A utopia pós-escassez que só existe na cabeça de quem nunca pegou um busão

Há uma coisa que me impressiona… ok, duas coisas. Ok, várias coisas, mas citarei a hipocrisia das pessoas e a falta de contato com uma realidade. É como dizer “ain, a vida é linda depois dos 40”, o que me dá dúvidas se as pessoas 50+ ou mesmo 60+ que pegam ônibus às 4 da manhã para irem trabalhar com 3 horas de trajeto de ônibus concordam com isso. A bolha leva pessoas a falarem um monte de asneiras, ainda mais quando você é um boquirroto que gosta de falar qualquer besteiras que passa pela cabeça porque gosta de ouvir a própria voz.

Nosso amigo Elão Almíscar é um perfeito exemplo de alguém assim. O cara que vale um trilhão acha que dinheiro será irrelevante no futuro próximo. O que podemos deduzir disso? Continuar lendo “A utopia pós-escassez que só existe na cabeça de quem nunca pegou um busão”

O amor proibido nos tempos do algoritmo

O ser humano passou milênios escrevendo poemas para explicar por que o amor é irracional, um fogo que arde sem se ver, uma ferida que dói e não se sente. Então, inventou computadores capazes de conversar, decidiu transformá-los em namorados e, agora, chegou ao ponto em que um governo precisou publicar uma regulamentação para lembrar que, em princípio, pessoas deveriam se apaixonar por outras pessoas. Se algum arqueólogo do futuro encontrar apenas essa manchete, provavelmente concluirá que nossa civilização morreu de vergonha logo depois.

Foi exatamente isso que aconteceu na China. Entraram em vigor regras que proíbem sistemas de inteligência artificial de estimular dependência emocional ou funcionar como companheiros românticos da maneira como vinham fazendo.

Romanceando pelo algoritmo chatboteano, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O amor proibido nos tempos do algoritmo”

A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender

Uma criança de onze anos senta-se à mesa depois da escola. Abre o notebook, digita o enunciado da redação ou do problema de matemática no ChatGPT, no Gemini, no Claude ou, na falta de coisa melhor, no tosco do Copilot. O robozinho cospe o resultado e o estudante feliz copia a resposta, troca duas ou três palavras para “parecer dela” (ou nem isso) e chuta pra frente. O professor, quando muito, passa o texto por um detector de IA, e o ciclo se fecha. A nota sai, todo mundo está satisfeito e ninguém pergunta se a criança aprendeu alguma coisa além de formular um prompt decente. Questionar é algo visto como perigoso, danoso e odioso em várias fases da História da Humanidade.

É exatamente nesse momento, quieto e doméstico, que o Apocalipse Tecnológico Moderno deixa de ser abstração e se instala dentro da própria formação cognitiva da próxima geração. Não com explosões nem com robôs assassinos. Com algo muito mais eficiente: a substituição sistemática do esforço intelectual por respostas prontas, personalizadas e sem atrito. Continuar lendo “A IA que vai ensinar seus filhos… e apagar o que eles realmente precisam aprender”

Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam

Sabe quando os mais velhos dizem que antigamente tudo era melhor? Eles não estavam errados. Olhe ao redor e preste atenção. Da geladeira ao Sistema Operacional, dos carros até um forno, em que é preciso logins, e senhas, e IA, muita IA, cheio de IA e para que? Para você sentar na frente da TV e colocar um programa preferido, driblando comerciais. Uma pesquisa te dá tudo, menos o que você está pesquisando. Isso tem um nome: Enshitification, o, como eu prefiro traduzir livremente: esmerdalhamento das coisas. Continuar lendo “Enshitification: a palavra de ordem justificando o que nossos avós diziam”

Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo

Existe uma maneira extremamente cara de vencer uma corrida tecnológica. Você investe centenas de bilhões de dólares em pesquisa, forma engenheiros durante décadas, constrói fábricas, ergue data centers do tamanho de bairros inteiros e torce para chegar primeiro. E existe outra muito mais barata: convencer quem está na frente a pisar no freio.

A história da tecnologia está repleta desse tipo de disputa, e ela nunca fica restrita a laboratórios e patentes. Sempre que uma inovação ameaça reorganizar mercados inteiros, a batalha se muda para a política, os tribunais, a imprensa, as audiências públicas e, cada vez mais, as redes sociais. Continuar lendo “Data centers, manipulações e um monte de idiotas repetindo bobagens sem entender o que está acontecendo”

Foguete dá ré e balão em investidor otário

Existe uma arte que os grandes do Capitalismo dominam com perfeição e raramente discutem em voz alta: lucrar duas vezes com o mesmo ativo. Primeiro na subida, depois na descida. O IPO da SpaceX, concluído em junho de 2026, é o capítulo mais recente de uma história muito mais longa e muito menos inocente do que parece.

A SpaceX abriu capital em 12 de junho no Nasdaq a US$ 135 por ação, chegou a US$ 225,64 quatro dias depois – tornando Elon Musk o primeiro trilionário da história, embora esse dinheiro não exista propriamente dito – e hoje negocia em torno de US$ 155. Mais de US$ 600 bilhões evaporaram em oito dias. Para quem comprou no pico, a experiência tem sido dolorosa. Para quem sabia o que estava fazendo, foi um plano executado com a precisão de um lançamento do Falcon 9.

Quem já viu esse filme dezenas de vezes sabe o final. Continuar lendo “Foguete dá ré e balão em investidor otário”

Funça vagabundo que não quer trabalhar corta a própria perna fora achando que era esperto. Ele não é

Eu diria que nada é pior que gente burra, mas não é verdade: tem os trapaceiros, também. Pior ainda, é o trapaceiro burro. Só tem uma coisa pior que trapaceiro burro: o jovem metido a esperto que banca o trapaceiro e acha que vai se dar bem.

Foi com esta sentença que eu comecei um artigo em que dois idiotas acharam que poderiam dar uma volta em empresas de seguro e um menos idiota que o outro convenceu o que era mais idiota a ficar com as pernas num balde de gelo seco de forma a gangrenar e ter que amputar as pernas, o que não convenceu ninguém. Agora, um outro jovem maldito que não quis trabalhar resolveu fazer a mesma coisa aqui no Brasil, com resultado semelhante. Continuar lendo “Funça vagabundo que não quer trabalhar corta a própria perna fora achando que era esperto. Ele não é”

Golpista de 37 anos passa a perna em idiotas se passando por criança

Existe um limite para o que a humanidade consegue fazer sem que alguém pare, coce a cabeça e pergunte: “Sério, cara? Sério, mesmo?”. Durante muito tempo, achei que esse limite estava em algum lugar razoavelmente distante. Talvez além das seitas apocalípticas, dos gurus financeiros que vendem prosperidade por boleto ou das pessoas que acreditam que a Terra é plana mas, misteriosamente, usam GPS. Estava enganado. Em 2 de junho de 2026, em Joinville, Santa Catarina, uma mulher passou a conversa mole numa família por 14 meses. Se passu por freira? Modista? Empresária? Não, a dona de 37 anos na fuça foi em cana por se passar por uma menina de 12 anos. Continuar lendo “Golpista de 37 anos passa a perna em idiotas se passando por criança”

Advogadas jovens fazem o que jovem faz e tomam na cabeça em 84 mil reais

A advocacia brasileira decidiu finalmente abandonar qualquer resquício de dignidade institucional (isso é modo de falar, porque a realidade você conhece bem) e mergulhar de cabeça no maravilhoso universo do “truque de Internet que adolescente usa para tentar dar uma volta em professor.

Duas advogadas jovens (e jovem você sabe, né?) acharam que eram muito espertas tomaram na cabeça ao tentar dar uma volta no jogo de pessoas não muito… ok, eram advogados e cada um tenta burlar da melhor maneira possível. O problema é que violaram a primeira regra dos trapaceiros: não se deixe ser pego, mas eram jovens e tentaram manipular a IA com o prompt mais retardado do mundo.

GPTando e andando na Justiça Brasileira, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Advogadas jovens fazem o que jovem faz e tomam na cabeça em 84 mil reais”

Idiotas transformam frequência de aviação em zoológico

A quinta-feira tá uma bosta, o café está ruim, meu pagamento já virou fumaça faz tempo, mas, pelo menos, o dia ainda não mia, não rosna nem late. É um consolo modesto, porém relevante, considerando o estado atual da civilização, que, aparentemente, atingiu o fundo do poço e resolveu cavar mais um pouco. Você acorda, abre o noticiário esperando o pacote padrão de desgraças humanas e encontra algo que não é trágico o suficiente pra ser sério, nem inteligente o suficiente pra ser tolerável. Pilotos comerciais, adultos pagos pra carregar centenas de vidas, decidiram transformar a frequência internacional de emergência da aviação num zoológico amador ao vivo.

Não é sátira. É só a realidade operando sem coleira. Continuar lendo “Idiotas transformam frequência de aviação em zoológico”