Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista

Toda droga de sucesso estrondoso tem uma origem meio acanhada, quase burocrática, que ninguém lembra depois que ela vira fenômeno cultural. A aspirina nasceu para dor de cabeça e hoje disputa currículo com prevenção cardiovascular. O Viagra foi desenvolvido para angina e terminou revolucionando outro tipo de circulação sanguínea, bem mais comentado em rodas de amigos do que em congressos de Cardiologia. E há uma nova entrada nesse hall meio acidental dos remédios que fugiram do próprio currículo, o Ozempic e seus primos farmacêuticos, os agonistas do GLP-1. Continuar lendo “Ozempic: a substância que veio para cuidar do diabético, virou modinha e agora é terapeuta, oncologista e neurocientista”

Artigos da Semana 317

Minhas microférias acabam hoje e amanhã eu tenho que ir trabalhar. Estou desconsolado, triste e revoltado. Bem, ainda tenho até hoje para isso porque amanhã é levantar cedo. Junte-se à mim na minha revolta e leiam o que foi postado durante a semana.

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Pesquisa dedura ancestral fantasma que ninguém sabe quem é

Toda família tem aquele parente que ninguém sabe explicar direito quem é, de onde vem e como apareceu na nossa história. Sujeito apareceu uma vez no Natal, contou uma história esquisita sobre onde morava, e nunca mais deu as caras. Pois, é, a genética acaba de descobrir que a espécie humana como um todo também tem um desses. Só que, em vez de sumir depois da ceia, esse parente sumiu há mais ou menos 800 mil anos, sem deixar endereço, sem deixar ossos, sem deixar absolutamente nada que um paleontólogo pudesse desenterrar num dia de sorte. E mesmo assim, ele deixou herança. Continuar lendo “Pesquisa dedura ancestral fantasma que ninguém sabe quem é”

O dinossauro nanico que explica os grandes predadores

Se você pensa que o Brasil só exporta bicho grande, indesejado e fedido como nossa política tributária, revise seus conceitos. Aqui tem dinossauro, e não estou falando de um monte de velharia na política. O Rio Grande do Sul, que já vinha acumulando currículo respeitável como celeiro de arcossauros triássicos (basta lembrar que ali nasceram os primeiros dinossauros conhecidos do planeta, os Staurikosaurus e companhia), acaba de somar mais um nome à lista.

Dessa vez, o fóssil não é um monstro de sete metros pronto para estrelar documentário com trilha sonora épica. É um bichinho do tamanho de um jacaré pequeno, com ossos contados nos dedos de uma mão, e ainda assim capaz de reorganizar um pedaço inteiro da árvore genealógica que separa, ou melhor, que une, crocodilos e dinossauros.

Sim, até dinossauro no Brasil acaba sendo chinfrim. Continuar lendo “O dinossauro nanico que explica os grandes predadores”

Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa

O calor opressivo estava batendo como um malho numa bigorna na longínqua década de 1930. Para muitos, seria algo para deixar morgando num alpendre com 300 ventiladores, ou trancado em casa com ar-condicionado no talo, mas para uma adolescente era um dia normal. Talvez por ser de origem mexicano-americana, já acostumada com o calor, a adolescente não estava desconfortável com o verão ao visitar parentes num pequeno vilarejo do interior de Chihuahua, naquele tipo de família binacional que atravessa a fronteira com a naturalidade de quem atravessa a rua.

Entediada com a vida rural e proibida pelos pais de se aproximar dos barrancos e minas abandonadas da região, a jovem fez exatamente o que qualquer adolescente proibida faria: fingiu sair para colher cerejas e foi explorar um desfiladeiro que lhe chamara a atenção. E esta decisão iria causar um impacto no que se sabe sobre Ciência, Arqueologia e até mesmo a busca por civilizações extraterrestres, e isso graças a uma cabeça de proporções descomunais. Continuar lendo “Starchild: a cabeçona misteriosa que deixou ufeiros em polvorosa”

Artigos da Semana 313

Hoje é dia do jogo do Brasil. Escrevi isso aqui sem saber o resultado, e isso nem tem algo a ver com os textos, que vão desde um imbecil que trabalha como guia e não sabe o caminho até o câncer que se recusa a morrer passando pelo México tendo o seu próprio Batman.

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O câncer que se recusa a morrer

A Humanidade vem gastando bilhões de dólares procurando a fonte da juventude eterna enquanto um punhado de células malignas na sua pele já descobriu a fórmula há muito tempo, de graça, sem pedir licença e sem nenhuma intenção de compartilhar a receita. O melanoma, aquele tipo de câncer de pele que adora se esconder atrás de uma pinta desconfiada, é uma das formas mais eficientes que a natureza já produziu de driblar a morte celular. E por décadas os cientistas sabiam que ele fazia isso, só não sabiam exatamente como.

Agora, um grupo de pesquisadores da Universidade de Pittsburgh encontrou a peça que faltava nesse quebra-cabeça bioquímico. A descoberta não é apenas mais um tijolo na parede do conhecimento sobre câncer: é o tipo de achado que explica por que essas células insistem em não respeitar o prazo de validade biológico que todas as outras respeitam. Continuar lendo “O câncer que se recusa a morrer”

Artigos da Semana 310

Bola tá rolando na Copa do Mundo. Depois do vexame do Brasil frente ao Marrocos e a Alemanha meter 7 a 1 em Curaçao (com brasileiro tendo que ir pro hospital por causa de traumas passados), o que nos resta? Nos resta vermos o que foi postado durante a semana.

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Artigos da Semana 309

Teve feriadão nesta semana e eu, aqui, tive divertimento de adultos (dormi até tarde, levantei, almocei, volte pra cama, levantei, jantei, voltei pra cama. Recomendo!). Espero que vocês tenham sido muito produtivos (em nenhum momento eu serei louco em achar que produziram algo útil). Claro, nunca abandono meus 3 leitores e deixei artigos entrando (ops) automaticamente.

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A misteriosa bola dourada do fundo do oceano

Em agosto de 2023, o veículo submarino de operação remota Deep Discoverer, pertencente ao navio de exploração Okeanos Explorer da NOAA, estava farejando o fundo do Golfo do Alasca a cerca de 3.250 metros de profundidade – algo próximo a três quilômetros e um quarto abaixo da superfície – quando deparou com algo que ninguém conseguia explicar: uma esfera dourada de uns dez centímetros de diâmetro, grudada numa rocha como se fosse um enfeite de Natal extraviado no fundo do mar. As reações da equipe, transmitidas ao vivo, foram um estudo de caso em perplexidade científica institucionalizada. “Eu não sei o que pensar sobre isso”, disse um. “Meu primeiro palpite seria uma esponja, mas…”, tentou outro, antes de sugerir, com a seriedade de quem acabou de resolver o enigma do universo, que talvez fosse uma boa ideia cutucar o negócio para ver se era duro.

O objeto foi coletado com o sugador do robô e enviado ao Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian. O que se seguiu foi um dos casos mais democraticamente frustrantes da ciência moderna: mais de dois anos e meio de investigação para descobrir que aquilo era, no fundo, uma pegada. Continuar lendo “A misteriosa bola dourada do fundo do oceano”