Como é difícil ser cientista no Brasil…

Ser cientista não é pra fracos, ainda mais no Brasil, em que você não pode matar um leão por dia. Você é que é atacado pelo leão, nem que seja da Receita, principalmente na hora de receber doações, quando lhe pedem nota fiscal para saber quanto custou aquilo que você ganhou de graça.

Numa entrevista da revista época, a neurocientista Suzane Herculano-Houzel desabafa, mostrando como fazer ciência aqui não é pra qualquer um.

Eu não repetirei a entrevista aqui por pura preguiça. Leiam lá no site e depois voltem aqui. Ok, vocês foram rápido. Valeu.

O que Suzana contou não é mais novidade para quem tenta ser pesquisador no Brasil. Já começa que você não é pesquisador. Você é professor da Universidade, e se faz pesquisa é outra história. Verbas? Mas ela nunca é sua e se garfam os seus prêmios é porque vem em dinheiro e dinheiro é sempre bom. Não que vão usar para pagar faxineiros (sim, UFRJ, estou olhando pra você!)

Somos um país que odeia Ciência, somos um país que pesquisas são jogadas fora por causa de um freezer quebrado. Somos um país em que deputados querem que sejam retiradas de pauta acordos para o Brasil gastar dinheiro com pesquisa astronômica. Por que ciência é pra idiotas, pois temos muitas criancinhas passando fome. Tanta fome que o próprio deputado doou seu salário para uma instituição de caridade. SQN. Somos um país que não honramos nossos compromissos, passando vergonha internacionalmente.

Suzana criticou que a verba e o prêmio que recebera de origem internacional foi brecada na UFRJ, pois toda doação tem que ir parar neles, sem garantia que o objeto para o qual houve a doação receba. Vamos explicar. Suponha que você tenha ficado com pena do Museu Nacional ter aquele estado de penúria e fechou porque não tinha sequer faxineiros. Você faz um kickstarter, uma Vakinha, whatever para arrecadar dinheiro junto aos seus amigos, conhecidos e gente que tem apreço pelo Museu. Você consegue a grana e quer enviar ao Museu Nacional. Não pode! Tem que mandar para a UFRJ, que é quem administra o Museu. A UFRJ ficará comovida com o dinheiro, mas não dá NENHUMA garantia que o Museu vai receber e ela não se sente na obrigação de lhe dar satisfações ONDE o dinheiro doado foi empregado. PUF! Sumiu, desapareceu. Isso nem é de se surpreender, ainda mais que somos um país em que doações são taxadas pela Receita, que quer que você apresente a nota fiscal de compra de algo que você GANHOU de graça para poder tributar em cima.

Se cientista no Brasil, nas sábias palavras do Cardoso, é ser paraquedista de vulcão. Tem muita habilidade, admiramos a coragem, mas ainda assim é maluco. Eu já tive a minha cota, até entender como as coisas realmente funcionavam. Não, não é pra mim. Deixei o mundo acadêmico, deixei a pesquisa que tanto adorava, mas trabalhar com garrafas quebradas, reagentes vagabundos, falta de material e gente cobrando coisa maluca, porque você não pesquisa pra você e sim pro figurão que está acima de ti, para ele rechear o lattes e você ser um estagiário de luxo, muitas vezes sem remuneração ou ajuda de custo.

Meu carinho e meu apreço por você, Suzana, e toda sua equipe de pesquisa. Mas não é pra mim. Não tenho sua garra e sua tenacidade, preferi jogar a toalha. Nosso país paga "pesquisas" de cromoterapia, homeopatia pra vacas e outras besteiras. Não sobra dinheiro. A grana que se recebe financiam igrejas, ainda mais que elas estão isentas de todos os impostos. Temos departamentos que caçam UFOs, que aceitam palestras de criacionistas, que fazem de tudo para sabotar a Ciência. Por que, no final das contas, a verdadeira opinião do brasileiro é:


Fonte: Época, via @Cardoso

9 comentários em “Como é difícil ser cientista no Brasil…

  1. Primeiro o Cardoso contando sobre o supertelescópio e toda a burocracia brasileira. Agora você e toda essa história de Brasil odeia ciência.
    Não dá! O choque de realidade sofrido hoje foi muito grande! =/

  2. Tô dizendo… temos que fundar a Igreja da Ciência, pô!

    Com as isenções de impostos e todas as mamatas, podemos financiar contratar a Suzane e demais cientistas como nossos “pastores”.

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