Dos Estrangeirismos e Linguagens internéticas

Desde que aprendemos a ler, somos ensinados a nos movermos em um bloco de informação do começo até o final. Os artigos impressos são organizados de forma a não termos que tomar outras decisões enquanto lemos. Por isso, aprender na Web é difícil, principalmente porque os leitores não podem dedicar atenção completa à leitura. Ao invés disso, eles precisam tomar decisões constantemente – que texto ler, que links seguir, quando rolar uma página.

O desenvolvimento das estratégias de um site pode ser ajudado com algumas comparações com artigos impressos em papel. Para Tony Mckinley,

(…) se tem de haver um único diferenciador entre os documentos em papel e os digitais, são os vínculos de hipertextos. Embora os vínculos sejam mantidos em notas de rodapé e referências convencionais, eles não apenas fazem referência a outro documento, como também oferecem um caminho instantâneo a esse outro documento. Esses vínculos automatizam os caminhos de consulta através da informação, possibilitando um estudo em ritmo de tempo real. Os usuários podem seguir sua inspiração para rapidamente captar idéias específicas em vastos mares de informação.

Os artigos impressos geralmente iniciam com uma introdução ou um tópico que determina a direção que o conteúdo irá defender. Além disso, essa introdução mostra a importância do artigo e desperta o interesse do leitor.

A composição de uma abertura de um site pode ser pensada nos mesmos termos, já que situa o projeto (ou o motivo do site) para os leitores e indica os pontos que serão vistos. Ao observarmos como são construídas as páginas de abertura de jornais na Internet, verificamos que elas têm um design que lembra a capa de um jornal impresso, com logotipo, data, manchetes, algumas fotos e links, anunciando o que leitor encontrará “dentro” do site.

Quando é produzido um artigo impresso, o autor pressupõe que ele será lido na ordem em que foi elaborado. Já na Web, com a utilização do hipertexto, o autor não determina a ordem de leitura. Dessa forma, ele precisa criar maneiras de deixar claro quais são as informações mais importantes do site e fazer com que o leitor as encontre facilmente.

Uma vez que os links hipertextuais tiram de certa forma o controle da leitura das mãos do autor do texto, ele ainda pode determinar a facilidade com que o usuário se move pelas páginas do site. A força da redação hipertextual é permitir aos leitores escolherem seus caminhos dentre uma série de alternativas, mas cabe ao autor definir essas alternativas.

O pesquisador Andrew Starling elaborou, no site Foxglove uma série de comparações e de analogias que podem ser feitas entre elementos do mundo impresso com os sites da Web. Segundo o autor, várias lições sobre como tornar seu texto apropriado para uma leitura “escaneável” podem ser tiradas de materiais impressos, como folhetos e manuais. Os folhetos têm um estilo de redação com frases que captam o olhar do leitor, sentenças diretas, curtas, e demonstram uma linguagem que aproxima o leitor do texto. Os manuais são diferentes, pois mesmo sabendo que são de leitura chata, longa e de visual não-atraente, eles tentam se quebrar em seções definidas, com muitos títulos, subtítulos e palavras-chaves.

Para Starling, o texto da Internet pode ser desenvolvido a partir da mistura entre esses dois elementos impressos, usando o estilo de redação dos folhetos (diminuindo os termos apelativos publicitários de venda e promoção) e os mecanismos de organização e divisão dos manuais.

Deixe um comentário, mas lembre-se que ele precisa ser aprovado para aparecer.