Grandes Nomes da Ciência: David Attenborough

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O homem de cabelos brancos sobe a montanha. Chegando no topo, ele olha em volta e se maravilha. Mas, mais do que isso, ele maravilha a todos os que o observam naquele instante. O ar frio lhe enche os pulmões, ele olha de volta ao milhões que o seguem e começa a descrever tudo aquilo.

Os vivos olhos azuis faíscam, face às maravilhas e terrores que a Natureza pode trazer. O homem é David Attenborough e há décadas nos faz viajar junto com ele, pelos mistérios dos seres vivos.

Sir David Attenborough nasceu em West London em 8 de maio de 1926. O título de “sir” é devido a uma série de comendas que ele recebeu, cujas letrinhas dos títulos após o seu nome seria quase tão grande quanto este artigo.

Ele é filho de um executivo da fabricante de automóveis italiana Alfa Romeo, que fugiu com a família para a Inglaterra por causa da perseguição dos judeus na Europa, coisa que não era novidade décadas (séculos?) antes da escumalha nazista chegar ao poder.

O pequeno David passou sua infância coletando fósseis, pedras e outros espécimes naturais. Ele recebeu encorajamento nesta busca aos sete anos quando a jovem Jacquetta Hawkes admirou seu "museu". Alguns anos mais tarde, uma de suas irmãs adotivas deu-lhe um pedaço de âmbar cheio de criaturas pré-históricas; que seria a inspiração para o programa The Amber Time Machine

Lá pelos idos de 1950, Attenborough começou a trabalhar numa editora, no departamento de Ciência. O lugar realmente devia ser uma porcaria, pois ele largou de mão e em 1952 foi trabalhar num programa de rádio, para depois ser chamado para trabalhar no então recém-nascido canal de TV da BBC. Não, ele não tinha um aparelho de TV, como a maioria das pessoas, mas ele aceitou o trabalho assim mesmo, e e imagino que o salário realmente devia ser bom.

Curiosamente, ele não começou na linha de frente, mas como produtor (diz-se que o acharam com dentes muito grandes. Ingleses são esquisitos, não ligue). Ele começou a produzir um programa de perguntas e respostas e foi assim que ele começou a se interessar pelo mundo natural, coisa que já vinha enraizado desde a infância.

Ao longo dos cerca de 10 anos subsequentes, Sir David ajudou na produção de vários programas , mas em 1960, pediu demissão do quadro permanente da BBC para estudar para uma pós-graduação em antropologia social na London School of Economics, mas não demorou muito a voltar à BBC como controlador da BBC Two antes que pudesse terminar a graduação.

A marca de David Attenborough são os documentários sobre seres vivos. desde o First Life, onde ele mostra sobre os primeiros organismos vivos, até a maravilhosa série BBC Life, no qual cada episódio fala sobre diferentes tipos de seres, como peixes, mamíferos, répteis etc.. Ele passou por programas que discutiam aquecimento global, crescimento da população humana, áreas congeladas do planeta etc.

Attenborough se considera um agnóstico, o que pra mim não faz a menor diferença, mesmo que ele fosse muçulmano, arriasse despacho para Exu ou pulasse amarelinha com a perna direita. O que realmente me importa são as maravilhas do mundo que ele trouxe até meus olhos, lugares afastados, animais e plantas que jamais verei pessoalmente. Ele, entretanto, acha que o Criacionismo é realmente aquilo que todos nós sabemos ser: uma enorme besteira. Segundo ele:

Quando os criacionistas falam de Deus criando todas as espécies individuais como um ato separado, eles sempre mencionam beija-flores ou orquídeas, girassóis e coisas bonitas. Mas eu tendo a pensar num verme parasita que abre caminho através do olho de um menino sentado na margem de um rio no oeste da África, [um verme] que vai torná-lo cego. E [eu pergunto a eles], ‘Você está me dizendo que o Deus em que acredita, que você também diz ser um Deus todo-misericordioso, que cuida de cada um de nós individualmente, você está dizendo que Deus criou este verme que pode viver de outra maneira do que em globo ocular de uma criança inocente?" Porque isso não me parece coincidir com um Deus que é cheio de misericórdia.

Attenborough ainda completou que:

Existem lendas de criação em todos os lugares, cada sociedade tem uma, em todo o mundo. Mas elas não podem ser todas verdadeiras. Se você quer decidir qual é a verdade, como é que você vai fazer isso? Tanto quanto eu estou preocupado, você olha para a evidência nas rochas e nas criaturas ao seu redor. E há as evidência de tudo dizem a mesma coisa, se você está olhando para elas na Austrália, Europa, no Extremo Oriente, ou onde quer que seja. A prova é para a Evolução. Então, tanto quanto eu estou preocupado, se existe um ser supremo, em seguida, Ele escolheu a evolução orgânica como uma forma de trazer à existência do mundo natural… o que não parece-me ser, necessariamente, uma blasfêmia em absoluto. Fonte.

Sir David é como o tio querido que todos nós temos que viaja muito  nos conta histórias, como se chegando de viagem nos trouxesse um doce. O doce, o presente, é tudo o que ele aprendeu na viagem e isso é o o mais importante. Fico maravilhado em cada um daqueles documentários e triste ao mesmo tempo por não ter podido presenciar tudo ao vivo, mas é melhor do que ficar apenas nas sombras e imaginando como seria o mundo lá fora.

Ele é um ferrenho defensor da Ciência e várias vezes reconhecido como a pessoa mais confiável e influente do Reino Unido. E isso faz do naturalista Sir David Attenborough, OM, CH, CVO, CBE, FRS  um dos Grandes Nomes da Ciência.

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Sobre André Carvalho

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