição

Imagine uma churrascaria que coloca na porta uma placa: “Atenção: carne vermelha faz mal, tem cheiro esquisito e pode provocar a extinção da espécie humana. Provem nosso rodízio!” Agora imagine que, diante do espanto dos clientes, o dono acrescente: “Mas o governo devia fechar a churrascaria da esquina”. É mais ou menos o estado da arte do debate sobre segurança da Inteligência Artificial em fins de setembro de 2026.

O problema dos desejos é que eles podem acontecer. Pena que a OpenAI não se tocara disso; deveriam ter consultado o ChatGPT. Continuar lendo “OpenAI chamou o contato, o contato veio com mastro, corda e ordem de restrição” →

O seu cérebro tem duas certidões de nascimento

Você aprendeu na escola que a célula é a menor unidade estrutural e funcional dos seres vivos. Aprendeu também que células especializadas se reúnem em tecidos e que tecidos diferentes se combinam para formar órgãos. Coração, fígado, pâncreas, cérebro: cada um sendo uma peça só, singular, simples, sem complicação (salvo quando bate um câncer ou alguma outra doença que estraga tudo). Com o avanço dos estudos, você descobriu que o cérebro tem dois hemisférios que trabalham em parceria, conectados pelo corpo caloso, e que, em boa parte, o direito comanda o lado esquerdo do corpo e o esquerdo comanda o direito. Simples, não? Só que a Ciência avança e adora complicar as coisas!

Um grupo de especialistas em desenvolvimento embrionário resolveu mexer na certidão de nascimento do órgão mais badalado do corpo, aquele que escreve poemas, resolve equações e ainda esquece onde deixou a chave do carro. E a divisão que eles encontraram não tem nada a ver com direita ou esquerda (não estou falando de política, seus retardados que chegaram aqui pelo Google). Continuar lendo “O seu cérebro tem duas certidões de nascimento” →

Cocô providencial causou explosão de vida na Terra

Há coisas que a humanidade prefere não discutir à mesa do jantar, e o topo dessa lista é ocupado, invariavelmente, por aquilo que sai do corpo depois que a comida termina sua jornada. Trocamos de assunto, torcemos o nariz, e seguimos em frente falando de coisas semelhantes: eleições; no final das contas, ambos acabam sendo a mesma coisa, com a diferença que o cocô propriamente dito é um mero detalhe biológico sem maiores consequências, já que ele não faz leis, não promulga leis e nem te faz conviver com outros iguais a ele.

A Ciência, com seu talento peculiar para nos constranger, acaba de sugerir o contrário: sem excremento, você provavelmente não estaria aqui lendo isto, nem eu escrevendo, nem praticamente nada com sistema nervoso central estaria fazendo o que quer que seja em lugar nenhum do planeta. Sim, o mundo tá aqui do jeito que conhecemos por causa de uma tempestade de merda. Literalmente!

E sim, farei todo tipo de piada deprimente, depressiva, deplorável e digna do melhor da pior Quinta Série! Continuar lendo “Cocô providencial causou explosão de vida na Terra” →

Caranguejo sem-vergonha agora tem adversário a altura: um polvo faminto

Toda invasão biológica tem um roteiro parecido: uma espécie pega uma carona indevida (geralmente na água de lastro de um navio, o Uber clandestino dos ecossistemas), desembarca num lugar onde ninguém a esperava, descobre um buffet livre de comida sem predadores à vista e começa a se multiplicar como se tivesse lido o manual de “Como Arruinar uma Economia Pesqueira em Três Passos Fáceis”.

No litoral do nordeste da Itália, esse papel está sendo interpretado com particular entusiasmo por um crustáceo americano de pinças afiadas, e a resposta que os italianos encontraram para lidar com ele é tão elegante quanto inusitada: soltar milhares de polvos bebês no mar e torcer para que cresçam com fome. Continuar lendo “Caranguejo sem-vergonha agora tem adversário a altura: um polvo faminto” →

Robô assiste robô cirurgião operando uma pessoa roboticamente

Imagine confiar a remoção da sua vesícula biliar a um bípede metálico de um metro e meio, pilotado à distância por alguém que talvez esteja de chinelos em casa. Pois é exatamente isso que uma equipe de engenheiros e cirurgiões da Universidade da Califórnia em San Diego acabou de fazer, com sucesso, inaugurando uma era em que a ficção científica perde a exclusividade sobre robôs vestindo (ou quase vestindo) jaleco.

Em resumo: pela primeira vez na história, dois robôs humanoides teleoperados realizaram cirurgias completas em um teste pré-clínico. Em uma delas, um robô trabalhou como assistente de um cirurgião humano numa remoção de vesícula biliar. Na outra, mais audaciosa, dois robôs humanoides operaram sozinhos, em dupla, sem nenhum humano de bisturi na mão. Continuar lendo “Robô assiste robô cirurgião operando uma pessoa roboticamente” →

Segredos do capacetão da ave assassina revelados

Se você precisa de uma prova viva de que aves são descendentes de dinossauros, não procure fósseis. Vá até a Nova Guiné ou ao nordeste da Austrália (sempre ela) ou ainda no Parque das Aves no Paraná, e dê uma bela olhada num casuar, olhando bem nos olhos dele. Melhor ainda: não olhe. Ele já está te olhando com aquela expressão de quem calculou a trajetória do seu pescoço antes de você terminar de respirar.

A Natureza achou que este ser das Trevas de quase 2m de altura que ostenta garras internas comparadas a adagas tinha algo faltando: coroar essa máquina de indignação paleontológica com um capacete ósseo no alto da cabeça, cuja função os cientistas debatem há mais de um século sem chegar a um acordo. Pois bem: a Ciência acaba de complicar ainda mais esse mistério, e de uma forma que você não esperava. Continuar lendo “Segredos do capacetão da ave assassina revelados” →

O surpreendente Homem de Cheddar

Em 1903, alguns trabalhadores escavavam tranquilamente dentro de uma caverna no desfiladeiro de Cheddar, em Somerset, quando encontraram algo que não deveria estar ali, pelo menos não à vista. Um corpo. Não enterrado com cuidado, não acompanhado de objetos, não transformado em memória. Apenas um esqueleto, encolhido, esquecido, preservado pelo acaso e pela pedra durante cerca de dez mil anos.

Ele já estava ali antes de qualquer coisa que hoje chamamos de civilização europeia. Antes da invenção da escrita, antes das pirâmides, antes de Stonehenge. Ainda assim, quando o encontraram, fizeram o que sempre se faz: deram um nome e encaixaram numa narrativa confortável. Chamaram-no de Homem de Cheddar e decidiram, sem muito debate, que ele era o “primeiro britânico”. Continuar lendo “O surpreendente Homem de Cheddar” →

O bicho que venceu o fim do mundo botando um ovo

Se você acha que a evolução foi uma linha elegante, quase aristocrática, que saiu dos répteis, atravessou os mamíferos e desembocou em você tomando café enquanto ignora notificações no celular, é melhor recalibrar essa imagem. A história real é bem menos refinada e muito mais interessante. No meio do caminho, existe um animal chamado Lystrosaurus, um bicho atarracado, com cara de quem perdeu uma discussão com a própria genética, que atravessou o maior colapso biológico da história da Terra fazendo algo que hoje parece, no mínimo, desconcertante para um “quase mamífero”: botando ovos. Continuar lendo “O bicho que venceu o fim do mundo botando um ovo” →