Professor tosco que faz plágio usando IA toma pé na bunda e escreve renúncia com auxílio de IA

O artigo de hoje não tem nada a ver com a série sobre o Apocalipse Tecnológico Moderno, mas é divertido mesmo assim, quando o feitiço vira contra o lacrador trapaceiro. Em tempos de IA generativa, com geral usando Gepeto, Cláudio, Gemini-Man e aquela tosqueira da Microsoft, tem gente que dobra aposta e e resolve apostar algo que nunca irá ser pego. É pego, apela para perseguição e se desculpa com uma cartinha, também gerada por IA, comprovando que além de trapaceiro é estúpido, como foi o caso do professor laureado de Cambridge que foi pego com a IA na botija, a boca no Gepeto, ou use lá a expressão que quiser.

Mas sempre tem uma IA catando as cagadas que você faz com outras IA.

Passando a perna robótica nos incautos, esta é a sua QUINTA INSANA! (não quis esperar)

O professor Jason Arday é sociólogo. Como todos os sociólogos, ele não tem onde trabalhar nem sabe dizer ONDE Sociologia é importante; então, se tornou professor de Sociologia para tentar convencer que Sociologia é importante… para algo. Ele não sabe o que é esse algo.

Arday era um sujeito muito prolífico com muitos trabalhos publicados, mas alguma coisa errada não estava certa e por meses ele estava sendo investigado por plágio, fabulação curricular e uma coleção de proezas cada vez mais incríveis que ele próprio jurava ter cumprido.

Nosso amigo Arday construiu uma biografia de comover qualquer plateia ao ponto das lágrimas: diagnosticado com atraso global do desenvolvimento na infância, não teria falado até os 11 anos nem aprendido a ler e escrever até os 18. Arday superou tudo isso, tornou-se professor de Educação Física, depois pesquisador, depois o professor negro mais jovem da história de Cambridge, um feito genuinamente notável e amplamente celebrado pela imprensa britânica havia anos. O problema é que, a partir de 2023, começaram a pipocar perguntas incômodas sobre partes específicas dessa história e, principalmente, sobre a integridade acadêmica que sustentava o cargo.

Sim, até o currículo ele falsificou naquela certeza “Ah, todo mundo mente em currículo, ninguém vai dar pela coisa”.

Deram.

O trabalho investigativo, conduzido em boa parte pelo Telegraph e retomado com força após um artigo do ex-pesquisador de Cambridge Nathan Cofnas, encontrou passagens da tese de doutorado de Arday que reproduziam, com alterações cosméticas, o trabalho de outra acadêmica, Paula Zwozdiak-Myers, publicado seis anos antes.

Depois vieram outras acusações: trechos inteiros de artigos que apareciam reciclados em publicações distintas, supostas falas de entrevistados que, coincidentemente, já haviam sido atribuídas a outras pessoas em outros papers, e um relato mirabolante envolvendo uma cabeça de porco deixada em sua sala por homens mascarados e armados que as câmeras de segurança, misteriosamente, jamais registraram. Se isso parece roteiro de thriller B, é porque, segundo o Guardian, era exatamente esse o nível de plausibilidade que o caso já havia atingido.

A cereja veio com o livro que Arday alegava ter publicado três obras acadêmicas; uma delas, “Being Young, Black and Male”, nunca chegou a sair, a editora Palgrave Macmillan tinha apenas aceitado a proposta, sem jamais publicá-la. Quando o Telegraph confrontou a Simon & Schuster, editora que se preparava para lançar suas memórias em agosto sob o título “Great and Unfortunate Things”, o site da editora foi silenciosamente alterado de “três livros” para “dois”.

Silenciosamente é a palavra-chave aqui: segundo o Washington Free Beacon, diversas instituições vinham fazendo edições discretas em suas biografias oficiais de Arday havia mais de um ano, suavizando alegações sobre arrecadações beneficentes e feitos atléticos, tudo sem qualquer nota de correção pública. Uma auditoria silenciosa da própria lenda, ajustada aos poucos, como quem lixa as bordas de uma escultura antes que alguém repare que ela nunca foi feita do material anunciado.

Quando a merda começou a bater no ventilador, Arday sacou a cartinha mágica e alegou que a investigação dos jornalistas era um caso claro de racismo. Não era.

Cambridge começou o processo de expulsão e Arday foi mais rápido (ok, convenhamos que foi “sugestão’ de Cambridge pra não ficar feio pra ele) apresentou sua carta de renúncia. A cartinha vinha num tom grave e composto, falando em “profunda tristeza”, no “privilégio profissional” de ter sido o professor negro mais jovem da história da universidade e no “peso” das “acusações incessantes”. Bonita prosa. Bonita demais, aparentemente, para ter saído de um ser humano sob pressão às três da manhã.

Como se o Universo tivesse decidido fechar o capítulo com um golpe de humor afrodescendente, um software de detecção de texto por IA chamado Pangram avaliou o documento e concluiu, com “alta confiança”, que ele havia sido “totalmente gerado por inteligência artificial”.

Nem a demissão o sujeito conseguiu escrever com as próprias mãos.

Não sabia como escrever,
Nem duas linhas de verdade,
Chamei a máquina pra resolver
Minha saída da Universidade.

Não aprendi dizer adeus
sem terceirizar o gesto.
Nem o choro foi dos meus,
foi gerado por um texto.
Pensei que escaparia por um triz.

Não aprendi escrever adeus
Mas tenho que aceitar
Tomei um pé na bunda
Por só plágio entregar
Que ideia tão imunda
Que a IA seja feliz.


Fonte: O Telégrafo

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