Harriet Cole: a funcionária mais antiga da Universidade Drexel

A funcionária mais antiga da Drexel University, na Filadélfia, nunca tirou férias, jamais pediu aumento e não faltou um único dia desde o século XIX. A própria instituição a apresentou ao público, em 2012, como sua servidora de mais longa data, e dá para entender o orgulho: poucas folhas de pagamento ostentam alguém que trabalha em regime de alfinetes.

Hoje, essa funcionária executa o seu trabalho no Student Activities Center, entre a cozinha dos estudantes e as mesas de pingue-pongue, com os nervos pintados de branco, os olhos no lugar e um nome que a anatomia mundial pronuncia como se fosse de família: Harriet. Há perguntas no ar: Quem ela foi? Quem teve a gentileza de lhe perguntar se topava virar patrimônio científico? São questões que levaram mais de um século para serem tratadas com seriedade. As respostas, como costuma acontecer quando alguém resolve abrir uma caixa de arquivo, são bem menos reluzentes que o cartão-postal.

Comecemos pela versão que circula pelos livros, pelos blogs e por boa parte da literatura médica. Em 1888, Harriet Cole, uma faxineira negra do Hahnemann Medical College, morreu de tuberculose aos 35 anos. A história prossegue com a informação que ela teria deixado o corpo para o professor de anatomia Rufus Weaver, movida pelo desejo de ajudar a Ciência e sem fazer ideia do que ele iria aprontar com o presente. Weaver voltara de uma viagem à Europa com a cabeça cheia de dissecções parciais do sistema nervoso e uma fixação: ninguém tinha exposto o conjunto inteiro, e ele não via razão para que esse ninguém continuasse sendo ninguém por muito tempo.

É uma história redondinha, comovente e com final feliz para todos os envolvidos, o que deveria ter acendido uma luzinha de alerta em qualquer historiador desde o primeiro dia. E é isso que iremos investigar AQUI.

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