As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026

Todo mês de setembro, pouco antes de o comitê sueco anunciar quem vai salvar a humanidade com uma descoberta em Física Quântica ou com alguma bobagem da Economia, um bando de cientistas se veste de cogumelo, sobe a um palco em algum canto da Europa e aceita, com lágrimas genuínas nos olhos, um prêmio por ter enfiado o pé em cima de uma cobra, enterrado mil cuecas ou descoberto, com rigor de laboratório, o jeito certo de assoar o nariz.

Bem-vindos à trigésima sexta edição do Ig Nobel, a premiação que existe para provar, ano após ano, que a curiosidade científica não tem freio de mão e, às vezes, nem senso de autopreservação; e sim, esta é a sua cientificamente revisada SEXTA INSANA! Continuar lendo “As inusitadas pesquisas vencedoras do Ig Nobel 2026”

Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias

Toda cidade americana decadente já teve aquela ideia genial de marketing que parecia infalível no quadro branco e virou motivo de piada nacional. Cleveland, nos anos 1980, tentava desesperadamente deixar de ser conhecida como “a cidade cujo rio pegou fogo” (sim, aconteceu, e é outra história igualmente hilária, mas ficará pra outro dia), e alguém do United Way, ex-publicitário da Procter & Gamble, teve a epifania que só faz sentido dentro de uma sala de reuniões: por que não soltar um milhão e meio de balões ao mesmo tempo e quebrar um recorde mundial?

A ideia era muito simples, como todas as ideias mais idiotas podem ser: arrecadar fundos para a filial local do United Way e vender publicamente Cleveland como uma das cidades emergentes dos EUA. O recorde a ser batido, aliás, pertencia à Disneylândia, que tinha soltado balões no aniversário de 30 anos do parque, um ano antes. Cleveland ia superar Mickey Mouse! O que poderia dar errado?

Balonando e andando sem pensar nas consequências, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Balloonfest ‘86: quando lembramos que há um lugarzinho quentinho para boas ideias”

Zé Ruela sai de casa e vai pra Washington com uma guilhotina a tiracolo… porque sim!

Existem maneiras mais discretas de chegar a Washington, D.C. Você pode pegar um avião, um trem, um ônibus ou, se estiver particularmente disposto a contemplar a decadência da civilização ocidental, dirigir desde a Califórnia. Agora, atravessar a Murica Fuck Yeah! numa caminhonete carregando uma guilhotina na caçamba e estacionar nas proximidades do Capitólio é uma escolha que exige um certo compromisso com o espetáculo. E foi exatamente isso que um Zé Ruela de 35 anos resolveu fazer, já que não bastava estacionar errado. Era preciso acrescentar à infração uma mensagenzinha implícita.. ou não tão implícita assim.

Decapitando e andando pelas estradas da loucura, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Zé Ruela sai de casa e vai pra Washington com uma guilhotina a tiracolo… porque sim!”

Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)

O Spielberg passou décadas nos avisando sobre os perigos de brincar de Deus com répteis pré-históricos, e a resposta da civilização, trinta anos depois, foi: “e se a gente vendesse esses bichos no WhatsApp por quinhentos reais?” Um tio de quarenta e poucos anos, mineiro e de bom coração, ainda que só tendo um, chegou a considerar seriamente a compra de “mini dinossauros” anunciados nos status de um contato qualquer. Claro, isso já grita GOLPE DE GOLPISTA GOLPEANDO, mas o brasileiro não dá bola para essas coisas.

Não pergunte como o tio chegou nesse contato, e convenhamos que é o menor dos mistérios aqui. Obviamente, era um engodo, mas aprendemos que se é um vídeo na Internet, claro que é verdade!

Não poupando despesas ao apontar a dinossaurônica loucura do mundo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)”

Vollidioten se ferram por olhar diretamente pro Sol

Quando criança, todo mundo foi avisado que não pode olhar pro Sol. Olhar pro Sol dá dodói. Ao que parece, A Alemanha não teve isso (ok, teve). Havia até um plano para explicar aos krauts que olhar direto para o Sol continua sendo uma péssima ideia mesmo quando a Lua está fazendo das suas na frente dele. O plano falhou; não porque a informação não estivesse disponível (estava, em profusão, repetida por oftalmologistas e autoridades de saúde antes mesmo do fenômeno acontecer), mas porque as pessoas… bem, as pessoas continuam sendo idiotas, mesmo na Terra da Engenharia. Resultado: um monte de chucrutes (não os literais) baixaram hospital com pobrema nos zóio.

Iluminando a estupidez galopante das pessoas, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Vollidioten se ferram por olhar diretamente pro Sol”

Professor tosco que faz plágio usando IA toma pé na bunda e escreve renúncia com auxílio de IA

O artigo de hoje não tem nada a ver com a série sobre o Apocalipse Tecnológico Moderno, mas é divertido mesmo assim, quando o feitiço vira contra o lacrador trapaceiro. Em tempos de IA generativa, com geral usando Gepeto, Cláudio, Gemini-Man e aquela tosqueira da Microsoft, tem gente que dobra aposta e e resolve apostar algo que nunca irá ser pego. É pego, apela para perseguição e se desculpa com uma cartinha, também gerada por IA, comprovando que além de trapaceiro é estúpido, como foi o caso do professor laureado de Cambridge que foi pego com a IA na botija, a boca no Gepeto, ou use lá a expressão que quiser.

Mas sempre tem uma IA catando as cagadas que você faz com outras IA.

Passando a perna robótica nos incautos, esta é a sua QUINTA INSANA! (não quis esperar) Continuar lendo “Professor tosco que faz plágio usando IA toma pé na bunda e escreve renúncia com auxílio de IA”

Espanha toma uma gotinha do próprio remédio e é invadida por gente que ela não queria lá

Ontem, todo mundo (menos eu, e já direi o motivo) ficou estarrecido com a horda de imigrantes ilegais indo em massa que nem arrastão em Copacabana, só que indo pra terreno espanhol. Segundo o Ministério do Interior da Espanha, cerca de 49 mil migrantes atravessaram para Corsa Ceuta em apenas 24 horas, vindos do Marrocos por mar e por terra. Somando os dias anteriores, a conta bate em 60 mil pessoas, o equivalente a mais da metade da população do enclave se materializando do nada, como se o território tivesse sido escolhido a dedo para um experimento de física social.

A Espanha e o Marrocos, tomados de um súbito interesse por engenharia civil, reforçaram a cerca fronteiriça , mas o saldo, no entanto, já inclui ao menos 34 corpos encontrados, porque toda crise migratória insiste em lembrar que estatística é gente. Quanto a mim? Eu estou achando divertidíssimo!

Invadindo a sua praia, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Espanha toma uma gotinha do próprio remédio e é invadida por gente que ela não queria lá”

Da numerologia ao algoritmo: mesmos videntes, roupagem nova

Há um pânico circulando pelo mercado de trabalho brasileiro, e ele tem nome técnico, PowerPoint corporativo (ok, atualmente é feito naquela merda do Canva) e até fala em inglês: dizem que a Inteligência Artificial vai decidir quem é contratado, promovido ou despedido, e que ninguém mais entenderá os critérios por trás disso.

Executivos de inovação concedem entrevistas graves alertando que a “revisão humana” nesses processos costuma se resumir a um recrutador carimbando a lista que o algoritmo já organizou, e que empresas raramente sabem explicar como o sistema chegou a determinada classificação. Tudo isso é verdade, é seríssimo, e merece ser dito. Só tem um pequeno detalhe incômodo: nada disso é novidade. O RH brasileiro só trocou de vidente.

Jogando o búzio no algoritmo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Da numerologia ao algoritmo: mesmos videntes, roupagem nova”

O amor proibido nos tempos do algoritmo

O ser humano passou milênios escrevendo poemas para explicar por que o amor é irracional, um fogo que arde sem se ver, uma ferida que dói e não se sente. Então, inventou computadores capazes de conversar, decidiu transformá-los em namorados e, agora, chegou ao ponto em que um governo precisou publicar uma regulamentação para lembrar que, em princípio, pessoas deveriam se apaixonar por outras pessoas. Se algum arqueólogo do futuro encontrar apenas essa manchete, provavelmente concluirá que nossa civilização morreu de vergonha logo depois.

Foi exatamente isso que aconteceu na China. Entraram em vigor regras que proíbem sistemas de inteligência artificial de estimular dependência emocional ou funcionar como companheiros românticos da maneira como vinham fazendo.

Romanceando pelo algoritmo chatboteano, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O amor proibido nos tempos do algoritmo”

Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia

Todo mundo fica de frescura à espera da Rebelião das Máquinas, Apocalipse Robótico ou mesmo o fim dos tempos ao modo Zumbi. Eu não me engano. Nosso fim mesmo será quando os macacos se revoltarem e escravizarem seres humanos. Os planos para dominação mundial começaram bem na Tailândia, um país muito apropriado para o fim de tudo e fodendo todo mundo. No caso, uma centena de macacos resolveu atacar todo mundo e dizer HAIL CAESAR!

Vendo o mundo numa imensa Ação da macacada, esta é  sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Planeta dos Macacos: A Origem, versão Tailândia”