Bem-vindos ao Antropoceno

Qualquer postagem sobre  mudanças climáticas acarretam sempre em algum mané perguntando como seria possível nós mudarmos o clima, que o Homem não é isso tudo e blábláblá Molion blábláblá Felício diz que não existe camada de ozônio blábláblá Jô Soares é melhor fonte de pesquisa que a Nature blábláblá. A verdade é que não só temos essa capacidade como já a fizemos com a invenção da agricultura, onde já no tempo do Império Romano a humanidade já vinha causando impacto ambiental e climático. Mas eu é que tenho fé, mesmo postando trezentas milhões de fontes, enquanto que a verdade é dita em programas de entrevista na TV.

As pessoas estudam muito, mas parecem nunca ter estudado que nossa marca no planeta é tão grande que nos tornamos um marco. Fomos o início de uma nova era geológica: o Período Antropoceno.

Eu já falei sobre o Antropoceno antes. Nele, eu expliquei que os limites de tempo que separam as escalas de tempo geológico não são arbitrários, como nada na Ciência o é. O critério atualmente utilizado é o acontecimento dos três itens abaixo:

  • Mudança na composição atmosférica, com consequente mudança nas plantas.
  • Mudança na distribuição e diversidade das espécies, com consequências futuras no registro fóssil.
  • Mudança na acidez dos oceanos, com alteração nos depósitos minerais nas profundezas.

Nossa ação é tão forte que obras de engenharia são capazes de alterar a velocidade de rotação do planeta[1] [2] [3] [4], mas isso deve ser invenção do IPCC ou do Al Gore. O vídeo a seguir mostra uma viagem dos últimos e ridículos 250 anos, em comparação aos milhares de anos que estamos aqui. Ele mostra como nossa tecnologia evoluiu trazendo cada vez mais benefícios, aumentando a expectativa de vida da população, mediante novos remédios, técnicas de agricultura, fertilizantes, saneamento etc. Em 40 anos, a expectativa de vida no Brasil subiu 25 anos[5], onde a população brasileira em 1960 estava abaixo dos 75 milhões de habitantes.[6]. Mas isso também deve ser invenção.

A tecnologia não pode ser desinventada. Apagar da existência metade da população mundial não ganhará simpatia de ninguém. Diminuir o atual ritmo industrial é inviável. Acabar com consumismo só existe no mundo das fadinhas e dos unicórnios dor-de-rosa. Não sabemos para onde estamos levando a nos mesmos, mas chegaremos lá, pelo melhor ou pelo pior dos modos.

As tataravós das algas azuis foram um marco divisório na história da vida na Terra ao produzirem oxigênio. Hoje nós, seres humanos, também estamos sendo um, e não me parece algo positivo, a não ser que surja alguma espécie melhor que a nossa, mas eu tenho cá as minhas dúvidas.. Somos inventivos, somos inteligentes, só não somos muito espertos para entender isso a tempo, pois parece que já é tarde. Só não sabemos o quanto é tarde. Ainda assim, vale o esforço de tentar fazer a diferença de novo, mas dessa vez para melhor.

10 comentários em “Bem-vindos ao Antropoceno

  1. Estava procurando alguma transcrição da participação do Ricardo Felicio naquele programa televisivo e encontrei isso:

    http://www.alerta.inf.br/aquecimento-global-antropogenico-nao-tem-evidencias-ricardo-felicio/

    Seguem três trechos “interessantes”:

    1. “Na ocasião, Felício esclareceu que, quando se discute o clima, é preciso distinguir os efeitos locais dos globais. Como exemplo, citou o microclima da cidade de São Paulo, no qual as alterações do meio urbano produzem efeitos que se fazem sentir localmente, mas não causam impactos em escala global.”

    2. “Outro fenômeno desmistificado por ele foi o alardeado derretimento dos gelos polares. No Ártico, afirmou, a dinâmica de congelamento e degelo cíclicos é conhecida desde o final da II Guerra Mundial, devido à grande importância estratégica da região para as superpotências engajadas na Guerra Fria. E, na Antártica, seria preciso um aumento de temperatura da ordem de 30 graus centígrados para que o gelo do continente começasse a derreter.”

    3. “Felício falou, também, da fraude científica que antecedeu a histeria climática, o “buraco na camada de ozônio”, que, segundo ele, foi motivada pelo fato de que as patentes dos produtos aos quais o fenômeno foi atribuído, os clorofluorcarbonos (CFCs), estavam vencendo. Por este motivo, seus fabricantes não só apoiaram a farsa, como apresentaram uma nova família de substitutos, os hidrofluorcarbonos (HFCs), muito mais caros e que, igualmente, obrigariam à substituição de todos os equipamentos de refrigeração existentes. Como estas patentes começam a vencer na década de 2020, afirmou, já há uma nova família de substitutos preparada para o lançamento – igualmente, bem mais caros que os HFCs.”

    Rápidos comentários (meus):

    1. Se fosse somente São Paulo o agente poluidor, eu até concordaria. Mas centros poluidores distribuidos tentem a mudar o clima de forma distribuida.

    2. Gostaria de ler o estudo que conlui o que está escrito sobre a Antártica, mas não achei.

    3. A substituição do CFC pelo HFC faz sentido, sendo o segundo aprox 90% menos poluente que o primeiro, mas essa de vencimento de patentes parece lenda urbana.

    Para encerrar, o link traz um único comentário de alguma colega de profissão do Andre…hehehe!

    Nileide Andrade disse:
    maio 25, 2012 às 8:27 pm
    Assisti e como professora de Química achei muito interessante e sua fundamentação , suas explicações nos levam a refletir, pensar, sair a busca de mais subsidios, um aprofundamento nas leituras sobre o tema e as consequencias para compreender a real situação do planeta e no que diz respeito ao nosso Brasil , tão cobiçado por todos!!!

    1. 2. “Outro fenômeno desmistificado por ele foi o alardeado derretimento dos gelos polares. No Ártico, afirmou, a dinâmica de congelamento e degelo cíclicos é conhecida desde o final da II Guerra Mundial, devido à grande importância estratégica da região para as superpotências engajadas na Guerra Fria.

      Se ele lesse ceticismo.net e as publicações indexadas que referenciamos, ele não diria tamanha bobagem.

      Mimimi patentes mimimi fraude mas n]ão posso provar mimimi nã tenho nenhuma publicação decente a esse respeito mimimi

      O imbecil disse que não existe camada de ozônio. Fim!

      Nileide Andrade disse:
      maio 25, 2012 às 8:27 pm
      Assisti e como professora de Química achei muito interessante e sua fundamentação

      NO CU que ela é professora de Química. No máximo deve ser pedagoga dando aula de ciência, quando devia se manter longe de qualquer escola.

      A propósito, que site merda! Os mantenedores devem ser daquele pessoal de “jornalismo” da UERJ.

      1. @André, infelizmente não se tem o hábito de se transcrever entrevistas ou debates por aqui, então o que encontramos são esses resumos em sites de segunda nas esquinas na internet.

  2. É certo que estamos mudando o planeta, mas pensem bem: Qualquer espécie viva no planeta faz o possível para garantir sua sobrevivência, espalhar seus descendentes, eliminar a concorrência por recursos, etc. De certo modo, estamos fazendo exatamente o que os nossos genes nos mandam fazer. Estamos alterando o planeta da mesma maneira que um meteoro gigantesco, um terremoto global, uma alteração do eixo de rotação, uma explosão solar, etc. Estamos criando um novo mundo, que não sabemos como vai ser, nem se vamos sobreviver nele.
    Podemos diminuir o quanto modificamos do planeta, mas o efeito é mínimo, perto do que precisamos fazer ainda para melhorar a vida de milhões.
    O jeito é cada um se virar como pode, e começar a estocar alimentos, água e armas ( não tenho certeza qual será mais necessário) :lol:

  3. Muito interessante ver como nossa espécie em um período tão curto conseguiu impactar significativamente o planeta. Os resultados disso, nos próximos 250 anos, não teremos a sorte ou azar de presenciar.

    O que acho engraçado é dizerem que o nosso planeta está em perigo. Nossa espécie que pode estar se autodestruindo e junto levando outras consigo, mas nosso planeta já passou por momentos piores e hoje está aí para nos contar sua história.

    O vídeo é muito legal, a voz da narradora parece com a da narradora da animação inicial do UnrealTournament!

    André, você sabe de algum artigo sobre o impacto antropogênico na extinção de espécies? Porque vejo muitos criticando que acabamos com várias espécies, e estamos caminhando para a extinção de várias outras, mas gostaria de ver uma análise sobre o fato e uma comparação com outras espécies do passado que talvez tivessem o mesmo comportamento de extinguir outras espécies, não necessáriamente concorrentes. Porque ficam algumas dúvidas: por sermos a única espécie que tem uma visão macro do planeta, e detentora de conhecimento, a responsabilidade recaí sobre nós de cuidarmos das outras espécies? Ou isso é apenas algo intrínseco da sociedade ocidental judaico-cristã devido ao mito de criação bíblico? E nosso impacto sobre o futuro evolutivo dessas espécies, elas evoluirão de que forma, sendo que pretendemos preservar seu status quo?

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