Aluno preso por ter feito um relógio e sido confundido com um terrorista

No lar dos bravos e terra dos livres, você tem a oportunidade de ser o que quiser, fazer o que quiser, construir seu brilhante futuro, rumo a um horizonte de oportunidades… mas só se você for da cor certa. Ter o sobrenome adequado também pode, ou ajudar bastante, ou ferrar sua vida de vez. Que o diga Ahmed Mohammed.

Qual o crime de Ahmed? Ele fez um relógio em casa. O azar dele? Ele mora no Texas.

Os EUA não é bem um país como o Brasil, que odeia Ciência e… tá bom, boa parte dos americanos acreditam em anjos, demônios e a Constituição deles foi fundada sobre os 10 Mandamentos, e somente cerca da metade acredita na Evolução. Sem falar que estamos no Texas! O Texas é uma Baixada Fluminense com permissão para carregar armas livremente.

Ahmed (e não Achmed), que nasceu com a etnia errada, a cor errada, o nome errado e no estado errado, gosta de fazer uns trecos em casa, no melhor espírito hobbyista. Construiu um relógio do zero, colocou numa maleta (convenhamos, ele foi muito inocente nessa, sabendo onde mora. Os pais foram idiotas, também) e levou pro colégio. Mostrou pro professor de engenharia, que gostou do projeto, mas como ele é de Exatas, sabia que ia dar merda e, por isso, falou para não mostrar aos outros professores. Talvez este tenha sido o seu erro, mas depois de tudo acontecido, fica fácil acionar o Capitão Retrospecto.

Na aula de inglês, o alarme do relógio tocou, o professor reclamou, Ahmed mostrou sua criação e este achou que era uma bomba, mas Ahmed disse que era apenas um relógio. O que aconteceu foi a insânia. Chamaram a polícia e ele foi pro centro de detenção juvenil e viu Faraday nascer quadrado.

Em Nova York Sitiada, o pânico com terrorismo chega a um ponto que até descarga de carro faz com que as pessoas se joguem no chão. Isso acarreta em medidas desnecessariamente rígidas, pegando as pessoas com a cor "errada" e mandando pro equivalente a um campo de concentração. Uma paranoia que está nos limites do absurdo.

Olhar um monte de treco eletrônico e já cismar que aquilo é uma bomba chega a ser o cúmulo do retardo mental. Mas, claro, isso porque qualquer um passaria por isso. Não é uma questão racista, certo? Talvez não, todos sabemos que muçulmanos são intimamente ligados a atos terroristas. Timothy McVeigh não me deixa mentir.

Ahmed tomou dois dias de suspensão por ser criativo, o tipo de punição que a massa ignorante dava aos criativos, inventores e inimigos do Estado. Quem é o inimigo do Estado}? Aquele que o estado determina que é inimigo, e como diria Voltaire, é muito perigoso estar certo sob um governo errado.

Ao ser interrogado, Ahmed sustentou que aquilo não era uma bomba, mas saiu do colégio com as mãos algemadas, como um criminoso comum. Um criminoso já julgado e sentenciado mediante a sua etnia. O porta-voz da polícia disse que o Departamento de Polícia não tinha nenhuma razão para achar que aquilo era realmente uma bomba, mas Ahmed não é loirinho do zoio azur. A genialíssima desculpa é que se aquilo fosse deixado num banheiro, seria facilmente confundido com uma bomba. Bem, se eu vir alguém vestido de dinossauro, fatalmente acharei que estamos sendo atacados por reptilianos, certo?

Esse é o mundo em que vivemos, esse é o mundo que construímos.


ATUALIZAÇÃO

De acordo com o The Verge, fizeram o “favor” de não acusarem Ahmed formalmente. Muito obrigado, pessoal. Muito obrigado por não acusar algo sem prova nenhuma, por causa da merda de um relógio que só faz beep e mostra as horas, bando de energúmenos. Enquanto isso, em Washington, DC:

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Fonte: Dallas Morning News

10 comentários em “Aluno preso por ter feito um relógio e sido confundido com um terrorista

      1. James Blake, ex-tenista americano que chegou a ser top ten do mundo, estava na porta do hotel esperando um transporte para ir para o US Open.

        Ocorreu um roubo nas imediações.

        A imagem mostra claramente Blake parado na porta do hotel. Parado.

        Do nada e não mais que do nada, aparece no vídeo um policial que voa no gogó do cara, joga ele no chão, joelho na nuca, e o algema.

        Só na delegacia viram que focinho de porco não é tomada.

        Ah, James Blake é “moreno”.

        http://globoesporte.globo.com/tenis/noticia/2015/09/ex-tenista-e-confundido-com-ladrao-e-algemado-em-hotel-de-ny-diz-jornal.html

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