Grandes Nomes da Ciência: Carl Sagan

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carl-sagan.jpgSeu nome é paradigma entre os que prezam a Ciência. Ele é aquele que todos os divulgadores científicos gostariam de ser… que EU gostaria de ser. Carl Sagan foi aquele que divulgou a Ciência de modo nunca antes feito, com uma abrangência sem precedentes e ainda hoje é tido como uma referência. Hoje, dia 28 de setembro de 2010, é o dia que sua mais famosa obra, a série Cosmos, faz trinta anos e esta é a homenagem àquele que cativou tantas pessoas, as quais perceberam como o Universo é ao mesmo tempo lindo, mas ardiloso e selvagem ao mesmo tempo.

Há trinta anos, um garoto estava sentado em frente à televisão com seus pais e seu irmão. Havia sido noticiado uma nova série televisiva, mas o menino não sabia direito o que era e, talvez, nem se interessasse muito. Era um domingo, dia do Fantástico, que como show da vida só trazia morte e desgraça pelo mundo afora. Terminado o programa, a série começou com o barulho do oceano. Um homem caminhava, com uma tomada ao longe, que ia se aproximando lentamente. O homem tinha uma voz calma, parecia aquele tio querido que saiu para viajar por muito tempo e voltara com para nos contar muitas histórias. Ele começou dizendo:

O Cosmos é tudo o que existe, existiu ou existirá. A contemplação do Cosmos emociona-nos. Provoca-nos um arrepio, embarga-nos a voz, uma sensação suave, como uma recordação distante de cair de uma grande altura. Sabemos que nós estamos a nos aproximar do maior de todos os mistérios. O tamanho e a idade do Cosmos ultrapassam a comum compreensão humana. Perdida algures entre imensidão e eternidade, fica a nossa minúscula casa planetária, a Terra. Pela primeira vez temos o poder de decidir o nosso destino e o do nosso planeta. Esta é uma época de grande perigo. E, todavia, a nossa espécie é jovem, curiosa, corajosa e mostra-se prometedora.

Aquele homem, com um penteado engraçado apresentou o Universo e disse que estávamos apenas à beira do oceano cósmico, prontos para colocar o dedo na água um pouco mais e essa água era convidativa. E então, o homem fez um convite: para nos juntarmos a ele numa grande viagem em uma astronave, para conhecermos novos mundos, novas galáxias, novos conhecimentos, deixando para trás algumas crendices, fazendo clara separação do que é especulação dos fatos comprovados. O menino que assistia a tudo estava maravilhado com o que poderia ver e sim, aceitou o convite daquele homem que parecia um velho capitão de um imenso navio. O nome do navio é Conhecimento, e o capitão era Carl Sagan.

Carl Edward Sagan era uma pessoa diferente das demais. Ele era especial. Não no sentido que dão hoje. Hoje, “especial” são crianças com deficiência de alguma espécie. Eu não sei o que há de especial nisso, pois prefiro a definição mais antiga, onde “especial” era o indivíduo que se destacava dos outros. E, sim, Carl Sagan conseguia se distinguir. Seu amor pela Ciência era algo esplêndido e ele conseguia mostrar a poesia escondida em cada descoberta. Ele conseguia transmitir paixão no que falava e você acabava envolvido com aquilo, querendo saber mais e mais.

Nascido na cidade de Nova Iorque, em 9 de novembro de 1934, cujo pai era um imigrante russo (por sorte, muito antes de Macartismo) tio Carl Sagan enveredou para o mundo científico quando visitou com seus pais, em 1939, a Feira Mundial de Nova York, com uma exposição científica de primeira linha. Quando ele ganhou seu primeiro cartão de uma biblioteca pública, foi até lá, ele pediu à bibliotecária um livro sobre estrelas e ela lhe deu um sobre atores e atrizes de cinema. Explicando que não era aquilo que ele queria a bibliotecária o apresentou ao universo que cerca o Universo.

Tirou seu diploma de bacharelado em Ciência em 1955 o diploma de bacharel em 1955, obteve o equivalente ao nosso mestrado em Física em 1956 e o título de doutor em Astrofísica em 1960.Trabalhou no laboratório do dr. Hermann Joseph Muller, agraciado com o Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina de 1946.

Carl Sagan trabalhou no Observatório Astronômico Smithsonian, foi catedrático da Univesidade Harvard, tinha seu próprio laboratório na Universidade de Cornell, fez parte do programa Apollo, onde trabalhava diretamente com os astronautas, trabalhou no Jet Propulsion Laboratory, da NASA, departamento responsável pelas sondas-robôs como as sondas Pioneer e Voyager e foi um dos responsáveis pelo projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre). Mas, para o menino em frente à TV, Carl Sagan era muito maior que isso tudo. Ele sabia contar histórias, sabia transformar a linguagem árida da Ciência em poesia. A cada semana, com a trilha sonora Heaven & Hell, do Vangelis, tio Carl Sagan contava-nos mais histórias. Falou sobre o incrível planeta vermelho e como Vênus, apesar do nome remetendo ao amor, tratava-se de um verdadeiro inferno, de tão quente, denso e com ácidos em suspensão na atmosfera.

A série transformou-se em livro, e muitosoutros seriam escritos. Em Dragões do Eden, Carl Sagan discute a origem da inteligência humana. Em O Mundo Assombrado pelos Demônios, Carl Sagan desmente e choca-se de frente com as pseudociências, como a astrologia, homeopatia e adivinhações. Ele argumentava como dois gêmeos idênticos poderiam ter destinos tão diferentes. O que dava poder à Astrologia? A Força Gravitacional? mas a força gravitacional que os médicos e enfermeiros exerciam eram maiores, já que a Gravidade é uma força extremamente fraca. É nesse livro que está o antológico caso do Dragão da Garagem.

Carl Sagan soube traduzir bem o significado do ceticismo e nos levou a pensar. Ele até mesmo ministrou cursos sobre pensamento crítico, ajudando as pessoas a se libertarem das tolices. Não falo de religião ou crendices, mas da tolice de aceitar o que cada um fala sem querer investigar os fatos ocultos. Pois, ceticismo, não tem a ver com religião ou ateísmo e sim na vontade de descobrir a verdade.

Carl Sagan foi um marco na História da Ciência e muitos hoje, 30 anos depois da série, se tornaram cientistas e pesquisadores por causa dele. O menino se tornou rapaz e este perguntou ao seu professor de Ciências se era possível alguém saber tudo. O professor disse que não, que aí estava a maravilha da Ciência, pois quanto mais se sabe, mais se descobre, mais se quer saber, mais mistérios aparecem. “É uma busca contínua”, disse o professor Leugim O rapaz queria saber mais e leu os livros e, uau!, quantas respostas! Mas havia perguntas também. Ele olhava para a imagem de Carl Sagan e via que ele também tinha curiosidade em saber cada vez mais. Via o amor que Carl Sagan tinha pelo planeta onde vivemos, a ponto de ser um fervoroso pacifista e completamente contrário à corrida armamentista, quando o mundo vivia sob nuvens negras de uma ameaça de guerra nuclear, onde toda a humanidade poderia ser extinta, mediante o chamado Inverno Nuclear. Para uma discussão mais aprofundada sobre isso, recomendo a série escrita pelo Kentaro Mori (O Apocalipse Inevitável), onde ele mostra como Carl Sagan conseguiu salvar o mundo de nós mesmos.

O rapaz queria ser como Carl Sagan, e só havia um meio: ele estudou, prestou vestibular, entrou para a Universidade, graduou-se, teve seus cursos, mestrado, doutorado etc. Durante este tempo todo, percebi que por mais que se saiba, menos se sabe. Ao invés de aceitar qualquer besteira que nos contam, estudamos para saber e conhecer, mas surge novas dúvidas, o que nos faz estudar mais e descobrir coisas inesperadas. Quem ficou na crença perdeu as descobertas, mas não fará falta, pois crédulos não se maravilham com descobertas, já que a preguiça mental impede de ver as coisas com clareza, ficando numa eterna miopia mental.

Eu sei que não sou Carl Sagan, e acho que não o serei. Tento dar o melhor em termos de explicação, mas ainda não adquiri midichlorians suficientes para traduzir a Ciência em sentimento, numa espécie de sinestesia do conhecimento. Ninguém conseguiu ser Carl Sagan e eu imagino que ninguém conseguirá, pois pessoas especiais aparecem com intervalos de séculos e não caindo do céu numa espaçonave vindo de outra galáxia, com um sol vermelho.

O mundo não é como gostaríamos que fosse. Se fosse justo, pessoas como Carl Sagan seriam imortais, mas não é assim que funciona. Sofrendo de esclerose lateral amiotrófica Síndrome mielodisplásica, os olhos de Carl Sagan se fecharam para este mundo em 20 de dezembro de 1996. Calmo e tranquilo, como sempre foi. O Universo não foi o mesmo desde a morte de Carl Sagan, mas graças à tecnologia, propiciada pelas descobertas científicas, temos registrado muitos de seus momentos. Um dos melhores momentos, ocorreu no dia 14 de fevereiro de 1990, durante a viagem da Voyager 1. Carl Sagan encheu o saco dos técnicos da NASA para que dessem uma ordem à sonda, para que ela virasse e tirasse uma foto da Terra a 6,4 bilhões de quilômetros de distância, mostrando-a como um “pálido ponto azul”. E é com a tecnologia que dispomos que podemos ouvir o próprio dr. Carl Edward Sagan, um dos Grandes Nomes da Ciência, dizer:


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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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