A partir da década de 90, os meios impressos e eletrônicos foram confrontados em inúmeras pesquisas. O modo mais elementar de ler na tela é semelhante aos antigos rolos: há rolagem da tela. Nos sistemas não seqüenciais como o hipertexto, em que se baseia a Internet, links em uma tela remetem a outra tela e assim sucessivamente.
Verifica-se que a maioria dos usuários prefere imprimir o texto antes de ler quando este contém mais de três páginas e, especialmente se houver necessidade de estudá-lo. Isto porque leitores eficientes costumam escrever na margem do texto, grifar ou mesmo transportar o texto para ser relido em algum lugar ou momento oportuno. Os atuais recursos tecnológicos não estão suprindo essas necessidades, comuns na leitura bottom-up.
O e-book device foi criado para simular um livro quanto ao tamanho e à forma, sendo possível lê-lo deitado ou, mesmo, inserir anotações utilizando uma caneta especial. Entretanto, o custo do e-book em relação ao livro impresso ainda é muito alto e são textos literários, em geral, que estão no momento disponíveis para o livro eletrônico.
Há que se considerar também a relação entre a leitura eficiente e o grau de contato com determinada tecnologia, determinada em parte pela freqüência de uso do meio e o desenvolvimento das novas habilidades por ele requeridas. Destaca-se, finalmente, o gênero do texto. A facilidade de leitura de notícias na tela do computador é maior do que no jornal impresso, ainda mais ao se levar em conta a rapidez com que elas são atualizadas. Com relação ao texto acadêmico, mais longo, o meio impresso ainda oferece mais opções para as anotações e as diversas releituras, que auxiliam a construção do conhecimento e viabilizam a aprendizagem.
As pessoas podem não perceber, mas a resolução de um monitor de computador é desagradável para a leitura. Os monitores atuais podem parecer límpidos e claros, quando comparados com os monitores da metade da década de oitenta, cujas telas eram pretas e as fontes verdes. Mas quando se compara o texto na tela em relação a um texto impresso por uma impressora laser, ficará evidente que a tela ainda não é um meio facilitador da leitura tanto quanto o papel. O monitor do computador emite luz, o papel absorve. A partir daí começam muitas diferenças!
Mormorkes e Nielsen perceberam que a leitura na tela é 25% mais lenta do que a leitura no papel. Entre usuários que desconheciam esse dado, os pesquisadores perceberam que eles sentiam-se desconfortáveis quando liam grandes textos no computador. Dessa forma, Nielsen adverte que, para compensar as dificuldades, o texto na Internet não deve ser apenas 25% mais curto, pois não se trata apenas de uma questão de velocidade de leitura. O texto deve ser 50% mais curto do que seria para o papel, já que o objetivo passa a ser fazer o usuário sentir-se bem.
Estudos adaptados à estrutura da língua portuguesa demonstram que a capacidade de memorização imediata de uma pessoa média é limitada a um máximo de 40 palavras por frase; por outro lado, temas abstratos ou com vocabulário rebuscado dificultam a leitura e a compreensão.
Só uma minoria de leitores consegue manter a atenção ao longo de um texto com mais de 450 palavras (cerca de 2500 caracteres). Qualquer peça com mais de 5000 caracteres perde parte da sua eficácia. Por isso, quando um texto ultrapassar os 7000 caracteres, é aconselhável “partir” o assunto por outro(s) texto(s) mais curto(s), tipo “caixa(s)”.
Em suas pesquisas de 1997, Nielsen concluiu também que os usuários demonstraram forte preferência para clicar em links para seguir à leitura, em vez de utilizar a barra de rolagem para seguir em um texto na Internet. Isso representa mais um motivo para que os redatores mantenham as páginas curtas, com pouco texto.
