
Ontem teve arranca-rabo no Jantar dos Correspondentes e… bem, minha vida não alterou em nada. Não dei a mínima. Talvez maus artigos não mudem em nada a vida de vocês, mas algumas das histórias são bem divertidas e informativas.

Ontem teve arranca-rabo no Jantar dos Correspondentes e… bem, minha vida não alterou em nada. Não dei a mínima. Talvez maus artigos não mudem em nada a vida de vocês, mas algumas das histórias são bem divertidas e informativas.

A humanidade enviou ao Espaço Interestelar uma sonda lançada quando Jimmy Carter era presidente dos Estados Unidos, o Brasil vivia sob ditadura militar e Guerra nas Estrelas (Fuck you e seu “Star Wars”) tinha acabado de estrear nos cinemas, e agora, quase meio século depois, os engenheiros da NASA precisam fazer exatamente o que qualquer pessoa faz quando o carregador do celular está sobrecarregado: desligar algumas coisas para economizar energia.
A Voyager 1, o objeto mais distante já construído pelo ser humano, está a cerca de 25 bilhões de quilômetros da Terra, ou seja, 170 vezes a distância da Terra ao Sol (chamamos isso de UA, Unidade Astronômica). E ainda assim, essa relíquia dos anos 1970 cruza a Fronteira Final com a dignidade de quem sobreviveu a tudo, mas depende de uma fonte de energia que perde cerca de quatro watts por ano. Para quem não tem noção do que isso significa: é como se, a cada doze meses, você perdesse a capacidade de acender uma lâmpada de pisca-pisca de Natal. Continuar lendo “A sonda poupando energia para continuar viajando audaciosamente”

Existe um clube extremamente exclusivo dentro da tabela periódica. Não é o dos elementos radioativos, que pelo menos têm a decência de aparecer em quantidade suficiente para causar preocupação. Também não é o dos gases nobres, que basicamente vivem de esnobar qualquer tentativa de interação química. É um grupo bem mais ingrato: os chamados p-núcleos.
Estamos falando de cerca de 35 isótopos ricos em prótons que são, ao mesmo tempo, mais pesados que o ferro e absurdamente raros. Tão raros que, durante décadas, a Ciência simplesmente não sabia explicar de onde eles vinham. Não era falta de interesse, e sim falta de pista mesmo. Agora, pela primeira vez, pesquisadores conseguiram reproduzir em laboratório uma das reações nucleares responsáveis pela formação do mais leve desses elementos, o selênio-74. A boa notícia é essa. A má notícia é a clássica: entender um pedaço do problema só deixou mais evidente o tamanho do resto. Continuar lendo “O que o Universo demorou bilhões de anos, cientistas fizeram no laboratório facilmente mais uma vez”

Enquanto o mundo está o mesmo de sempre com arranca-rabo de todo lado eleições com novos parasitas mantendo as mesmas políticas de sempre e um festival de inutilidades postadas nos jornais, vocês devem me agradecer por trazer coisas que realmente importam,e elas estão aqui, nos artigos da semana:

Se você cresceu achando que ir à Lua era basicamente “apontar o foguete e acelerar até chegar”, a NASA tem uma notícia ligeiramente desconcertante: nos anos 60, era quase isso mesmo. O programa Apollo, aquele monumento tecnológico erguido no meio da Guerra Fria, operava na base do que engenheiros chamam, com admirável eufemismo, de “brutalidade elegante”: gastar uma quantidade obscena de energia para resolver o problema rápido. O foguete Saturno V tinha a mesma sutileza filosófica de um rinoceronte em choque com um muro, mas chegava lá. Mais de meio século depois, a NASA olha para o mesmo destino e decide fazer algo que soa quase ofensivo para o espírito apressado do século XXI: dar uma volta maior, mais lenta, mais calculada. E não, isso não é regressão, é sofisticação; e a diferença entre as duas abordagens se esconde num detalhe que a maioria das pessoas nunca percebe no telão da transmissão ao vivo: o caminho. Continuar lendo “A vez da irmã mais nova visitar a Lua”

Eu vi uma foto da Mari hoje e fiquei com inveja. Inveja da noite escura, de poder ver as estrelas. Ela consegue ver um mundaréu de estrelas e eu, por morar em capital, só consigo ver algumas, e isso é muito, muito ruim. Os astronautas como os da Estação Espacial Internacional veem nosso planeta à noite, uma esfera azul e silenciosa pontilhada de luzes. É belo, poético e, se você prestar atenção, ligeiramente alarmante. Aquelas luzes não estão diminuindo. Estão crescendo. E um novo estudo confirmou, com a mais detalhada análise de satélites já feita, que o planeta está ficando progressivamente mais brilhante durante a noite, embora não de forma uniforme, e não pelos motivos que você talvez imaginasse. Continuar lendo “A Terra não dorme mais e os satélites estão de prova”

No domingo (08/03) à tarde, enquanto boa parte da Europa estava tranquilamente de pantufas e ocupada arranjando um motivo para não entrar em guerra com o Irã, um objeto de alguns metros de diâmetro cruzou o céu. Geral ficou com o símbolo do cobre na mão, e se você acha que eu escrevi isso porque tenho medinho de escrever cu, errou redondamente, tão redondo quanto o seu cu. Quer dizer, acho que ele é assim, não sei, não me interessa.
O que me interessa mesmo é que um pedregulhão espacial, com bilhões de anos de estrada acumulados, muita milhagem a ponto de estar em sala VIP de Guarulhos (que merda, eu sei) e absolutamente nenhum interesse em geopolítica, decidiu que Koblenz, cidade simpática no estado alemão da Renânia-Palatinado, seria um destino razoável. O Cosmos, como de costume, não consultou ninguém. Continuar lendo “Confundiram um pedregulho voador com um míssil”

Existe um prazer perverso em descobrir que você estava errado sobre algo durante décadas. É como encontrar dinheiro no bolso de uma calça velha, só que em vez de dinheiro são dados de radar coletados há mais de 30 anos. E é exatamente isso que aconteceu com Vênus, nosso vizinho infernal que insiste em nos surpreender mesmo depois de tanto tempo sendo ignorado como um caso perdido de planeta geologicamente morto.
Um grupo de cientistas italianos da Universidade de Trento acaba de anunciar que identificou o que aparenta ser apenas o segundo tubo de lava já relatado em Vênus, uma estrutura subterrânea gigantesca esculpida por atividade vulcânica que pode se estender por dezenas de quilômetros sob a superfície do planeta. Continuar lendo “Os túneis secretos de Vênus”

O mundo está tenso. A ameaça nuclear paira como uma nuvem espessa e terrível. O medo é uma constante, a tensão é de cortar de faca. Em meio a esse clima de aterrorizante, um engenheiro da NASA está monitorando a missão mais delicada já realizada pela humanidade, quando de repente um dos astronautas avisa pelo rádio que avistou um objeto não identificado em órbita polar. Seu coração acelera. A Guerra Fria está no auge. Os russos poderiam estar fazendo qualquer coisa lá em cima. O engenheiro prende a respiração, esperando mais detalhes, e então… começa a soar “Jingle Bells” numa gaita.
Parabéns, esta foi a Pegadinha do Espaço. Continuar lendo “Quando um OVNI tocou Jingle Bells”

Em 2 de dezembro de 1995, a ESA e a NASA lançaram o Solar and Heliospheric Observatory, o SOHO para os íntimos, com a modesta ambição de observar o Sol por dois anos. A ideia era posicionar o satélite a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, num ponto privilegiado entre nosso planeta e o astro-rei, e deixá-lo espiar a estrela sem interrupções. O que os engenheiros não esperavam é que esse observador solar se tornaria o satélite mais teimoso da história espacial, recusando-se terminantemente a se aposentar mesmo três décadas depois. Continuar lendo “SOHO: 30 anos bisbilhotando o Sol e sobrevivendo a tudo que deu errado”