UE quer todos os artigos científicos com acesso aberto até 2020. Chora Elsevier!

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Eu já falei sobre isso duas vezes, e não me repetirei. Cheque os artigos O paywall de artigos científicos deveria acabar  e A guerra contra o paywall dos artigos científicos continua. Lá eu deixo claro sobre a celeuma da abertura dos artigos científicos, nem que seja por vias um tanto questionáveis como o SciHub.

Afinal, a quem pertence o Conhecimento? A quem pertence os terabytes de dados produzidos, os terabytes de informações publicadas, compartilhadas, divulgadas e… presas a um sistema em que você tem que pagar para ler uma pesquisa, sendo que este dinheiro não vai para o pesquisador? Bem, a União Europeia bateu o martelo e disse que até 2020, todas as pesquisas feitas em instituições de lá terão que ser de acesso aberto.

Na sexta-feira dia 27, algo sacudiu como um terremoto algumas editoras. A diretriz aprovada pelo Conselho de Competitividade da União Europeia meteu o dedo na cara de todo mundo e determinou que todos, eu repito, TODOS os artigos científicos produzidos por instituições publicas europeias, bem como os custeados com recursos públicos deverão ser Open Access, isto é, acesso aberto, até 2020. O que isso significa? Eu, o pesquisador do Instituto Max Planck e você aí sentado em casa, mesmo que mal tenha o Ensino Fundamental, terá direito a ler o que foi publicado. Nenhum custo, nenhum ônus, nem a gorjetinha de 10%. Tudo free, tudo grátis, ainda que você pague pelo almoço.

A decisão AINDA não tem força de lei, mas não vai demorar muito. 28 países assinaram o termo. Já era, não tem mais para voltar. Mas ainda assim tem opositores, e no comando da Hydra, digo, desses opositores está a Elsevier, que mantem uma gordíssima fatia de publicações científicas, que lucra dos dois lados. Primeiro, cobra valores absurdamente superiores a US$ 1000,00 do pesquisador, além de cobrar dos leitores para ter acesso às publicações. Eles são seguidos de perto pela Springer-Nature,

Mas, péra aí! A Elsevier também é detentora do maior número de periódicos Open Access do mundo. São, ao todo, 511 periódicos de acesso aberto. Então, qual o problema? O problema é o Fator de Impacto. Nature tem um fator de impacto maior que o periódico de dona Candonga, e com maior F.I., haverá mais chances de você ser citado, e isso vale muito em conta na hora de você ir mendigar verbas para a sua pesquisa, ou acabaremos comparando o artigo do Ken Miller com o de algum maluco criacionista, publicado num periódico obscuro feito por e para criacionistas.

Claro, para o Brasil pouco importa, o que importa é a ciência salame, fatiando uma pesquisa em trocentos periódicos (mesmo que toscos e pela metade), já que é apenas para rechear currículo e cumprir exigência do professor-doutor, que estará cagando e andando pro que você publicou, ele quer é a verba pro departamento, que sumirá na poeira, e o pesquisador mesmo terá que brigar com 5 mil reais de verba, se tanto.

Obviamente, ainda é um pouco cedo para termos isso em nível global, mas já é um começo. O mínimo que se espera é que essa pouca-vergonha de paywall acabe, ou, pelo menos, que parte desse dinheiro vá para o autor de pesquisa, sem cobrá-lo de forma irresponsável pelo conhecimento que ele está tendo, mas quem falou que editora está interessada em conhecimento?

Vocês poderão baixar o PDF com o press release da decisão AQUI (obrigado, Ronaldo). É muito legal saber que a União Europeia conta com 70 bilhões de euros em verbas, enquanto aqui pesquisadores estão fugindo ou então morrerão de fome.

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Sobre André Carvalho

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