Bactérias (e não ONG) combatem a intolerância

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Pesquisas recentes indicam um aumento da prevalência de intolerância à lactose. Mas se formos bem honestos, tolerância à lactose é algo bem recente. Até a cerca de 9000 anos, o único leite que tomávamos era o de nossas mães. Daí, apareceu mutações genéticas que nos deram os poderes X-Men de podermos ingerir leite de outros mamíferos. O poder nutricional do leite ajudou no assentamento de pessoas, já que bastava ter uma dona Mumu ali no estábulo (na verdade, nós praticamente “inventamos” as vacas, já que elas não existiam naturalmente) e tínhamos comida, diminuindo a necessidade de sair pra caçar, e virar caça, como efeito colateral. Povos que ser alimentavam muito de leite, por seleção natural, esta danada, têm menor tendência a ter intolerância à lactose. O Brasil, país marcado pela alta taxa de miscigenação, chega a 40% de intolerantes à lactose e países do extremo oriente, como Japão, chegam a ter 90% de intolerantes à lactose.

A Ciência nos deu a capacidade de extrairmos a lactose dos laticínios, mas será que temos a capacidade de fazer com que intolerantes à lactose possam mudar esta condição? Sim, podemos. Chupa, Mãe Natureza!

A chave para isso são bactérias! Sim, aquelas lindíssimas bactérias que você diz odiar, mas que sem elas você iria pro saco. Imaginem se pudéssemos alterar as bactérias que vivem contentinhas no seu intestino de forma a lhe dar capacidade de digerir lactose?

A drª Cathryn Nagler é professora do Departamento de Patologia, do Departamento de  Medicina, membro o Comitê de Imunologia e do Comitê de Metabolismo Molecular e Nutrição da Universidade de Chicago. Ela estuda alergias alimentares e como pode diminuir esses efeitos fazendo uso do microbiota que vive conosco em regime de comensalismo.

Nagler resolveu investigar se era possível reverter o caso de alergias alimentares simplesmente  alterando as bactérias do intestino de bebês. Ao propor um tratamento com uma fórmula probiótica, Nagler e seus colaboradores conseguiram fazer com que esses bebês desenvolvessem tolerância ao leite de vaca após o tratamento.

Os pequeníssimos petizes (alguém ainda fala assim?) que foram tratados com a fórmula, tornaram-se tolerantes à lactose, tendo níveis mais elevados de várias estirpes de bactérias que produzem ácidos graxos de cadeia curta, tais como ácido butanoico, também conhecido como ácido butírico e responsável por dar aquele cheiro desagradável à manteiga rançosa (manteiga e não margarina), que ajuda a manter a homeostase no intestino, isto é, o perfeito equilíbrio entre você, caro amiguinho, e as lindas bactérias que vivem lá por aquelas bandas.

Nagler botou os estagiários para trabalhar e os fez analisar sequências para identificação de inúmeras bactérias. Para tanto, pessoal ficou examinando cocô de criancinha saudável, cocô de criancinha com alergia a leite de vaca, cocô de criancinha tratada com transplante de bactérias, cocô de tudo que é tipo, efetivando o adágio que vida de microbiologista é uma merda.

Em geral, a microbiota intestinal de crianças com alergia ao leite de vaca foi significativamente diferente do que a população que mora nos intestinos das crianças saudáveis. Os bebês tratados com a fórmula probiótica LGG acabaram por desenvolver maior tolerância ao leite de vaca, além de ter níveis mais elevados de bactérias que produzem o ácido butanoico do que aqueles que foram alimentados com a fórmula probiótica mas não desenvolveram tolerância. Isto sugere ainda que a tolerância é relacionada com a aquisição de estirpes específicas de bactérias, incluindo Blautia e o Coprococcus, que produzem o ácido do bem.

A pesquisa foi publicada no periódico The International Society for Microbial Ecology Journal.

Para que ONGs se temos bactérias lutando contra a intolerância? All hail to our friends, the Bacterias!


Para saber mais: Quando passamos a beber leite

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Sobre André Carvalho

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