Esporos fofoqueiros contam o que andou rolando na Extinção do Triássico

Há 200 milhões de anos, deu muito ruim no planeta Terra (não que isso seja novidade ou exclusividade. Houve outras extinções em massa. Essa foi apenas mais uma num mundo perfeito, projetado por um desenhista inteligente). A Extinção do Triássico-Jurássico foi uma extinção das mais severas, intensas e das que abalaram geral, quase limando toda a vida na Terra.

Ainda não se tem certeza de como isso aconteceu. Das várias hipóteses, a que mais se aproxima do que ocorreu é a que defende que houve um festival de erupções vulcânicas em escala colossal, já que elas teriam liberado quantidades godzilianas de dióxido de carbono e dióxido de enxofre que teriam feito o favor de causar um aquecimento global sem precedentes. Só que novos dados fornecidos por esporos de samambaia sugerem que pode não ter sido só isso.

A drª Sofie Lindström é pesquisadora do Departamento de Estratigrafia do Instituto de Pesquisa Geológica da Dinamarca e da Groenlândia. Sofie gosta de coisa velha (mas não tanto quanto você) e, por isso, estuda o que aconteceu há cerca de 201 milhões de anos, no final do Triássico, num evento que três em cada quatro espécies na Terra foram pra vala. CAPUFFF!

Sofie está ciente da hipótese que vulcanismo tenha sido a causa da catástrofe, só que as informações que ela e sua equipe coletaram mostram que o aumento das concentrações de mercúrio; e por “mercúrio”, eu estou me referindo ao elemento. O velocista tomou um piau em Fênix Negra – o que acarretou numa fratura e num filme ruim –, e tomou uns tirambaços em Era de Ultron, porque ele podia ser veloz, mas era um idiota.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado aumento dos níveis de mercúrio do vulcanismo em uma Grande Província Ígnea (local de acúmulo de rochas ígneas em áreas extremamente grandes) durante a mais grave extinção em massa conhecida, a crise final do Permiano, em que quase 95% da vida na Terra foi pro saco

Outros estudos anteriores demonstraram concentrações elevadas de mercúrio em sedimentos de fronteira Triássico-Jurássico em uma área muito grande que se estende da Argentina à Groenlândia e de Nevada à Áustria, o que deixou a equipe curiosa sobre o impacto no evento Triássico Tardio. Mas como ter certeza? É aí que entram as samambaias.


Não essa.

Samambaias são plantas muito, muito antigas. Elas são pteridófitas (assim como avencas, xaxins e cavalinhas), e é aqui que plantas começam a apresentar vasos condutores de seiva, ainda que não tenham sementes, sendo a sua reprodução por meio de esporos, e são esses esporos que estão sendo analisados.

A equipe de Lindström analisou esporos de samambaias que viveram há 201 milhões de anos, encontrando uma ligação entre o aumento dos níveis de mercúrio e as mutações nos referidos esporos. Mutações ocorrem normalmente, mas como a mutação em determinada época estava mais intensa, os pesquisadores viram que tinha algo errado ali.


Clica que cresce!

O aumento nas mutações ocorreu durante um período de aumento da atividade vulcânica em uma grande província ígnea chamada Província Magmática do Atlântico Central, levando a níveis absurdamente altos de mercúrio. Como essa mutação é característica por envenenamento por mercúrio, que é uma toxina mutagênica, a ocorrência aumentada durante atividades vulcânicas pode ajudar a explicar a súbita deterioração do ecossistema. Portanto, os esporos de samambaia servem como indicadores de aumento de envenenamento por mercúrio e depois é só cruzar com os dados geológicos que evidenciam a extinção boladona

A pesquisa foi publicada no periódico Science Advances.

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