
“Conselhos são sempre perigosos, mesmo de sábios para sábios”, já dizia o Gandalf. Se você pensava que já tinha visto de tudo em matéria de conselhos de saúde questionáveis, é preciso saber que sempre pode piorar. Passamos por um histórico de um bando de idiotas consultando cão e gato, além de vizinha que sabe das coisas, tia benzedeira, astrólogas e até o Doutor Google para saber coisas referentes a saúde. Claro, isso virou muito mainstream, e a onda modernosa é consultar o ChatGPT.
Um exemplo dessa maravilha da autossabotagem é o caso de um tio americano de 60 anos que provou que a combinação “Inteligência Artificial + Ansiedade por Saúde + Qualquer Coisa Exceto Médico” pode ser mais perigosa que aqueles influencers fitness que vendem chá detox no Instagram. No caso, ele ganhou de presente uma doença dos Tempos Antigos, só faltando ser trazido por um Balrog. Ok, nem tão antigo assim, mas da Era Vitoriana.
Fugindo do Skynet de Jaleco, esta é a sua SEXTA INSANA!
A informação ma foi trazida por meus espiões, daqueles que sabem que esse “ma” está certo. Nosso protagonista em questão, que obviamente permaneceu anônimo, leu sobre os males do sódio na dieta e decidiu que não queria mais saber de cloreto de sódio, conhecido pelos íntimos como sal de cozinha comum. Até aí, nada demais. O problema é que ele não encontrou literatura sobre como eliminar completamente o sal da dieta. Então fez o que qualquer pessoa racional faria em 2025: perguntou a um profissional de saúde.
Não, péra. Ele perguntou pro ChatGPT, mesmo!
E o GePeTo, na sua infinita e proverbial sabedoria algorítmica, sugeriu uma substituição brilhante: trocar o cloreto de sódio por brometo de sódio. Porque, né, ambos têm “sódio” no nome, deve ser a mesma coisa. É tipo trocar açúcar por adoçante, só que neste caso o “adoçante” era literalmente um composto químico usado para sedar pessoas no século XIX.
O tio eliminou completamente o cloreto de sódio de sua dieta (ou assim ele pensou), e por três meses substituiu o sal comum por brometo de sódio obtido pela internet. Durante três meses. Três. Meses. Comprando brometo de sódio online como quem compra pizza no iFood.
O resultado? Bromismo, uma condição neuropsiquiátrica que pode causar confusão, fala arrastada, alucinações, psicose e até coma. Nosso amigo desenvolveu paranoia tão intensa que chegou ao hospital expressando preocupação de que estava sendo envenenado pelo seu vizinho. Ironicamente, ele estava certo… pela metade: o tio realmente estava sendo envenenado há meses, mas não era bem culpa do vizinho.
No início do século XX, cerca de 8% das internações psiquiátricas eram causadas por bromismo, quando brometos eram usados como medicamentos para dor de cabeça e mal-estar geral. Era literalmente a época em que médicos receitavam cocaína para dor de dente e raditor como supositório para deixar a pessoa radiante. Nosso protagonista conseguiu a proeza de ressuscitar uma doença vintage. Parabéns, tio!
O cara estava destilando a própria água em casa e ficou paranoico até com a água que ofereceram no hospital. Chegaram a aventar um amplo diagnóstico diferencial, incluindo ingestão de metais pesados, foi considerado, o que levou à consulta com o Departamento de Controle de Intoxicações. A situação ficou tão séria que ele precisou de três semanas de hospitalização.
Três semanas para desintoxicar o organismo de uma substância que ele consumiu religiosamente por três meses porque um algoritmo disse que era boa ideia. É o tipo de história que faz você questionar se a Inteligência Artificial vai mesmo dominar o mundo ou se nós vamos nos autodestruir primeiro consultando ela sobre receitas de bolo. Pelo menos, se saiu superior ao Dr. Google, para quem tudo era câncer.
O mais tragicômico é que o homem tinha “histórico de estudos de nutrição na faculdade”. Tipo, o cara tinha background acadêmico na área, mas mesmo assim preferiu confiar numa máquina que treinou lendo a internet inteira, incluindo, presumivelmente, fóruns do Reddit e comentários do YouTube.
Claro, em algum momento culparão a IA, não o babaca que resolve ser um imbecil e vai pedir conselhos médicos pra um robozinho que foi treinado para conversar, não para dar diagnósticos.
Fonte: Anais Internos da Medicina, ou algo nesse sentido

Um comentário em “Zé Ruela se consulta com dr. GPT e adquire uma doença pra lá de velha”