Cigarro eletrônico faz mal à saúde, mesmo os que não têm nicotina

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A nicotina é uma das mais poderosas drogas que temos em termos de poder viciante. É mais forte que a cocaína, o álcool e a maconha[1] [2]. Por mim, podia proibir tudo. Se não estão proibindo definitivamente o cigarro, no Brasil, estão limitando ao máximo. Não pode em locais fechados, restaurantes, bares, cinemas e nem na minha casa. Um dos motivos será visto mais à frente.

A indústria não perde tempo, e qualquer ação é o início de alguma oportunidade para lucrar. Foi assim que surgiu o cigarro eletrônico, com a promessa de ser mais "saudável" que o cigarro comum. Mas entre o Marketing e a saúde do consumidor fina existe a Ciência, e ela diz que não é bem assim que a banda toca.

Credita-se a Herbert A. Gilbert a invenção do primeiro dispositivo a simular o cigarro sem tabaco e/ou fumaça. A patente foi concedida em 1965[3], e descreve um sistema para dar de presente ao seu usuário uma certa quantidade de nicotina, substituindo o letal cilindro branco por um dispositivo que tem, em seu lugar, ar úmido aquecido, com sabor e aroma, ou ainda com a inalação de medicamento quente para dentro dos pulmões, em caso de uma doença respiratória sob supervisão médica.

Fica difícil saber se Gilbert realmente achou que médicos iriam usar seu dispositivo para mandar medicamentos para dentro do paciente, a fim de lhe curar doenças respiratórias, ou era apenas um migué para dar um uso consciente e responsável.

Em 2003, o farmacêutico chinês Hon Lik patenteou o que viria ser o cigarro eletrônico moderno[4], que faz uso de um sistema que funciona como um emissor de ultra-som piezoelétrico que vaporiza um jato pressurizado de uma mistura líquida que contém nicotina. Essa nicotina vai pros pulmões e pronto, a pessoa fica feliz.

Mas por quê?

Os neurônios se ligam mais com nicotina, que age feito periguete e se atraca com o primeiro que vê. O neurônio se apaixona e pronto, ferrou a vida do cara. A nicotina se liga bem no centro que integra as sensações de prazer do cérebro, o chamado "Centro da Busca". Esse centro é responsável por induzir alterações comportamentais com a intenção de nos obrigar a repetir ações que anteriormente nos trouxeram prazer: sexo, comida, temperatura agradável para o corpo, etc.

O problema é que, assim como o meu salário, mal a nicotina chega ela já é eliminada pelo organismo. Assim, o viciado na periguete, digo, na nicotina (tem que falar "dependente", né? É mais bonitinho) precisa mais e mais da mardita. O cigarro, como é inalante, manda a nicotina e umas trocentas substâncias cancerígenas direto pro sistema nervoso central, e, por isso, seu efeito é imediato e a pessoa perde toda a ansiedade. E isso vale para qualquer tipo de ansiedade, já que o cérebro é meio burro neste sentido e não difere ansiedade causada por fatores externos da ansiedade causada por falta do seu estimulantezinho nas áreas de prazer. Em outras palavras, não é o cigarro que acalma. O cerebrão bugado que arruma motivo pra se envenenar.

Ficando sem fumar, o dependente passa por MUITOS mal bocados, por causa exatamente do poder viciante da nicotina. Com uns 6 meses, ele até consegue suportar mais, mas não fica livre. De acordo com meu neurologista de plantão, que eu chamo de "neuro-geólogo", já que ele cuida do pessoal que tem pedras na cabeça, diz que mesmo longe da nicotina, não fica livre do vício.

Qualquer coisa que afete ação de neurotransmissores e receptores, ativa trechos do DNA e síntese proteica; vários fatores entrarão em conta. Há ainda o problema das vias neurais formadas e áreas específicas "viciarem" mais facilmente do que outras. Não há um padrão e depende da substância/atividade, mas costuma haver predisposição para compulsão, muitas vezes só muda o foco. No caso das substâncias inalantes, como é o caso da nicotina, só estar perto de um outro fumante já ganha sua substânciazinha que ativará o sistema de recompensa. Acontece com o álcool, também, mas como este ainda tem um caminho mais longo a percorrer até chegar no cérebro nosso de cada dia, não é tão forte quanto a nicotina. Por causa disso, criaram os adesivos de nicotina, de forma a sua pele absorver lentamente determinada quantidade de nicotina e, coo tempo, você ir reduzindo,. Outra invenção para isso, foi exatamente o cigarro eletrônico.

O cigarro eletrônico, e-cigarros, e-cigarrette ou e-cig basicamente contém, basicamente, propilenoglicol, glicerina, água, nicotina e flavorizantes, mas é proibido no Brasil, por determinação da ANVISA, mediante resolução RDC nº 46 de 28 de agosto de 2009, que "proíbe a comercialização, importação e propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarro eletrônico"[PDF]

As desculpas pela liberação do cigarro eletrônico são as mais bizarras: Não causa envelhecimento da pele, não promove risco de incêndio, não polui o meio ambiente com bitucas e pode ser usado por crianças, já que auxilia na prevenção de gripes e aumenta a imunidade contra bactérias.

Repetindo: cigarro eletrônico tem um dos alcaloides mais viciantes, e pode ser usado por crianças, pois mata bactérias. Aham!

Nos Estados Unidos, apenas alguns estados proíbem a comercialização desses dispositivos, enquanto outros estados legalizaram a venda e alguns brecaram apenas que menores pudessem consumi-los, mas como temos uma coisa chamada "Internet", isso não quer dizer muita coisa. Compra-se maconha, cocaína, crack etc. Creio que comprar cigarrinho eletrônico, mesmo que careta, seja tão fácil ou mais.

Uma pesquisa do Centro de Controle de Doenças de Atlanta, EUA, o CDC, relata que o uso dos e-cigarretes triplicou entre jovens e adolescentes. E isso, em apenas UM ANO![5] De 2011 a 2014, a percentagem de estudantes do ensino médio que fumavam cigarros tradicionais caiu substancialmente, de 16 para 9%, e o uso de charutos e cachimbos também diminuiu. A pesquisa sugere que isso foi devido à migração para os cigarros eletrônicos como forma de parar de fumar, mas sabemos que não é só por causa disso e sim a ideia idiota que "nhé, isso não faz mal, então pode, né?".

Em 2014, o Ministério da Saúde do Reino Unido já aventava proibir a venda de e-cigarretes para menores de 18 anos, mas mantendo normal a venda para pessoas maiores. Em 2016 planejam classificá-lo como tratamento médico[6]. Dados mostram que o uso entre adultos não para de crescer por lá[7]. Na China, a prática é legalizada, mas os preços cobrados pelos cigarros comuns são muito mais baixos. Em Portugal, O Ministério da Saúde quer proibir o uso de e-cigarros com nicotina (isto é, praticamente todos), em espaços públicos fechados.[8] Como estamos no Brasil, proibições são mero detalhes. Pode-se muito bem comprar cigarros eletrônicos nas capitais.[9]

E se você pensa "meh, não dá câncer de pulmão, então tá sussa", tenho más notícias para você.

Pesquisa publicada no American Journal of Physiology mostra que a nicotina em qualquer forma é prejudicial aos pulmões e que mesmo os e-cigarrettes sem nicotina não fazem nada bem. Ou você realmente acreditou naquela conversa mole que "lhe previne contra bactérias"? Capaz de ter acreditado, sim. Ainda tem gente até hoje achando que cigarros convencionais não fazem mal, porque o tio Aristóbolo fumou até os 80 anos.

A perda de integridade nas células que revestem os pulmão causam lesões pulmonares e inflamação. Não se sabe, contudo, qual é o composto exato que causa isso, se a nicotina, os flavorizantes ou uma mistura de tudo (eu voto pela mistureba de substancias que estão ali). Dizer que glicerina não faz mal é apenas meia-verdade, e toda meia-verdade é acompanhada de meia-mentira.

Sabem a máquina de fazer fumaça? Ela não usa gelo seco, usa glicerina. Essa glicerina é aquecida, se transformando em acroleína, e é a acroleína que faz a fumaça. O problema é que esta porcaria fede horrores e, por isso, as máquinas de fumaça levam alguma essência para mascarar o cheiro. Entenderam porque o cigarro eletrônico leva flavorizantes?

A acroleína é muito tóxica por todas as vias de exposição, sendo um composto altamente reativo, causando reações cruzadas com sítios do DNA e inibindo a atividade de algumas enzimas, além de promover a supressão de defesas antibacterianas no pulmão, libera radical de oxigênio e reage com proteínas. Uma coisa linda para você ter dentro de si. Por isso, durante a fabricação de bebidas, ela é analisada e determinada até mesmo por HPLC.[10]

No caso dos cigarros eletrônicos, os pesquisadores expuseram ratos e células humanas a uma solução de fumaça de cigarro e e-cigarro, tanto os que contém nicotina quanto os que não contém.

Se cientista entendesse de alguma coisa, ao contrário do tio Aristóbolo, ficaria evidenciado os efeitos pulmonares deletérios que resultam na perda da função de barreira endotelial pulmonar, inflamação pulmonar aguda e diminuição da proliferação de células endoteliais de pulmão, com efeitos de curto prazo.

Claro, defensores do e-cigarro virão defender que não faz mal e tal. O que eu sei? Apenas um pouco de ciência e publicações indexadas. Não tenho numa chance de dialogar com pessoas tão bem embasadas quanto a sabedoria popular que coloca pasta de dente em queimaduras sérias.

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Sobre André Carvalho

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