Como ensinar Arqueologia e Paleontologia de forma atraente

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Ensinar é muito legal. Mais legal ainda é receber por isso. Não tão legal é participar daquelas reuniões sacais, que não levam a nada e que não se resolve nada. Sério, se você gosta de reunião pedagógica, você é masoquista. Elas são úteis, se as fizessem serem úteis. Alguém já lhe deu sugestões sobre o que fazer da sua aula? Não, só criticam que sua aula tem que ser atraente. Você pergunta como e vem a versão paulofreireana "te vira!"

Bem, eu sou seu amigo e não te julgarei. Você deve ter visto algum capítulo naquele (péssimo) livro didático falando de fósseis, arqueólogos etc. Será que podemos montar alguma aula interessante nesse sentido? Sim, podemos e faremos.

Este é o segundo capítulo do Caderno dos Professores.

Para princípio de conversa, não devemos confundir as coisas. Paleontólogo e arqueólogo são duas profissões diferentes, apesar de ambas ficarem com a bunda pra cima escarafunchando o chão.

Paleontologia estuda fósseis. Fósseis são evidências de seres vivos do passado, podendo ser desde um osso até uma pegada. Um fóssil pode ter milhões de anos de idade, mas é algo muito difícil de se conseguir, por isso estima-se que cerca de 90% de todas as espécies que já viveram não deixaram registro fóssil.

No caso de tecidos, a fossilização se dá por permineralização. Ao longo do tempo, a água vai depositando minerais que "esculpem" o contorno do objeto. Assim, os ossos de um dinossauro não são ossos exatamente, mas minerais. Quando falamos de "fósseis de tecidos moles", não tem carne ali. Os tecidos moles (músculos, pulmões etc.) sofreram permineralização, e são muito difíceis de se fossilizar. Fósseis de tecidos moles não são moles. São minerais, mesmo e não um pedaço de bife de 100 milhões de anos.

A tão chamada "Explosão Cambriana" não foi nenhum BUUUUUMMM, apareceram animais do nada! Simplesmente, animais que tinham carapaças (vertebrados ainda não existiam) conseguiam deixar melhores registros fossilizados.

Existem dois tipos básicos de fósseis: os somatofósseis e os icnofósseis. Somatofóssil é o fóssil de restos somáticos (isto é, do corpo) de organismos do passado. Por exemplo, fósseis de dentes, de carapaças, de folhas, de conchas, de troncos, etc.

Icnofóssil e o fóssil de vestígios de atividade biológica de organismos do passado. Por exemplo, pegadas, marcas de mordidas, excrementos (os coprólitos), de túneis e de galerias de habitação, etc.

Você pode fazer 3 atividades com fósseis.

1) Por impressão

Material Necessário

  • Conchas, folhas ou qualquer bichinho de plástico
  • Massa de modelar
  • Óleo de soja
  • Pincel
  • Saquinho de gesso

Procedimento

  1. Passe um pouco de óleo na parte externa da concha.
  2. Coloque massa de modelar no centro do prato e pressione a concha sobre ela. Retire-a delicadamente, deixando a "impressão" da concha na massinha.
  3. Ao retirar a concha veja o "negativo" que ficou na massinha
  4. Faça uma mistura de gesso e água, conforme instruções da embalagem.
  5. Aplique a massa na massinha de modelar com o "fóssil" da concha e espere secar.
  6. Retire o gesso e você terá o "positivo" da concha.
  7. Compare com a original.

2) Permineralização

Material Necessário

  • Areia de obra
  • Cola branca
  • Folhas de jornal
  • Papel toalha ou papel higiênico
  • Pedaços de Papelão
  • Pincel

Procedimento

  1. Pegue uns pedaços de papelão e corte com o formato do que você quer "fossilizar" (crânios, ossos da perna, patas etc)
  2. Com um pincel, espalhe cola branca por toda a superfície da peça a ser fossilizada  e vá cobrindo com pedaços pequenos de papel toalha ou papel higiênico, passando um pouco mais de cola por cima (tenha certeza que tem bastante cola).
  3. Antes da cola secar, arrume as peças sobre a folha de jornal e despeje areia de obra em cima, com cuidado.
  4. Espere a cola secar para retirar as peças e "batê-las" de forma a retirar o excesso de areia. Se você cobriu o suficiente com cola, ela grudou na areia, produzindo um belo efeito de fossilização.

2) Pinturas Rupestres

Material Necessário

  • Papel 40kg ou papelão ou o muro do colégio
  • Pincel ou rolo
  • Seus alunos
  • Tinta

Procedimento

  1. Eu sugeriria um espaço aberto, mas pode usar em grandes folhas de papel 40 kg ou mesmo papelão
  2. Peça pros seus alunos colocarem as mãos sobre a área a ser registrada.
  3. Outros alunos pintarão por cima (sim, emporcalhará tudo. Eles lavam as mãos depois).
  4. Ao retirar as mãos, fica-se o contorno onde a mão estava. É a técnica stencil hand.
  5. Agora, peça pros alunos colocas palmas das mãos na tinta (use uma bandeja de pintor) e que façam a "impressão" de suas palmas no local a ser guardado para a posteridade. É a técnica handprint.

A Arqueologia não estuda fósseis. Não estuda dinossauros, não dá a menor bola pro cocô fossilizado do filhadaputopterix. Arqueologia estuda culturas e os modos de vida de pessoas do passado, a partir da análise de vestígios materiais Ela quer saber de homens, mulheres e crianças e não o que o T. rex almoçava. Eles podem estudar fósseis, mas muito de sua pesquisa é com materiais que nossos tatatataravós usavam. Encontraram um caco de cerâmica, pedaço de osso perfurado ou a Arca da Aliança, é com arqueólogos, mesmo (exceto o Indiana Jones, que é mais um ladrão de tumba).

É um trabalho lento, chato e com muito cuidado. Um pedaço de carvão fora de lugar muda totalmente o significado. A profundidade influencia na datação. A posição dos ossos, do tipo de cerâmica, os galhos usados, o modo cerimonial que o defunto foi sepultado etc. Tudo isso influencia. Mas você pode fazer uma atividade de "desenterrar" um indivíduo do passado.

Material Necessário

  • Boneco de qualquer tipo (não pode ser grande e nem do Capitão América).
  • Fósseis já produzidos
  • Objetos de uso do individuo "sepultado"
  • Pincel
  • Potão plástico grande (algo como um organizador)
  • Rochas
  • Solos de diferentes tipos (argila, areia, terra adubada)

Procedimento

  1. Arrume no organizador o solo. Sempre o mais claro ficará embaixo.
  2. As diferentes camadas serão as camadas estratigráficas, camadas geológicas que servem para datar o período.
  3. Os fósseis serão dispostos mediante sua idade. Dinossauros ficarão embaixo de quase todos, mas acima de fósseis de plantas. Peça pros alunos dizerem o motivo1.
  4. O indivíduo será o primeiro a ser escavado. Afinal, você vai escavar começando por cima, é lógico.
  5. O processo é lento e os alunos tem que dar o maior número de informações possível. O vídeo abaixo ilustra o procedimento (ele foi acelerado, para poupar tempo).

Esse tipo de aula pode ensinar várias coisas. Geologia, Geografia, Arqueologia, Paleontologia etc. Pode ser feito em qualquer sala de aula ou num jardim. Você pode enterrar os "defuntos" (os bonecos, gente. Não um defunto real!) num canteiro.

Você pode separar os alunos em grupos. Eles podem criar simbolismos fúnebres. Era um rei? Um plebeu? Heróis? Eles é que decidirão. Peça para eles escreverem uma história sobre ele. O outro grupo tentará reunir os fragmentos de informação e recontar a história daquela pessoa e comparar com a história contada pelo outro grupo, que pode deixar trechos de poemas, cantos, músicas etc, contando a biografia dele.

Você pode usar ossos de galinha, espinhas de peixe etc para "fossilizar". Os alunos terão que estimar o tamanho do animal, e usando várias camadas, eles poderão datar quando o animal viveu. Da mesma forma, as impressões nas paredes e pinturas rupestres visam contar histórias, mesmo que breve, da passagem humana. Seus alunos precisam se sentir participando, como cientistas e pessoas que viveram ao longo da história, produzindo cultura. É uma viagem no tempo!

Isso visa mostrar que a Arqueologia e a Paleontologia são ramos sérios e possuem técnicas. Não é uma questão de pegar um objeto e adivinhar por mágica. Há uma ciência por trás, que é demorada mas fascinante.

Boa aula!

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Sobre André Carvalho

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