
O Spielberg passou décadas nos avisando sobre os perigos de brincar de Deus com répteis pré-históricos, e a resposta da civilização, trinta anos depois, foi: “e se a gente vendesse esses bichos no WhatsApp por quinhentos reais?” Um tio de quarenta e poucos anos, mineiro e de bom coração, ainda que só tendo um, chegou a considerar seriamente a compra de “mini dinossauros” anunciados nos status de um contato qualquer. Claro, isso já grita GOLPE DE GOLPISTA GOLPEANDO, mas o brasileiro não dá bola para essas coisas.
Não pergunte como o tio chegou nesse contato, e convenhamos que é o menor dos mistérios aqui. Obviamente, era um engodo, mas aprendemos que se é um vídeo na Internet, claro que é verdade!
Não poupando despesas ao apontar a dinossaurônica loucura do mundo, esta é a sua SEXTA INSANA!
O caso aconteceu em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte, uma cidadeca menor que um quarteirão e com 34 habitantes (eu posso estar exagerando nisso… ou não!). um tio que não foi identificado (ninguém bancando o idiota gosta) estava dando um rolé no zap quando viu um vídeo dos com dinossaurinhos fofinhos em um recinto que parecia, com toda a ironia possível, um galinheiro reformado, o que eu achei bem condizente.
Tinha de tudo: comedouro com ração, bebedouro, tudo muito digno para criaturas que deveriam estar extintas há uns 66 milhões de anos. Faltou só uma plaquinha escrito “cuidado, não alimente após a meia-noite”, mas paciência, nem todo golpe tem orçamento para referências completas.
O detalhe mais deliciosamente irônico de toda essa produção é que, no canto do vídeo, sobrevivia discretamente a marca d’água do Gemini, a IA do Google. Ou seja: o golpista usou uma IA de ponta, treinada com bilhões de dólares e anos de pesquisa, para reinventar a roda mais velha da picaretagem digital. É como usar um foguete da SpaceX para entregar pizza na esquina.
Homem acredita em anúncio na web e quase compra ‘mini dinossauros’ por R$500 em MG; veja vídeo
Leia mais em: https://t.co/kHC2ydDHwI
Imagens cedidas à Itatiaia pic.twitter.com/dpWaL0D3AZ— Itatiaia (@itatiaia) August 21, 2026
Sim, eu sei. Pegaram o vídeo na horizontal e colocaram na porra da vertical. Não encontrei o vídeo horizontal. Postem aí nos comentários se acharem.
O tio, seduzido pelas imagens e por prints de supostas conversas com clientes satisfeitos (porque todo bom golpe vem com depoimentos, é quase um selo de qualidade da fraude nacional), chegou a pedir mais fotos dos animais antes de fechar negócio. Resposta do vendedor: só depois do Pix.
E aqui, senhoras e senhores, está o verdadeiro marco evolutivo da história. Não foi a extinção dos dinossauros que ensinou a humanidade sobre sobrevivência, foi a exigência de pagamento antecipado sem contrapartida que finalmente acendeu uma luz amarela na cabeça de alguém.
O homem, ainda impressionado (“nossa, um dinossauro, eu quero também”, teria dito, com um entusiasmo que renderia inveja a qualquer criança de seis anos numa loja de brinquedos), procurou um amigo para uma consulta de segunda opinião e o sujeito, num lampejo de bom senso que deveria ser condecorado pela prefeitura, identificou de cara que aquilo era imagem gerada por IA e vetou a compra antes que o Pix saísse do bolso.
Os Meganhas de Pão de Queijo foram procurados pela Imprensa e informou não ter localizado registro de ocorrência sobre o caso, mas aproveitou para reforçar a recomendação de sempre: quem foi vítima de golpe deve procurar uma delegacia mais próxima.
E aqui vem o plot twist. A história foi postada por um zé que alegou que o pai dele foi o amigo procurado pelo tio que quase caiu no golpe. Sim, um telefone sem fio. Sei lá, deve ser o nome do meu blog que me leva a ter certeza que o golpe não é bem alguém tentando vender dinossauros, não. Mas vocês acreditem no que quiserem.

Um comentário em “Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)”