A linguagem oferecida pelos textos on-line deve ser diferenciada daquela utilizada nos conteúdos distribuídos através de impressos, assim como aqueles direcionados para a televisão e rádio também o são. Preparar um conteúdo para a Web é muito diferente de prepará-lo para meios impressos.
A matéria-prima da Web é a informação e Informar é comunicar e se fazer compreender – isto é, redigir de forma simples, concisa, clara e precisa, quaisquer que sejam a complexidade do assunto ou o gênero da mensagem. Desta forma, a linguagem da Web aproxima-se do estilo de redação jornalística.
Em razão das dificuldades de leitura e de compreensão da informação na Web, deve-se atentar para técnicas que as facilitem:
- O estilo deve ser o mais simples e utilizado no sentido habitual. Preferir a frase afirmativa e o estilo direto, recusar a imprecisão e a ambigüidade.
- Manter os verbos na voz ativa e de preferência, no presente. A voz ativa traz agilidade na leitura, além de evitar a monotonia. As formas condicionais, compostas, passivas e ou negativas prejudicam e desvalorizam o estilo direto.
- Evitar adjetivação excessiva ou inadequada, ela enfraquece a qualidade e o impacto informativo do texto.
- A linguagem deve ser concisa, sem floreios. O texto deve conter palavras suficientes. Cada frase, cada palavra deve lutar para sobreviver. Às vezes escreve-se muito para dizer muito pouco… Se não fizer diferença, cortar.
- Usar sempre palavras curtas ao invés de seus sinônimos maiores: substituir todas as expressões e palavras grandes por palavras curtas e fáceis;
- As frases e parágrafos devem enunciar idéias com princípio, meio e fim;
- Evitar frases feitas e lugares-comuns, chavões e palavras de ordem; elas artificializam ou estereotipam a prosa e tornam-na menos incisiva na apresentação dos fatos e das idéias.
- Evitar metáforas elaboradas; muitas pessoas passam os “olhos no texto”, não lendo todo o conteúdo. Assim, os leitores podem pular trechos do texto e perder o fio da meada;
- Bem empregadas, as imagens e as metáforas podem dar cor e sonoridade à narrativa, uma das regras para uma comunicação fácil e atrativa. Mal utilizadas, criam, porém, uma penosa sensação de pedantismo e mau gosto.
- Evitar o estrangeirismo, termo técnico ou calão; se for possível, usar um termo corrente. Às vezes os estrangeirismos não são mais que formas de mascarar o discurso. Sendo acessível e direto, o redator se fará compreender;
- Usar sempre parágrafos e sentenças curtas. Nos parágrafos, usar no máximo 400 caracteres, o que significa 6 linhas de texto. As frases devem conter uma ou duas idéias, não mais, para facilitar a leitura. Evitar rodeios; repetições, preciosismos, redundâncias, e cacofonias que obscurecem a comunicação, reduzem-lhe a eficácia e contrariam a fluência da leitura.
- Transformar grandes parágrafos em listas com destaque; as pessoas compreendem melhor a informação dividida. Nos parágrafos mais extensos, os subtítulos servem para tornar a leitura mais fácil e aliciante.
- Organizar as frases que estiverem invertidas. A seqüência lógica de uma frase em português (sujeito-predicado-complemento) facilita a fluência e a compreensão da mensagem.
- Atentar para a credibilidade do texto. Usar sempre fontes idôneas de citação e bibliografia.
- Tentar estimular a passagem de hyperlinks ao final de cada tela.
- Reduzir a quantidade de texto, mas não de informação.
A clareza da mensagem obriga a selecionar, hierarquizar e sacrificar o acessório em favor do essencial. O tratamento de qualquer informação passa sempre pela escolha de um ângulo específico de abordagem: a novidade, o mais importante, característico ou original — aquilo que mais cative o interesse do leitor (a história curta, os pormenores desconhecidos de bastidores, por exemplo).
Se um assunto comporta várias mensagens, é preferível tratá-las separadamente ao longo do texto e com recurso de subtítulos, ou, melhor ainda, repartidas por peças individualizadas. Na escolha do ângulo de abordagem prevalecerá sempre a precisão da informação: dados, números e casos concretos, idéias claras, imagens, exemplos e citações em vez de generalizações vagas e abstratas.
A simplicidade expositiva é a chave da compreensão. Clareza, objetividade e acessibilidade são as características mais importantes na linguagem oferecida pela Web. A função é tornar o texto mais acessível ao leitor, de maneira que ele possa apreender o conteúdo e avançar na leitura com maior facilidade.
