O hipertexto, ao restabelecer o hábito do exercício da escrita, mostra ainda que não há contradição entre esta e a informática, pois ambas são complementares. A informática passa a ser uma tecnologia intelectual que complementa a escrita, não ocorrendo nenhum processo de substituição ou superação. Aliás, neste espaço antropológico propício às relações humanas, a escrita passa a ser um pressuposto para o trânsito ciberespacial.
No ciberespaço, não é mais o leitor que se desloca diante do texto, mas é o texto que se desloca e se desdobra de forma diferente no contato com cada leitor, possibilitando que este não mais se coloque numa posição passiva diante de um texto estático, mas em meio a um processo dinâmico participe como sujeito de uma construção coletiva.
O texto virtual acabará com o texto escrito? O debate sempre presente ao advento de qualquer novo meio de comunicação que supõe que o novo substitui o velho. Um novo meio somente substitui o anterior quando é capaz de superá-lo, ou seja, quando é capaz de executar todas as funções do anterior ainda com alguma vantagem/praticidade, mas não quando o faz de forma totalmente diferente daquele. Assim, temos o caso da máquina de escrever e do computador, do toca-discos e do CD. Os meios posteriores passaram a executar o que os anteriores faziam, acrescentando a esses algumas vantagens. O texto virtual não substitui o texto escrito mas é, sim, um novo conceito de texto. Cada um deles tem as suas especificidades.
Lévyressalta que a cultura do texto com o seu diferencial de distância crítica na interpretação no interior de um universo semântico de intertextualidade é levado ao imenso desenvolvimento no novo espaço de comunicação das redes digitais. Graças à digitalização o texto e a leitura recebem hoje um novo impulso.
Chartier também concorda com Lévy nessa perspectiva de que o advento da Internet e dos demais meios ampliou a própria cultura escrita. Nunca se publicou tanto quanto hoje. Na verdade, é o texto impresso que possibilita esse processo de leitura crítica do que é veiculado na internet, na televisão e na mídia de uma forma geral. Assim, longe de aniquilar o texto impresso, a virtualização amplia e aumenta as suas possibilidades. Lévy amplia bastante a noção de leitura e de escrita tradicionais destacando que com o novo suporte estamos descobrindo a leitura e a escrita, percebendo e experimentando mais de perto diferentes modos de construí-la.
A leitura na internet e no livro, bem como a leitura nos demais meios (TV, vídeo, cinema, etc.), são todas complementares entre si e fonte de enriquecimento para os que a elas têm acesso. O empobrecimento está na falta de acesso, no uso de apenas e somente uma delas sem as demais. Todas possibilitam leituras complementares, divergentes, pontos de vista que nos farão ver/ler o mundo de variadas maneiras.
Textos extraídos de:
http://www.filologia.org.br/revista/34/07.htm
http://www.riterm.net/revista/n_2/barcellos_almeida.pdf
http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/0501/08.htm
Para saber mais: A Origem dos idiomas
