20 anos de Ceticismo.net. Feliz Aniversário!

Era uma vez uma conversa displicente entre dois amigos. Participantes de fóruns de discussão, um deles comenta que já tinha tido um site antes, feito em HTML puro e simples, hospedado num Geocities da vida. O outro diz que hoje (ok, naquela época), estava ainda mais fácil com o formato de blogs. Seria algo interessante, um blog de divulgação científica, de algo que estava se tornando comum: pensamento crítico, e de mudanças nos rumos da tecnologia, mas não um site de “tecnologia” que só é briefing entregue por empresa de informática.

Era um mundo diferente de hoje, as pessoas escreviam mais, liam mais. Sim, um novo blog, com novos assuntos, com nova estrutura, a estrutura feita com o que os dois amigos queriam ler, e isso devia interessar mais pessoas. Aquele era o mundo de 29 de outubro de 2006, e há exatos 20 anos, Ceticismo.net viu a luz do dia. Continuar lendo “20 anos de Ceticismo.net. Feliz Aniversário!” →

Antes de criticar o sábio chinês, confira o endereço

Existe uma ciência que dispensa telescópio de bilhões e acelerador de partículas: basta um texto velho, um mapa e uma teimosia admirável. É a ciência que usa registros históricos como instrumento de medição, e ela funciona bem com eclipses. Como Sol e Lua seguem uma coreografia previsível, saber onde e quando um eclipse foi visto permite deduzir, anos-luz de distância do evento (metaforicamente), quão depressa a Terra girava naquele instante. O céu, afinal, sempre foi o melhor cronômetro que já tivemos, e os escribas da Antiguidade eram os únicos que anotavam as leituras.

Foi com essa lógica que uma equipe internacional revisitou um dos registros mais antigos e mais precisamente datados de um eclipse solar total, ocorrido em 709 A.E.C. na capital do antigo Ducado de Lu, na China. Havia um problema constrangedor: quando os pesquisadores refizeram o cálculo com as melhores estimativas disponíveis para a rotação da Terra, a conta teimava em dizer que, naquele lugar, o eclipse não poderia ter sido total. Os cronistas afirmavam uma coisa, a astronomia afirmava outra, e alguém estava errado. Spoiler: não eram os cronistas. Continuar lendo “Antes de criticar o sábio chinês, confira o endereço” →

Pesquisadores indianos descobrem mais coisinhas interessantes em Marte

Durante décadas, a imagem popular de Marte foi a de um deserto vermelho, parado e silencioso, uma sala de espera cósmica onde nada acontece além de poeira e de Matt Damon plantando batatas. Só que planetas, mesmo os que parecem mortos, têm clima, e clima é sempre mais agitado do que a aparência sugere.

É disso que trata um estudo recente liderado por cientistas da Índia, em parceria com universidades dos Emirados Árabes Unidos. É tipo uma mistura de dança do ventre estilo dancinha de Bollywood, pegando o melhor deles: no caso, a matemática. Pensa só a zona que ficaria passinho de Bollywood com dança do ventre (mandem o vídeo pro meu inbox). Continuar lendo “Pesquisadores indianos descobrem mais coisinhas interessantes em Marte” →

O problema nº 1 de fazer o nº 2 no Espaço

A corrida espacial nos deixou imagens gloriosas: marcas de botas no solo lunar, bandeiras fincadas e frases para a posteridade. O que não entrou nos cartazes foi a logística do outro extremo do corpo humano. Nos tempos do programa Apollo, o banheiro era um saquinho preso com adesivo, e a tripulação da Apollo 10 teve a companhia inesperada de um visitante flutuante que ninguém quis assumir. Meio século depois, a engenharia evoluiu: existe vaso sanitário em órbita, e o problema de fundo segue ali, teimoso como boleto de condomínio: a prisão de ventre no Espaço.

Sabia-se que o intestino de quem deixa o planeta fica preguiçoso, mas faltava uma explicação sólida. Pesquisadores da Universidade de Copenhague, em colaboração com a NASA, foram buscá-la onde ela estava escrita em letras químicas miúdas: no sangue de 52 astronautas: 488 amostras, em missões de dois a nove meses a bordo da Estação Espacial Internacional. O achado sugere que, poucas semanas depois de sair da Terra, as bactérias intestinais mudam de cardápio, e não para melhor. Continuar lendo “O problema nº 1 de fazer o nº 2 no Espaço” →

Artigos da Semana 324

Depois de um longo e tenebroso inverno, hoje abriu o Sol, o nosso amigo Sol, que brilha lá, bem longe daqui. Já dá pra ir pra praia, vemos vizinhos animados na rua, o vozerio das crianças. Voltem logo, frio e chuva! Sinto saudades.

Bóra pro que foi publicado esta semana enquanto me tranco em casa.

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Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)

Há coisas no universo que a gente aceita sem questionar, tipo a Terra ter uma Lua, o Sol nascer no leste e aquele parente que só aparece em churrasco quando tem carne cara. Mas de vez em quando a Ciência decide cutucar essas certezas confortáveis, e é exatamente isso que aconteceu com Vênus, aquele planeta tido como “gêmeo da Terra” mesmo sabendo que é um gêmeo estilo Raquel: mesmo tamanho, mesma massa, composição rochosa parecida, e ainda assim um inferno sulfúrico de 460°C com chuva de ácido.

E para completar o quadro de disfunção familiar, Vênus não tem nenhum satélite natural. Nem unzinho sequer, e uma nova pesquisa finalmente explica por que, e a resposta é tão deliciosamente e aterrorizante quanto a ideia de pasar um dia completo em Vênus. Continuar lendo “Vênus comeu a própria lua (e nem pediu desculpas)” →

Artigos da Semana 319

Estamos nos efeitos do El Niño o que esta prolongando o inverno e estou adorando, pois assim economizo cm ar-condicionado (e gasto com chuveiro elétrico). Enquanto estou confortavelmente debaixo do edredom, escrevendo no notebook, que tal darmos uma olhada no que foi postado durante a semana?

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Vollidioten se ferram por olhar diretamente pro Sol

Quando criança, todo mundo foi avisado que não pode olhar pro Sol. Olhar pro Sol dá dodói. Ao que parece, A Alemanha não teve isso (ok, teve). Havia até um plano para explicar aos krauts que olhar direto para o Sol continua sendo uma péssima ideia mesmo quando a Lua está fazendo das suas na frente dele. O plano falhou; não porque a informação não estivesse disponível (estava, em profusão, repetida por oftalmologistas e autoridades de saúde antes mesmo do fenômeno acontecer), mas porque as pessoas… bem, as pessoas continuam sendo idiotas, mesmo na Terra da Engenharia. Resultado: um monte de chucrutes (não os literais) baixaram hospital com pobrema nos zóio.

Iluminando a estupidez galopante das pessoas, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Vollidioten se ferram por olhar diretamente pro Sol” →

Starlink virou tomógrafo do céu

Eu sei que você se lembra muito bem quando xingava a Internet xexelenta enquanto o Wi-Fi do vizinho parecia funcionar às mil maravilhas. Daí veio a banda larga, larga, e você ficou feliz, assinou Netflix 4K (para ver filmes em fullHD apenas). Então, está olhando com volúpia cada anúncio do Starlink e sua constelação de satélites, sem saber que esses satélites estão fazendo um dos favores mais elegantes já prestados à Ciência Espacial: estão mapeando uma camada da atmosfera que os físicos vinham tentando fotografar, metaforicamente falando, há décadas, com o equivalente cósmico de uma Tekpix que caiu da mesa, enquanto Starlink está lá com uma daquelas camerazonas imensas que fotógrafos usam na Copa do Mundo.

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A Galáxia mais pobre do Universo

Existe uma distinção muito importante entre ser pobre e ser primitivo. Um mendigo do século XXI, por mais desprovido de bens que esteja, carrega consigo carbono, oxigênio, ferro, cálcio e pelo menos uma dúzia de outros elementos que as estrelas levaram bilhões de anos para forjar. A galáxia LAP1-B não tem esse luxo. Ela é pobre de um jeito que nenhuma coisa no universo local consegue rivalizar: pobre de elementos, pobre de estrelas, pobre de tudo que não seja hidrogênio, um fiapo de hélio e uma quantidade surpreendente de matéria escura. E é exatamente por isso que ela pode ser a descoberta astronômica mais importante dos últimos anos. Continuar lendo “A Galáxia mais pobre do Universo” →