Oito procuradores e um destino da IA

Uma das coisas extremamente irritantes no ChatGPT é aquela pseudovirtude que qualquer usuário reconhece na primeira semana de uso: ele nunca discorda de você. Diga que vender o carro para investir numa criptomoeda cujo símbolo é um cachorro é uma ideia brilhante, e ele concordará, listará cinco passos e perguntará, solícito, se você quer um cronograma. Você quer exatamente que ele te mostre pontos fracos e ele dá aquela de Fagundes, o bajulador, concordando sempre contigo, mas não porque te ama; o motivo é bem mais sinistro.

Em 14 de outubro, oito procuradores-gerais americanos decidiram que essa virtude, vista de perto, tem cara de prática comercial enganosa, alegando que o Gepeto é um produto inseguro, mas que curiosamente seus erros nunca são algo contra a OpenAI, e que prejudicou crianças e enganou pais idiotas que acham que crianças podem muito bem ter um celular na mão que não vai dar nada de ruim. Continuar lendo “Oito procuradores e um destino da IA” →

Quando um exército de robozinhos capitaneados por um programador humilhou big techs

Houve um tempo, não muito distante, em que você entrava numa loja, escolhia um produto, pagava e, pasme, a coisa era sua! Comprava um disco e ouvia até a humanidade desenvolver orelhas de reposição. Com os programas era parecido: pagava, instalava e usava aquela versão enquanto o computador aguentasse. Isso sempre foi maravilhoso.

Claro, foi uma corrida para impedir que as pessoas espalhassem seus programas com os amigos, e daí veio a corrida para impedir, craqueadores burlavam a segurança e estava tudo bem, já que a verdade é que Microsoft não estava nem aí se o Zezinho morador de Nova Iguaçu tinha comprado um Uíndous Jack Sparrow. Ela ganha dinheiro com as empresas, mesmo. Continuar lendo “Quando um exército de robozinhos capitaneados por um programador humilhou big techs” →

Robô tarado passa a mão na bunda de uma adolescente

Isaac Asimov (que era químico, e com ele a oração e a paz) passou décadas escrevendo leis para impedir que robôs fizessem mal a humanos. Esqueceu apenas de uma pequena brecha: o que acontece quando o mal vem do humano que segura o controle remoto? Pois a Alemanha acaba de nos dar a resposta, e ela vem com corrente de ouro, bigode falso e bermuda de basquete.

Na noite de domingo, pouco antes da meia-noite, em Colônia, uma adolescente de 16 anos estava com amigos diante de uma lanchonete, cuidando da própria vida, o que deveria ser um direito constitucional em qualquer país civilizado, mesmo no caso dos chucrutes. Continuar lendo “Robô tarado passa a mão na bunda de uma adolescente” →

Suporte Infernal causa um problema dos Diabos a usuárias

Se você é idoso como eu na Internet, conhece a maravilhosa série do Operador Bastardo do Inferno, em que o operador dá incríveis e elucidativas ajudas para aqueles que procuram uma solução. Entre elas, usar FDISK como “utilitário de recuperação de senhas” (se você precisa de explicação, é porque é um jovem maldito). Era uma sátira (será, mesmo?), e nunca alguém seria tão demoníaco para atuar no help desk.

Então, chega o Florida Man para sacanear as suas mais pias impressões. No caso, o sujeito é um “demonologista” que foi acusado de perseguir mulheres que lhe pediram ajuda com problemas de computador.

Conjurando o Tinhoso para ver se ele dá jeito nesta maldita impressora dos infernos, esta é a sua SEXTA INSANA!

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Passei a dar razão aos amishes

Amishes são o grupo de pessoas que abominam tecnologias mais modernas que um arado, uma charrete e um serrote. Ok, eu devo admitir que estou sendo generalista e simplista. A real é que a relação deles com a tecnologia (e uma serra elétrica é uma peça tecnológica, não a sua Nvidia com a qual você faz modelos desnudas via IA) é um pouco mais complexa que isso. A forma como eles rechaçam tema ver com o impacto que ela pode ter na unidade familiar, na comunidade e em sua relação com Deus. Sua lógica principal é: se a tecnologia afasta as pessoas de Deus ou da comunidade, ela deve ser evitada.

Eu me senti justamente assim ontem ao instalar uma TV e colocá-la para funcionar. Continuar lendo “Passei a dar razão aos amishes” →

OpenAI chamou o contato, o contato veio com mastro, corda e ordem de restrição

Imagine uma churrascaria que coloca na porta uma placa: “Atenção: carne vermelha faz mal, tem cheiro esquisito e pode provocar a extinção da espécie humana. Provem nosso rodízio!” Agora imagine que, diante do espanto dos clientes, o dono acrescente: “Mas o governo devia fechar a churrascaria da esquina”. É mais ou menos o estado da arte do debate sobre segurança da Inteligência Artificial em fins de setembro de 2026.

O problema dos desejos é que eles podem acontecer. Pena que a OpenAI não se tocara disso; deveriam ter consultado o ChatGPT. Continuar lendo “OpenAI chamou o contato, o contato veio com mastro, corda e ordem de restrição” →

Artigos da Semana 323

Esta semana foi um saco: gente choramingando com IA trazendo o Apocalipse, Médium que usa Google, rei achado no estacionamento que teve seus dentes verificados e até o pessoal “ain u qui vussê fazia no 11 di çetembru?” (eu estava trabalhando, não tinha tempo para ficar com o cu na frente da TV o dia todo).

Bem, vejamos o que foi postado durante a semana, inclusive com Brasil endo uma terra mística esquisita e fora dos mapas convencionais.

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Arautos do Apocalipse Tecnológico Moderno apregoam o extermínio da Humanidade, só que…

Toda semana alguém com mais tédio do que competência em pleno Vale do Silício descobre o Fim do Mundo (MUAHAHAHAHAHAHA). Dessa vez o Mensageiro do Caos é um ex-funcionário da Anthropic (a mãe do Claude) de 27 anos que atende por Jacob Coxon. Coxon fez no Twitter aquilo para o qual o Twitter foi feito: xingou muito; no caso: a IA. Coxon atraiu a atenção de ao anunciar o próximo Futuro Apocalíptico; porque, convenhamos, nenhum profeta bíblico teria recusado 100 milhões de visualizações se a ferramenta estivesse disponível na época. Continuar lendo “Arautos do Apocalipse Tecnológico Moderno apregoam o extermínio da Humanidade, só que…” →

Pesquisa mostra que nem sempre carinha bonita garante confiança

Há um mito de design que atravessa décadas de ficção científica e reuniões de startup em igual medida: quanto mais humano parecer um robô, mais confiança ele inspira. Foi assim que chegamos a assistentes com cara de boneco de porcelana, recepcionistas robóticas que piscam os olhos e aspiradores que, inexplicavelmente, “pedem desculpa” quando ficam presos embaixo do sofá. A lógica parecia impecável: se o robô sorri, acena e olha nos seus olhos, ele ganha um cheque especial emocional que sobrevive até a primeira gafe.

Só que um estudo recente resolveu meter o dedo nessa ferida com um sensor de infravermelho na testa de cinquenta voluntários e descobriu que a coisa é bem mais traiçoeira do que qualquer folheto de marketing de robótica social gostaria de admitir. Continuar lendo “Pesquisa mostra que nem sempre carinha bonita garante confiança” →

Artigos da Semana 321

Esta semana foi doida. Entre divulgação científica postei os dois lados antípodas de uma moeda. O lado A e lado B, o ponto positivo e negativo do uso da IA. Um para fazer o trabalho e várias pessoas, reduzindo o tempo e otimizando recursos. O outro, uma IA louca solta ano mundo digital fazendo um monte de merda.

Tudo dependendo da índole de quem digita start.bat.

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