Médium usa Pai Google de Oxóssi para trazer mensagens do Além

Eu tenho problemas com golpistas. Primeiro, porque eles deveriam estar com uma ponta de corda no pescoço e outra num blocão de concreto, sendo jogados na Fossa das Marianas. Outro problema é que eles são estúpidos, mas menos estúpidos que suas vítimas. O ensaio é sempre o mesmo: se colocam como médiuns, videntes e mandingueiros e esperam os otários as vítimas, que aparecem como mariposas atraídas pela luz (e a Carol Ann já tinha sido avisada para não ir pra luz), e pronto. Aí é só catar meia dúzia de besteiras que os patinhos ofendidos acreditam que estão falando com espíritos por meio do médium com pão e manteiga.

Às vezes, são descobertos, como foi o caso de Máira Rocha, que, segundo denúncias de famílias enlutadas, parece ter descoberto algo revolucionário: por que inventar um espírito quando o Instagram do morto já faz esse trabalho de graça? Continuar lendo “Médium usa Pai Google de Oxóssi para trazer mensagens do Além”

Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)

O Spielberg passou décadas nos avisando sobre os perigos de brincar de Deus com répteis pré-históricos, e a resposta da civilização, trinta anos depois, foi: “e se a gente vendesse esses bichos no WhatsApp por quinhentos reais?” Um tio de quarenta e poucos anos, mineiro e de bom coração, ainda que só tendo um, chegou a considerar seriamente a compra de “mini dinossauros” anunciados nos status de um contato qualquer. Claro, isso já grita GOLPE DE GOLPISTA GOLPEANDO, mas o brasileiro não dá bola para essas coisas.

Não pergunte como o tio chegou nesse contato, e convenhamos que é o menor dos mistérios aqui. Obviamente, era um engodo, mas aprendemos que se é um vídeo na Internet, claro que é verdade!

Não poupando despesas ao apontar a dinossaurônica loucura do mundo, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Jurassic Pix: porque o brasileiro ama um golpe (de todo tipo)”

Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa

O calor opressivo estava batendo como um malho numa bigorna na longínqua década de 1930. Para muitos, seria algo para deixar morgando num alpendre com 300 ventiladores, ou trancado em casa com ar-condicionado no talo, mas para uma adolescente era um dia normal. Talvez por ser de origem mexicano-americana, já acostumada com o calor, a adolescente não estava desconfortável com o verão ao visitar parentes num pequeno vilarejo do interior de Chihuahua, naquele tipo de família binacional que atravessa a fronteira com a naturalidade de quem atravessa a rua.

Entediada com a vida rural e proibida pelos pais de se aproximar dos barrancos e minas abandonadas da região, a jovem fez exatamente o que qualquer adolescente proibida faria: fingiu sair para colher cerejas e foi explorar um desfiladeiro que lhe chamara a atenção. E esta decisão iria causar um impacto no que se sabe sobre Ciência, Arqueologia e até mesmo a busca por civilizações extraterrestres, e isso graças a uma cabeça de proporções descomunais. Continuar lendo “Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa”

Mulheres, negociantes e trapaceiros na Assíria

Existe uma ideia muito popular, suficientemente errada para incomodar, de que as mulheres entraram no mundo dos negócios em algum momento entre a Segunda Guerra Mundial e a invenção do blazer feminino. A História, no entanto, tem o péssimo hábito de não cooperar com narrativas convenientes. Por volta de 1850 A.E.C., enquanto a Europa estava lá, na Idade do Bronze, sem nem saber escrever direito e se matando e trabalhar com uma agricultura plantada ainda de maneira tosca, mulheres assírias administravam empresas, faziam investimentos em sociedades de capital compartilhado, concediam empréstimos a juros e se correspondiam por escrito sobre fraudes financeiras com uma fluência que envergonharia muitos diretores financeiros de hoje.

Tudo isso gravado em tabuletas que sobreviveram 4.000 anos para nos lembrar que a Humanidade não mudou tanto assim; principalmente em termos de golpistas, salafrários, vagabundos e trapaceiros. Continuar lendo “Mulheres, negociantes e trapaceiros na Assíria”

Autor escreve livro com citações inventadas pelo robô que ele dizia odiar

Existe uma categoria especial de tragédia humana que nem os gregos antigos previram: o sujeito que passa anos alertando a civilização sobre os perigos de uma tecnologia, usa essa mesma tecnologia às escondidas para escrever o livro de alerta, não verifica absolutamente nada do que ela produz, publica com grande alarde, recebe elogios de jornalistas premiados, aparece na Wired, e então é detonado pelo New York Times porque as citações são inventadas. Os gregos tinham Édipo. Nós temos Steven Rosenbaum. Continuar lendo “Autor escreve livro com citações inventadas pelo robô que ele dizia odiar”

CSI Karachi: a múmia de 2.600 anos que era mais novinha

Negócio com múmias nem sempre dá boa coisa. Que o diga que teve o desprazer de ver o filme com Tom Cruise. Um exemplo disso aconteceu em outro do ano 2000. Um certo sujeito chamado Ali Aqbar, residente em Karachi (a maior cidade, principal centro econômico, comercial e portuário do Paquistão), aparece com uma proposta de negócio que mistura Arqueologia, mercado negro e uma autoconfiança verdadeiramente admirável para quem estava prestes a ser preso (para ser justo, ele não sabia disso… ainda). O que ele tinha em seu poder era a múmia de princesa persa, supostamente com 2.600 anos de idade, embalada num caixão dourado dentro de um sarcófago de pedra, disponível pelo módico preço de onze milhões de dólares.

Não era um iFony nem um Rolex de camelô. Era uma múmia com um preço bem camarada, diga-se de passagem. O que poderia dar errado? Continuar lendo “CSI Karachi: a múmia de 2.600 anos que era mais novinha”

Família que dá golpe unida permanece unida na cadeia

Existe golpe, existe charlatanismo, existe o nível “Broadway do Estelionato” e existe a religião, um empreendimento tão lucrativo em que uma família inteira se reúne não para ceia de Natal, mas para encenar um ritual místico e trocar dinheiro vivo por fumaça teatral. Um exemplo disso é uma tia que perdeu… perdeu, não. Gastou, deu de presente R$ 250 mil acreditando que sofria de uma condição médica gravíssima chamada “coração preto”, diagnóstico feito por uma estranha num shopping, aquele templo moderno onde você vai comprar meia e sai com uma dívida emocional, um financiamento e, aparentemente, uma maldição espiritual.

O tratamento? Um pacote premium de ilusionismo barato: tambor incandescente, lençol branco, olhos fechados, fé cega e a clássica coreografia do “confie em mim enquanto eu substituo seu dinheiro por papel inútil”.

Dando cambalhotas na versão Cirque du Soleil do estelionato, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Família que dá golpe unida permanece unida na cadeia”

Morra, bata papo com Jesus, volte e venda livro

Dizem que quem não morre não vê Deus. Olha, isso é bem possível ser verdade, já que pelo que fiquei sabendo a fórmula definitiva para provar a existência de Deus, do Céu e provavelmente do serviço de paisagismo celestial: não é fé, meditação, filosofia, teologia. A resposta é muito mais prática: basta desligar o cérebro por 90 minutos. Foi o que Robert Marshall fez em 2024. Morreu. Três vezes. Voltou. Com Jesus no currículo e livro na Amazon.

Eu ouvi um amém? Continuar lendo “Morra, bata papo com Jesus, volte e venda livro”

Correios quase vendem terreno milionário em troca de cheque borrachudo de Pai de Santo

Existe um momento mágico na burocracia brasileira em que o absurdo e a incompetência se encontram num abraço tão apertado que você não sabe se ri, se chora ou se muda de país. Os Correios acabam de nos presentear com mais um desses momentos antológicos: quase venderam um terreno avaliado em R$ 280 milhões em Brasília depois de receber um cheque borrachudo de R$ 500 mil. Detalhe: o cheque era de uma empresa que nem existe. Outro detalhe: levaram quatro meses (!) para descobrir que o cheque não tinha um centavo.

Ah, e para coroar a insânia, quem passou o cheque foi um pai de Santo, aquele que lida com as forças mágicas, arreia ebó e passa perna em estatal. Continuar lendo “Correios quase vendem terreno milionário em troca de cheque borrachudo de Pai de Santo”

A golpista que virou finalista do Oscar do Absurdo

Tenho certeza de que o sonho de todo mundo é ter 12,6 milhões de euros em ouro, dinheiro vivo e Rolex enquanto está oficialmente desempregado, receber 1,6 milhão em benefícios sociais do governo austríaco, e ainda assim conseguir ser indicado para um prêmio. Não, não é o Nobel de Economia pela criatividade fiscal. É o “Goldenes Brett vorm Kopf” (algo como “Tábua Dourada na Testa”), entregue anualmente na Áustria e Alemanha para celebrar o maior absurdo pseudocientífico do ano. Continuar lendo “A golpista que virou finalista do Oscar do Absurdo”