A história da censura carola no cinema e TV parte 1

O Código Hays

Eu já falei várias vezes como o PG-13 dificulta e muito contar boas histórias. O que não falei é o porquê da existência do PG-13 e de onde ele foi chocado. Vocês irão adorar a resposta, apesar de não tanto o que isso significa, e suas origens não são lá muito recentes.

As bases do PG-13 estão puramente baseadas no puro puritanismo das instituições metidas a puras, em que tinha sido infectado pela presença de líderes religiosos não muito puros. E esse movimento puritano começou quando uma mídia inovadora estava se alastrando e ficando mais acessível à população comum: o cinema.

O cinema começou como uma curiosidade. Depois, um passatempo, até chegar num business model de sucesso. Em 28 de dezembro de 1895, Louis e August Lumière realizaram sua primeira exibição pública de filmes em que a admissão foi cobrada, no salão parisiense Indien du Grand Café. Em pouco tempo, ele já estava dando lucro aos exibidores, mas a Sétima Arte ainda não era vista como “arte”. Em 1915, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o filmes não tinham direito à proteção legal como liberdade de expressão. O estado de Ohio havia aprovado um decreto autorizando um conselho de censura que poderia aprovar ou rejeitar qualquer filme que desejasse ser exibido no estado. A Mutual Film Corporation, um distribuidor de filmes, entrou com um processo alegando que a lei de Ohio violava a Primeira Emenda.

O processo ficou rolando a passo de tartaruga e, enquanto isso, os filmes ficaram sob o controle de censores locais, estaduais e internos por décadas. A decisão finalmente foi revertida em 1952, quando um curta italiano chamado “Sacrilégio” deu a Hollywood os direitos da Primeira Emenda, mas seriam décadas depois. Muita coisa ia acontecer primeiro.

O escândalo que o cinema causou em seus primórdios viria a mostrar o horror da lascívia, da safardanagem, da pornografia ganha a Grande Tela com o filme O Beijo, de 1896. Era um curta com uma cena de beijo que durou escandalosos 18 segundos.


Tirem as crianças da sala!

A moral e bons costumes estavam indo pro ralo, mas não importa. O cinema veio e estava movimentando muito dinheiro! As produções começaram a se diversificar e o que mais rendia eram os filmes de temática religiosa (sim, havia filmes pornográficos, também, mas preferem não tocar neste assunto porque ninguém fazia esta contabilidade), como o grande Rei dos Reis, de Cecil B. deMille, em 1927. Não confundir com o filme homônimo de 1961, com o Capitão Pike no papel-título.

Os maiores estúdios de Hollywood (Paramount Pictures, 20th Century Fox, Loews, Universal Pictures e United Artists) formaram a Motion Picture Producers and Distributors of America (MPPDA), em 1922. Warner Bros, Columbia Pictures e Metro-Goldwyn-Mayer (daqui por diante chamada MGM) se juntaram nos anos subsequentes. Depois, esta organização ficou conhecida como Motion Picture Association of America (MPAA). Em 1930, por causa das pressões religiosas, e temendo que o cinema caísse na mão de gente impura, incrédula ou que não fosse com a cara de religiosos, a MPPDA nomeou como seu presidente o pastor, advogado e político presbiteriano William Harrison Hays, e ele criou o Motion Picture Production Code, que ficou mais conhecido como Código Hays (que você pode baixar AQUI), um código de autocensura, em que os próprios estúdios fiscalizavam uns aos outros, impedindo quem mijasse fora do penico de colocar suas produções na Grande Tela. Algo parecido com o nosso CONAR de hoje.

De acordo com o próprio Hays:

O código estabelece altos padrões de performances para que os produtores de filmes que afirmam que as considerações nas quais o bom gosto e o valor da comunidade tornam necessário nesta forma Universal de entretenimento respeito à lei, respeito por cada religião, respeito por cada raça e respeito por cada nação.

E aqui começa o festival de insânia. O código estabelecia dois critérios: O “Não Pode” e o “Fica esperto que eu tô de olho”.

Resumo do que não podia de jeito nenhum:

Profanidade – Palavras como “Deus”, “Senhor”, “Jesus” ou “Cristo” só poderiam se estivesse no contexto de cerimônias religiosas, fora isso, nunca! “Inferno”, expressões profanas ou vulgares, nem pensar. Foi daí que veio a expressão “What the Heck”, com “Heck” no lugar de “Hell”. Em português, é o mesmo que trocar “Diabo” por “Diacho”.

Nudez – Também não podia, nem mesmo insinuada.

Tráfico de drogas – Em nenhuma circunstância. Criminosos nos filmes iam para assaltos, assassinatos talvez.

Perversões sexuais – Não podia, nem mesmo insinuada. Nada de pedofilia, homossexualismo (masculino ou feminino), BDSM ou coisas do tipo.

Escravidão de brancos – Não, claro que não podia. De negros podia, mas convenhamos: em caso contrário seria fingir que escravatura não existiu. Só não precisava ser que nem o Canção do Sul, né, Disney?

Miscigenação – Brancos e negros eram separados, obviamente; ainda mais que a lei proibindo casamento multirracial só caiu na década de 1970.

Higiene sexual e doenças venéreas – Eu acho que ninguém iria querer fazer filme com isso, mas vai saber o que se passava na mente dos diretores.

Cenas de parto – Nem mesmo insinuadas. O bebê simplesmente aparecia. Ploft!

Órgãos sexuais de crianças – Também, né? De novo, vai se saber o que se passava na mente daqueles pervertidos de Hollywood.

Ridicularização do clero – Jamais! Seja de qual religião for. Por isso, os filmes bíblicos não levavam em conta o Evangelho de João e os sacerdotes fariseus nunca eram os vilões. Só os romanos. Clérigos não podiam ser mote para fins de comédia ou representados como vilões ou pessoas desagradáveis. Até mesmo filmes como Os Três Mosqueteiros tiveram que ter licença poética, já que o principal vilão da obra original era o Cardeal Richelieu (por sinal, uma figura histórica).

Ofensa deliberada a qualquer nação, raça ou credo.

Diabo – Mencionar o Tinhoso nunca pôde. Não por acaso, obras como Doutor Fausto, de Goethe, não chamam o Diabo de Diabo. Deus não era Deus. Mas se fossem filmes religiosos, Deus, Senhor e Jesus estavam liberados, mas nada de Satã.

Já na categoria “eu tô de olho”

Uso da bandeira – Tem que ser com respeito, obviamente.

Relações internacionais — Evitar mostrar de maneira desfavorável a religião, a história, as instituições, os líderes de outro país. Sim, mesmo nazistas.

Incêndio criminoso – Podia ter a cena do incêndio, mas não como foi feito para não dar “ideias” a um bando de idiotas que resolvessem tentar.

Armas de fogo – Podia ter, mas não apontar. Tiros de forma genérica, mostrando a pessoa apontando para algum lugar que sabe ser uma pessoa, mas sem a câmera enquadrar.

Assaltos em geral – Roubo, assalto, arrombamento de cofres e explosão de trens, minas, prédios etc. Podia ter, para fins de história. Entretanto, tendo em mente o efeito que uma descrição muito detalhada destes crimes podia ter sobre os idiotas, jamais eram descritos em detalhes. Estava no mesmo critério dos incêndios criminosos.

Brutalidade e o macabro – Filmes de terror eram mais psicológicos, não mostrando violência gráfica. Monstros podia ter. Anos mais tarde alguém teria que rebolar para conseguir isso: Sam Raimi no filme do Dr. Estranho.

Assassinato – Nada de violência gráfica. Sim, óbvio que em filmes policiais e coisas do gênero fatalmente iria ter algum assassinato. Não podia mostrar o ato em si, nada de mostrar técnicas de como matar alguém por qualquer método. Só podia aparecer o morto e os investigadores continuavam dali.

Contrabando – Ok, vai ter contrabando (não de drogas), mas sem dizer como foi feito. Não sei, mas acho que eles achavam que criminosos iam no cinema para terem inspiração.

Tortura – Só aparecer o torturado (sem exagero na maquiagem), mas o processo da tortura em si não podia. Não, nem Jesus. O chicote come sem mostrar ele acertando a carne, e no caso de Rei dos Reis, sequer tem essa parte.

Execução de criminosos – Pena de morte existia, claro, e todo mundo sabia. Cenas de enforcamento ou eletrocussão não podia aparecer na tela. O filme até podia ter a cena, mas não podia mostrar explicitamente.

Simpatia por criminosos – Nada de amor bandido. Bandidos nunca eram bem-vistos, não poderiam ser bem-vistos! Robin Hood era mostrado como alguém lutando contra o temível Xerife de Nothingam, mas sem a parte de roubar pessoas.

Desafio a pessoas e instituições públicas – Isso é coisa de bandido. Ok, vai realmente ter a cena, mas o bandido sempre se ferra no final, lembrem-se.

Crueldade com crianças e animais – Nada de fazer mal aos doguinhos!

Marcar com ferro pessoas ou animais – Em filmes de cowboy até poderia ser necessário no roteiro, mas não imprescindível. Melhor não ter.

Venda de mulheres ou venda de sua virtude por uma mulher – Nada de prostituição. Tudo bem que A Dama das Camélias é sobre uma garota que vira prostituta, mas sem a parte de mostrá-la se prostituindo. Não por acaso, o termo “cortesã” ficou muito em voga e ainda hoje algumas pessoas fazem regressão e acham que foram cortesãs, como se fosse algum tipo de socialite. Não que algumas não fossem, mas no final das contas eram putas, mesmo.

Estupro ou tentativa de estupro – Podia ser necessário à história, mas nunca efetivamente mostrado. Só insinuado, e com cuidado.

Consumação do casamento – Marido e esposa vão para o quarto, fecha a porta e corta pra cena no dia seguinte. Só isso.

Homem e mulher juntos na cama – Normalmente era evitado. Daqui a pouco falarei sobre isso.

Sedução deliberada de/por garotas – Insinuado? Discutível. Ficaria a critério do censor. Melhor evitar.

A instituição do casamento – Nada de divórcio pelo divórcio. O casamento é sagrado, você sabe.

Operações cirúrgicas – Mencionado, nunca mostrado.

Uso de drogas – Filmes como O Homem do Braço de Ouro só puderam ser rodados quando o Código Hays estava prestes a ser extinto.

Policiamento e policiais – Em nenhuma forma retratados como corruptos ou incompetentes. Só depois que saíam da polícia que viravam degenerados.

Beijos – Nunca por tempo excessivo, isto é, eles não poderiam durar mais de 3 segundos. Sim, cronometravam. E nunca, jamais e em tempo algum se podia beijar criminosos.

Vislumbre de seios e órgãos sexuais? Só se você estiver de brincadeira, né? Não era permitido roupas transparentes ou insinuantes. Nenhuma menção a jogos de azar, bebida alcoólica e nem metralhadoras Thompson (as “Tommy gun”), que apesar de terem sido usadas pelo exército americano na Segunda Guerra Mundial, eram associadas a gangsteres nas décadas de 20 e 30. Com isso, raramente elas apareciam em filmes de guerra, e só apareceram quando o Código Hays estava no seu ocaso.

Facas e demais instrumentos perfuro-cortantes podiam, mas não podia ser mostradas sendo usadas para fins de agressão; no máximo em filmes de capa e espada por motivos óbvios, né? Ainda assim, não era violência gráfica. Também era terminantemente proibido produções mostrando qualquer armamento proibido na época na posse de criminosos, já que, nos filmes, criminosos deviam obedecer às leis e usarem apenas armas permitidas.

Você já ouviu falar que há (ou havia) uma lei que impedia que bandidos sempre se dessem bem nos filmes. Não era uma lei propriamente dita, era o Código Hays. Para evitar terem uma conversinha com os censores, pessoal preferia se limitar nesse quesito. Assassinatos nunca podiam ser mostrados em detalhes, e nunca um oficial da lei poderia ser morto. Sim, os 5928 tiros dos bandidos no máximo podiam acertar o braço e a perna, nunca matar! Já o mocinho podia acertar o bandido a uma distância de 5400 metros, com um revolvinho .22 (sem sangue).

Outra parte interessante era na hora de mostrar marido e mulher juntos. Daí era muito comum eles estarem no quarto, mas em camas separadas, evitando encherem o saco, o tipo de coisa que a série Wandavision mostrou, digo, debochou.

Alguns acharam esse listão um absurdo, como o próprio deMille, um cristão devoto, mas que achou que arte não deveria se curvar para lideranças religiosas. Assim, em The Sign of the Cross (O Sinal da Cruz), de 1932, deMille provoca geral. Mulheres seminuas e com insinuação de lesbianismo, profanidade contra cristãos (afinal, estava falando dos mártires, né?), morte na arena por leões etc. Mas o que mais deixou os censores irritados foi a chamada “dança lésbica”, em que Ancaria (interpretada por Joyzelle Joyner) tenta seduzir Mércia (Elissa Landi) com uma dança lasciva, exagerada, mas sem efetivamente ser obscena; só que os censores não quiseram saber. Eles exigiram que a cena fosse retirada do filme, mas DeMille bateu o pé e disse que não ia tirar, pois era exatamente o que ele queria mostrar: a decadência de um governo totalitário em contraparte os cristãos firmes e resilientes. Até hoje se discute ser isso era uma metáfora pros EUA de sua época, mas com certeza pode-se afirmar que Cecil Ainda se mantinha um cristão devoto.

O filme conseguiu passar, mas unicamente porque ficava fortemente do lado dos cristãos, embora a MPAA não fosse deixar isso se tornar comum daí para a frente. O Código Hays ainda estava na infância e a mão ia pesar dali por diante.

Sobre a parte de profanidade, a MGM pagou uma multinha gostosa por uma palavrinha na cena final:

Esse “damn” custou caro à MGM mas no final das contas saiu barato pelo sucesso do filme, lançado em 1934.

Na parte da nudez, tem o caso de Psicose, de Hitchcock, lançado em 1960. Alfred teve sérios problemas com censores porque a cena em que Marion Crane é assassinada, ela está no chuveiro. Em nenhum momento é mostrada que estava pelada, mas, sacumé, todo mundo sabe que está pelada, e o Código Hays previa que mesmo insinuada, a nudez era proibida.

Outro problema da cena era o sangue, mas Hitchcock resolveu esse problema de maneira simples e por dois motivos. A solução encontrada por ele foi fazer o filme em preto-e-branco. O sangue efetivamente não sai de Marion, você apenas sabe que sai. Ele escorre pelo chão e vai pro ralo, mas nunca a mostra ensanguentada. O fato de a película ser em preto-e-branco também não mostra ostensivamente o sangue já que ele não é vermelho por motivos óbvios. Assim, o sangue era sangue, mas não parecia sangue apesar de todo mundo saber que é sangue.

O segundo motivo é que filmar em preto-e-branco saía mais barato e o filme custou menos de um milhão de dólares. O artifício do sangue-que-não-parece-sangue-mas-é-sangue foi usado pelo Raimi no filme do Dr. Estranho no Multiverso da Loucura: Wanda está com a cara suja de sangue, mas não se sabe se é sangue mesmo, já que nem cor de sangue tem direito. Mas todo mundo sabe que é sangue… ou será óleo espirrado dos robôs?

Alguns artistas eram terminantemente contra o Código Hays, a ponto da provocação não parar. Um dos mais ousados (para a época) fotógrafos, foi Adolph L. Schafer, também conhecido como “Whitey” (branquelo) Shafer. Shafer era um fotógrafo de celebridades e de pinups. Uma das suas mais famosas composições foi intitulada Thou Shall Not (Você Não Deverá), foto montada em estúdio em 1940.

É um maravilhoso combo: Mostrou meia-calça, insinuação de jogos de azar (cartas de baralho), bebida alcoólica, arma apontada, metralhadora Tommy, homem morto, o homem é um policial tombado, loira mostrando parte do seio apontando arma, uma seringa com heroína, sangue escorrendo, loira bebendo usando uma camisola semi-transparente. Cigarro pode.

Nesse ínterim, começou a haver uma coisa… peculiar. Os grandes estúdios possuíam suas próprias cadeias de cinema para onde enviavam seus filmes completos (sem cortes) para exibição, e obviamente, a rede de cinemas da Paramount não passava filmes da Columbia Pictures, que não passava filmes da MGM e assim por diante. Além disso, tinha cinemas que não pertenciam a nenhum estúdio. A PCA (Production Code Administration, quem cuidava da censura) impedia os filmes que não estavam de acordo com o Código Hays de serem exibidos nos cinemas convencionais. Não esqueçam que a MPPDA era composta por gente de cada um dos principais estúdios. Preciso continuar? Sim, era um puxando o tapete do outro, enquanto passavam os próprios filmes em seus cinemas. Os produtores que não eram ligados aos grandes estúdios estavam ferrados!

Ah, sim. Claro que alguém com o filme vetado podia recorrer da decisão. Afinal, os EUA é um país livre. Não é preciso ser gênio para saber que raramente conseguiam derrubar o veto, só uns poucos para não dizerem “aqui a gente veta geral, tá ligado?”.

O Código Hays foi outro responsável por um BOOM em Hollywood: Os musicais. Digo um dos por um motivo simples: era uma época diferente da de hoje. Os estúdios tinham que soltar filmes novos o mais rápido possível; caso contrário, ficariam para trás. Os redatores não tinham tempo para escrever roteiros, o trabalho era insano! Assim, os roteiros passaram a ser mais simples, com números musicais para ocupar espaço. Era mais fácil escrever as músicas (algumas nem letra tinham) e soltar na mão dos coreógrafos, ou mesmo os artistas, como Fred Astaire e Gene Kelly, que praticamente criavam na hora os passos de dança. Não apenas isso, musicais assim eram bobos e não passavam muito tempo sendo examinados pelos censores para saber se estavam de acordo com o Código Hays.

Hoje, Bollywood também enche seus filmes com videoclipes, mas o motivo é outro: indianos ADORAM música!

No caso de séries e filmes de super-heróis, o Código Hays foi implacável. Um exemplo é a série Batman, produzido em 1943 pela Columbia Pictures (DC ainda não pertencia à Warner). Nele, o Cruzado Embuçado não era um vigilante. Seria inaceitável alguém caçar criminosos à margem da Lei. Com isso, fizeram do Batman um agente secreto do governo. Outro ponto a ser notado é que a série corria em plena Segunda Guerra Mundial e o vilão principal era um agente do Imperador Hiroito: o Dr. Daka, um japonês malvado (interpretado por J. Carrol Naish, que não era nem tinha feição asiática). Ainda assim, o Batman não demonstrava se opor a ele por causa da sua etnia nem havia comentários racistas por parte do herói. O Código Hays não permitia, independente do que as propagandas de guerra dissessem.

Em 1952, vai ao ar As Aventuras do Super-Homem, com George Reeves. O IMDB aponta como erro que, na sequência de abertura da série, o revólver que é mostrado enquanto o narrador diz “mais rápido que uma bala”, na verdade, está vazio, só que não é um erro. É o capítulo do Código Hays falando sobre armas.

Ambas as séries tinham roteiros na verdade simples. Tentativa de dominar o mundo etc. O Super-Homem corria atrás de bandidos comuns e, claro, seguia o principal mote: Luta pela Verdade, Justiça e o modo de vida americano (Truth, Justice and American Way). Mesmo porque, outra coisa começaria a influenciar ali: o Comics Code Authority, sobre o qual falarei no artigo seguinte a esse.

De qualquer forma, o Código Hays ficou com os dias contados a partir de 1952, quando os filmes finalmente receberam proteção de liberdade de expressão sob a Primeira Emenda. A indústria cinematográfica abandonou oficialmente o Código Hays em 1968 e logo o substituiu pelo sistema de classificação por idade que ainda existe hoje, tendo a MPPDA mudado de nome para MPAA.

Os filmes começaram a ficar mais adultos, as produções melhoraram, as histórias puderam ser mais bem contadas, e isso sem a sombra da censura cortante dos movimentos religiosos. Os filmes passaram a vistos como forma de expressão, cuja única limitação seria quem teria permissão para assistir. A censura não era em cima do estúdio, e sim em quem poderia ir ver. Isso será visto na parte 3 desta série.

Porque, tão pernicioso quanto o código Hays, foi o Comics Code Authority.

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