19 Hz: A Frequência dos Fantasmas

Vamos começar com uma pergunta que separa adultos funcionais de futuros caçadores de fantasmas de YouTube: o que é mais assustador, encontrar uma entidade do além ou descobrir que você passou anos sendo aterrorizado por um ventilador? Se a segunda opção parece mais perturbadora, parabéns, você já está no estado mental ideal para entender como o medo pode ser causado por coisas banais. Até mesmo visões de “entidades” nem sempre tem a ver com a existência de fantasmas ou estados de consciência induzidos por drogas. às vezes, um simples ventilador é o suficiente. Continuar lendo “19 Hz: A Frequência dos Fantasmas”

O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD

Imagine jantar num restaurante à beira-mar, pedir um peixe grelhado aparentemente inocente e acordar dois dias depois sem qualquer memória do que aconteceu. Não é o enredo de um thriller psicológico nem o relato de uma festa que saiu do controle. É o que pode acontecer quando alguém tem o azar, ou a curiosidade, de comer a Sarpa salpa, modestamente conhecida no mundo árabe como “o peixe que faz sonhos.” Os romanos chamavam-lhe delicatessen. A ciência moderna denomina esse fenômeno de ichthyoallyeinotoxism, dito em latim científico para soar menos embaraçoso nos relatórios hospitalares, porque “intoxicação alucinogênica por peixe” não tem, convenhamos, a dignidade que a situação merece.

Viajando firme na peixaria, chapadões durante o Império, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “O peixe que deixava os romanos doidões, como no LSD”

A vitamina do Sol que veio turbinar a quimioterapia

Há algo quase filosoficamente perturbador na ideia de que um dos aliados mais promissores no combate ao câncer de mama seja algo que o ser humano sintetiza simplesmente tomando sol. Não um anticorpo monoclonal de última geração que custa o preço de um apartamento na Barra da Tijuca. Não um inibidor molecular produzido em laboratório com nome impronunciável. Vitamina D. Aquela mesma que os médicos pedem para checar no exame de sangue anual e que metade da população apresenta deficiência sem saber, possivelmente porque trabalha em escritório das nove às seis com a persiana fechada.

Pois, bem, uma pesquisa brasileira acaba de mostrar que esse nutriente barato e amplamente disponível pode fazer a quimioterapia funcionar significativamente melhor, e o resultado é suficientemente expressivo para dar o que pensar. Continuar lendo “A vitamina do Sol que veio turbinar a quimioterapia”

Salmão chapado na cocaína nada mais que o salmão careta

Eu sei que você abriu esse texto esperando alguma coisa minimamente… sei lá. Não tenho mais a menor puta ideia do que as pessoas esperam, e é capaz de elas mesmas não saberem. Você chega no final de semana depois de ter feriados no meio dela e não ter podido enforcar nenhum, já que seu chefe é um corno, o que me deixa bem animado. ÊÊÊÊÊ!!! Daí eu vejo o quê? Que cientistas suecos e australianos publicaram um estudo demonstrando que salmões expostos a resíduos de cocaína nos rios se espalham por bem longe, se dispersam mais, gastam mais energia e ficam mais vulneráveis a predadores. Conseguimos criar um programa de condicionamento físico involuntário para a fauna aquática europeia. Academia da vida, literalmente. Sem matrícula, sem anuidade, sem nenhuma chance de cancelamento. Sim, esta é uma notícia de salmão doidão.

Sair varando pelos caminhos de Netuno totalmente virado no pó, esta é a sua SEXTA INSANA!! Continuar lendo “Salmão chapado na cocaína nada mais que o salmão careta”

O Papa que explodiu no próprio velório

Os rígidos soldados não estavam bem. Ali, imóveis, guardando a sua missão, eles estavam aos poucos resvalando e a ponto de desmaiar. Havia algo de sinistro e funesto no seu trabalho ali, mas a coisa estava saindo do controle. O mal-estar, a sombra de algo tóxico e horrível tomando conta do ambiente e a face horrível que ali estava traduzia o nauseabundo local que causava um esgar de nojo e horror que tomava conta ali. Barulhos suspeitos, desmaios sucessivos e o culminar horrendo daquilo seria algo que selaria o destino de muitas pessoas. Continuar lendo “O Papa que explodiu no próprio velório”

Comida saudável faz um mal desgraçado, diz ciência (ou quase)

A humanidade passou décadas escrevendo, revisando e praticamente plastificando o manual da vida saudável. Era bonito, coerente e vinha com aquele bônus psicológico irresistível: além de viver mais, você ainda podia julgar discretamente quem pedia fritura. Frutas, verduras, grãos integrais, água e uma certa antipatia pelo cheeseburger. Pronto. A fórmula da virtude alimentar. Aí chega um estudo e faz o que a realidade adora fazer com certezas humanas: dá uma risadinha e vira a mesa.

No encontro anual da Associação Americana para Pesquisa do Câncer, pesquisadores apresentaram um resultado que não quebra exatamente a Ciência, mas dá uma entortada elegante nela: Jovens com menos de 50 anos, não fumantes, diagnosticados com câncer de pulmão tinham, em média, dietas melhores do que a população geral dos Estados Unidos. Não é um “melhor” simbólico, do tipo “troquei o refrigerante por suco de caixinha”. É melhor com método, disciplina e provavelmente uma air fryer que nunca viu óleo. Enquanto o americano médio marca 57 pontos no Healthy Eating Index, esse grupo chega a 65. A Realidade tem esses probleminhas de não dar a menor bola pro que esperamos dela. Continuar lendo “Comida saudável faz um mal desgraçado, diz ciência (ou quase)”

O surpreendente Homem de Cheddar

Em 1903, alguns trabalhadores escavavam tranquilamente dentro de uma caverna no desfiladeiro de Cheddar, em Somerset, quando encontraram algo que não deveria estar ali, pelo menos não à vista. Um corpo. Não enterrado com cuidado, não acompanhado de objetos, não transformado em memória. Apenas um esqueleto, encolhido, esquecido, preservado pelo acaso e pela pedra durante cerca de dez mil anos.

Ele já estava ali antes de qualquer coisa que hoje chamamos de civilização europeia. Antes da invenção da escrita, antes das pirâmides, antes de Stonehenge. Ainda assim, quando o encontraram, fizeram o que sempre se faz: deram um nome e encaixaram numa narrativa confortável. Chamaram-no de Homem de Cheddar e decidiram, sem muito debate, que ele era o “primeiro britânico”. Continuar lendo “O surpreendente Homem de Cheddar”

Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)

A história adora vender a ideia de que grandes nomes têm finais à altura: discursos solenes, últimas palavras memoráveis e um certo ar de grandeza inevitável. Mas basta folhear com um pouco mais de atenção para perceber que a realidade, como sempre, prefere o improviso e, frequentemente, o ridículo. Entre gênios, artistas, guerreiros e cientistas, há uma coleção nada pequena de pessoas brilhantes que não caíram em batalha nem sucumbiram a grandes tragédias, mas sim a erros banais, decisões questionáveis e coincidências que fariam qualquer roteirista ser acusado de exagero.

Olhando de soslaio para ve se Dona Morte tá atrás de mim, esta é a sua SEXTA INSANA! Continuar lendo “Mortes Insólitas de famosos (ou não tão famosos)”

Quando DNA decide virar engenheiro e caçar doenças

Se tem uma coisa que a ciência adora fazer é pegar algo banal, olhar com atenção suficiente e, de repente, transformar aquilo em tecnologia de ponta. Desta vez, o escolhido foi o DNA. Sim, o mesmo que carrega sua herança genética agora está sendo promovido a operário microscópico, com potencial para circular pelo seu corpo, detectar problemas e agir com uma precisão que faria qualquer tratamento atual parecer um chute no escuro.

A ideia parece ficção científica, mas é só bioquímica bem aproveitada. O DNA não é apenas um arquivo de informações; ele também é um material estrutural extremamente previsível. As bases se encaixam com regras rígidas, permitindo que cientistas projetem formas tridimensionais com precisão quase obsessiva. Fitas simples funcionam como dobradiças flexíveis; fitas duplas viram hastes rígidas. Com isso, dá para montar estruturas que imitam braços, garras e articulações em escala nanométrica. É robótica, só que invisível. Continuar lendo “Quando DNA decide virar engenheiro e caçar doenças”

O câncer que sempre demoraram pra identificar não tem mais onde se esconder

Existe uma categoria especial de vilão na medicina: aquele que não dá pistas, não manda aviso, não aparece no exame de rotina e só resolve se revelar quando já está com a faca no pescoço do paciente. O câncer de pâncreas é o campeão olímpico dessa modalidade. Enquanto o câncer de mama aceita mamografia, o de próstata se deixa rastrear pelo PSA e o de colo de útero condescende com o Papanicolau, o adenocarcinoma ductal pancreático fica ali, quieto, crescendo no meio do abdômen como um inquilino que nunca faz barulho mas está destruindo o encanamento. Quando ele finalmente aparece no scanner, geralmente já virou problema do vizinho também, isto é, já metastatizou.

Um novo estudo apresentou um exame de sangue capaz de detectar o sem-vergonha do câncer de pancreas com uma precisão que, no contexto desta doença, beira o milagroso: 91,9% de acerto geral e 87,5% de acerto nas fases iniciais da doença, exatamente quando o tratamento ainda tem alguma chance real de funcionar. Continuar lendo “O câncer que sempre demoraram pra identificar não tem mais onde se esconder”