Os ondulantes mares de Titã

O titânico satélite de Saturno não é um lugar bem-humorado. Ali, não é pra fracos. Sendo o maior satélite de Saturno, o Senhor dos Céus, e o segundo maior do sistema solar, com um diâmetro equatorial de 5.150 km (Terra = 12.756 km e Marte = 6.792 km). Titã tem uma atmosfera que é predominantemente nitrogênio (95%) e metano, além de outros pouquíssimos gases. Possuindo imensos oceanos de metano em estado líquido (previstos por Carl Sagan muito antes da sonda Cassini ir até lá), Titã parece que não está muito afeito a visitantes.

Agora novas imagens da sonda Cassini trazem algo incrível: ondas. Dá pra se surfar em Tita. YEHAAAAAAAAAA!!!!!

No ano passado, eu tinha trazido até vocês os mares de Titã, capturados no tempo pelas imagens da sonda Cassini. Eu disse que era um mundo em si mesmo, e não mudo de ideia. A vastidão do imenso lago chamado Punga Mare, o 3º maior lago de Titã, tem cerca de 380 km em sua distância longitudinal maior. O Lago Victória, na África (e o maior lago do mundo), cabe lá dentro com folga. A diferença é que ali não tem água, mas metano e etano.

O dr. Jason Bourne, digo, Jason Barnes, professor assistente do Departamento de Física da Universidade de Idaho estudou os os dados obtidos durante sobrevoos de Titã entre 2012 e 2013.

Para princípio de conversa, por causa da imensa distância, os dados chegam em blocos e são montados pelos computadores. Invariavelmente há perdas de pacotes e, por isso, sempre há uns "buracos" nas imagens trazidas e divulgadas. Em segundo lugar, primeiro tem que se esperar receber tudo, depois outros computadores fazem o processamento de imagens, já que eles não vêm coloridinhos como na foto acima, mesmo porque, muitas dessas fotos não são obtidas por meio de uma tekpix e sim câmeras especializadas, captando imagens em diferentes comprimentos de onda, como infra-vermelho, raios X e ondas de rádio.

Analisando  as imagens do  VIMS (Visible and Infrared Mapping Spectrometer – Espectrômetro de Mapeamento Infra-vermelho e Visível), o dr. Jason Bourne, digo, Jason Barnes viu algo diferente. Ele viu alguns pixels diferentes dos demais no meio do lago Punga Mare. Vejam a seguir:

A luz do Sol (e eu uso o termo "luz" para quaisquer emanações eletromagnéticas, na faixa do visível ou não) bate e reflete de modo um pouco desordenado. Lhe lembra alguma coisa? Não? Então veja a seguir:

As variações de realces especulares foram interpretadas como sendo a luz batendo em ondas, o que não é tão absurdo assim se levarmos em consideração que, além dos vastos lagos de metano, Titã tem ventos, e sabemos que ventos ajudam (mas não exclusivamente) a produzir ondas.

A estimativa é que essas ondas tenha cerca de 2 centímetros de altura, o que parece pouco comparado com a sua piscina jacuzzi aí da sua casa, mas estamos falando de outro mundo, lá pras bandas do quartinho de empregada de Saturno.

Não será o suficiente para você ir até lá surfar, dizendo que adora o cheiro de metano pela manhã, mas já é muita coisa para os cientistas, pois saber como as ondas formam vai lançar novas luzes polarizadas sobre a formação do satélite e como é seu próprio sistema.

Entretanto, talvez nem sejam ondas. Talvez a Cassini tenha fotografado algo semelhante a um pântano, um lodaçal ou coisa semelhante. Que importa? é algo novo! É algo para o qual podemos apontar nossos instrumentos e estudar e entender o que é aquilo, como ocorre aquilo e o que acarretou aquilo.

Esta é a maravilha da Ciência: trazer perguntas para pessoas que gostam de desafios e tentam decifrá-los. Agora, se você for da turma dos preguiçosos e quer as respostas logo de uma vez, sem precisar pensar nas perguntas, existem muitos "trabalhos" escritos na Idade do Bronze que já trazem tudo mastigadinho; é a sua pílula azul. Qual você quer, mesmo?

5 comentários em “Os ondulantes mares de Titã

  1. Se eu tivesse esquecido meu relógio dentro do gerador de campos intrínsecos esse seria um dos primeiros lugares que eu iria visitar.

  2. Tem como incendiar os mares desse satélite, existe oxigênio ou algum elemento que pode tornar isso possível? Será que existe alguma forma de vida em Titã, uma que utiliza-se dos elementos e substâncias presentes lá?

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