A Terra daqui a um bilhão de anos

Há um tipo de pensamento que costuma aparecer em momentos silenciosos, quase sempre à noite, quando a pressa do dia já perdeu a força: o que será deste lugar quando não estivermos mais aqui? Não daqui a cem anos, nem a mil. Muito além disso. Um tempo tão distante que qualquer traço humano já terá sido apagado, como pegadas na areia depois da maré. Imaginar a Terra nesse futuro remoto é, ao mesmo tempo, fascinante e desconfortável. É olhar para um mundo familiar e perceber que ele não nos pertence tanto quanto gostamos de acreditar. Continuar lendo “A Terra daqui a um bilhão de anos”

Idiotas transformam frequência de aviação em zoológico

A quinta-feira tá uma bosta, o café está ruim, meu pagamento já virou fumaça faz tempo, mas, pelo menos, o dia ainda não mia, não rosna nem late. É um consolo modesto, porém relevante, considerando o estado atual da civilização, que, aparentemente, atingiu o fundo do poço e resolveu cavar mais um pouco. Você acorda, abre o noticiário esperando o pacote padrão de desgraças humanas e encontra algo que não é trágico o suficiente pra ser sério, nem inteligente o suficiente pra ser tolerável. Pilotos comerciais, adultos pagos pra carregar centenas de vidas, decidiram transformar a frequência internacional de emergência da aviação num zoológico amador ao vivo.

Não é sátira. É só a realidade operando sem coleira. Continuar lendo “Idiotas transformam frequência de aviação em zoológico”

Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma

Roma conquistou o mundo conhecido, pavimentou estradas por toda a Europa, chegou às margens do Reno com suas legiões e seus gladii (plural de gladius ou “gládio”) e, então, numa tarde qualquer do século I da nossa era, afundou um carregamento inteiro num lago suíço. Sem sobreviventes, sem registro, sem testemunha. Dois mil anos depois, mergulhadores vasculham o fundo lodoso do Lacus Eburodunensis – hoje conhecido como lago Neuchâtel – e encontram praticamente tudo intacto, como recém-saído da olaria. A História tem um senso de humor que os professores preferem não comentar. Continuar lendo “Lacus Eburodunensis: o lago que conservou Roma melhor do que Roma”

Skynet mete o louco e começa a sacolejar no restaurante

Segunda-feira, porque TINHA que ser numa maldita segunda-f(ucking)eira, com aquele fafé bosta, requentado, feito no sábado e reaproveitado porque o patrão é muquirana. Este pesadelo só confirma que você acordou no mundo errado, levanta, toma banho frio porque não pagou a conta de luz e não tem aquecimento a gás e percebe que a vida conseguiu, mais uma vez, superar suas expectativas negativas. E então abre o noticiário e descobre que a revolução das máquinas começou… num restaurante de hotpot, com um robô dançando descontrolado.

Não com ogivas nucleares. Não com drones assassinos. Com um robô fazendo coreografia freestyle no meio de caldo fervente. Continuar lendo “Skynet mete o louco e começa a sacolejar no restaurante”

Cosplay de Zé Colmeia põe macacada pra correr na Índia

Segunda-feira. O dia em que a humanidade retorna ao trabalho com a mesma energia de um gato sendo empurrado para dentro de uma banheira com água gelada. Café do trabalho horrível, porque o pó é vagabundo, a cafeteira tá suja e a Tia do Café odeia todo mundo. Some-se a isso boletos acumulados e aquela suspeita persistente de que a civilização inteira é um grande projeto que saiu do controle, feito por algum débil mental, mas ninguém teve coragem de cancelar. Então, você abre o noticiário esperando algum escândalo político ou desastre geopolítico de bom nível… e descobre que, no interior da Índia, agricultores estão combatendo macacos vestindo fantasias de urso. A semana mal começou e a espécie humana já entrou em modo experimental. Continuar lendo “Cosplay de Zé Colmeia põe macacada pra correr na Índia”

Não preciso mais de nada. Tenho IA

Eu estava pensando outro dia. Eu tinha escrito sobre o falecimento da Internet e como o uso intensivo das IA generativas de LLM (os chatbots turbinados. Não são bem isso, mas… bem, você entendeu e não vou me alongar). Vários conteúdos sendo feitos, imagens feitas, artes e até vídeos curtos e alguns cada vez mais longos mantendo consistência, isto é, se começa um vídeo com o Lula, daqui a pouco não vira o Godzilla com barba ou algo assim. É o mesmo estilo de personagem estilizado, seja desenho ou “3D”.

Eu vi umas brincadeiras de como fariam filmes com o Super-Homem ou o Homem-Aranha e me peguei pensando… não precisarei mais esperar por livros, música e filmes e nem me decepcionar com eles caso não estejam do meu agrado.

E isso é perigoso. Continuar lendo “Não preciso mais de nada. Tenho IA”

A beleza da liberdade persa

Hoje é um dia diferente no Irã. Acostumados a criarem problemas com todo mundo, desde ocidentais, israelenses e árabes, choveu democracia lá enquanto o regime do Aiatolá estava arrumando problemas com os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kwait, Israel e até Arábia Saudita. Em operação conjunta dos EUA e Israel, Aiatolá Khamenei is no more, e a população está comemorando direto, para infelicidade de pessoal levógiro. Continuar lendo “A beleza da liberdade persa”

UFC Terceira Idade por causa de um jogo estúpido

Domingo de manhã, Solzão da Flórida. Ninguém alugou um caminhão porque americano não curte comer feijão, e parece que dessa vez não tinha maconha envolvida. Os Muricans descendo para café, ovos mexidos com bacon, talvez uma volta de carro sem destino específico. Algo que devem fazer muito na Flórida do Gustavo, o tipo de existência simples e funcional que a maioria dos primatas com polegar opositor consegue sustentar sem maiores dificuldades. O problema é que as pessoas sempre arrumam problemas mesmo quando não há problemas. Ser rico em país de Primeiro Mundo deve ser um tédio, então, precisam fazer algo mais… divertido.

É o que aconteceu quando o bando de tio 60+ resolveu sair na porrada por causa de um jogo de pickleball. Péra, Picklewhat?

Sentando a raquete de um jogo que nunca tinha ouvido falar antes, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “UFC Terceira Idade por causa de um jogo estúpido”

Cliente exageradamente fofinho faz funerária pegar fogo

Existe uma espécie de contrato tácito entre vivos e mortos. Nós organizamos o velório, escolhemos a música constrangedora que alguém da família insistiu em colocar e garantimos que a despedida ocorra dentro dos padrões mínimos de civilização. Em troca, espera-se que o falecido colabore ficando quieto, manejável e, sobretudo, dimensionalmente compatível com o equipamento.

Não é pedir muito. É literalmente o último favor. Continuar lendo “Cliente exageradamente fofinho faz funerária pegar fogo”

Vai, confia na tecnologia durante o percurso, vai

Eu adoro a Amazon e o Mercado Livre (Fuck You, Correios!). Um dos motivos é terem entregadores que… bem, que entregam a sua mercadoria. O problema é que ninguém mjais sabe dirigir. Já pode ver o Uber: o miserável fica rodando pela cidade mas se não tiver o GPS, ele não sabe por onde vai, como chega e sequer onde é. Daí pessoal desenvolve uma fé cega, quase religiosa, pelo GPS. Uma confiança que ultrapassa laços familiares, opiniões de especialistas e, aparentemente, o instinto básico de não dirigir para dentro de um estuário com maré subindo.

Sim, o idiota não viu a porra de UM ESTUÁRIO! Continuar lendo “Vai, confia na tecnologia durante o percurso, vai”