Os mistérios da Primeira Grande Extinção

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Fragmento de exemplar do Alcorão talvez seja mais velho que Maomé. Talvez

O algoz pairava sobre as cabeças, ante das cabeças sequer existirem. Todos os que estavam abaixo não sabiam do perigo nos céus. Seus destinos estavam selados; o mundo jamais seria o mesmo depois da grande chacina que ocorreria quase em seguidas. Milhões de seres quase começaram a gritar, mas já eram silenciosas já naquela época, quando o oxigênio, este pérfido assassino, seguiu desapaixonadamente as leis da Química.

Esta é a história da primeira grande extinção em massa, e sem nenhum vulcão ou meteoro. Apenas uma simples molécula diatômica. É o Livro dos Porquês!

No ano de Nosso Senhor de Deus-sabe-quando, no período Ediacarano, da Era Neoproterozoica, do éon Proterozoico (há cerca de 630 milhões e 542 milhões de anos), o mundo conheceu a catástrofe. Não que meteoros caindo no quengo das pessoas fosse novidade, mas não foi um deles que fez a cagancha. O problema começou com organismos fotossintetizantes.

Quando a primeira célula tosca apareceu, ela tinha capacidade de autorreplicação, pois ela tinha herdado disso de um DNA tão tosco quanto ela, mas este DNA era capaz de fazer cópias de si mesmo. Alguns bons milhões… digo, bilhões de anos se passaram até que estes seres vivos começaram a extrair energia do Sol, através de reações químicas que empregavam sais minerais, água e gás carbônico. Legal, mas o problema é que a excreta disso é o terrível gás oxigênio.

O problema é que o gás oxigênio possui a segunda mais alta eletronegatividade da Tabela Periódica (só perdendo pro Flúor). Isto significa que ele é muito reativo, oxidante e destrói matéria orgânica, ainda mais sob a forma de radicais livres. Não havia atmosfera ainda, logo, nada filtrava os poderosos raios ultravioleta do Sol. Quando surgiu o oxigênio, veio outra coisa. Com raios acontecendo, esse oxigênio O2 era convertido para ozônio, O3. O que antes era ruim, a desgraça pegou carona num rabo de cometa, pois o ozônio é um agente oxidante muito mais forte. Assim, várias espécies de seres que nem faremos ideia que sequer chegaram a existir foram limados da face da Terra. A Seleção Natural dá, a Seleção Natural toma.

Até agora estava-se em dúvida se essa grande extinção foi apenas devido ao oxigênio ou algum outro evento cataclísmico, como armadilhas siberianas, vulcões, a minha sogra indo visitar o local etc.

O dr. Simon Darroch, da Universidade Vanderbilt, pesquisa o que aconteceu naquela época. A verdade é que ninguém tinha certeza se foi apenas o oxigênio que mandou quase todo mundo pra vala evolutiva. Para tanto, ele estuda a Biota Ediacarana.

Este grupo de seres vivos, que nem animais ou vegetais eram, formavam, um grupo de seres vivos de formato tubular e que ficavam paradões. Eles não nadavam, não andavam, e se tivessem uma TV com Netflix, não seriam nada diferentes do meu irmão. Como não se sabe direito como classificar estes seres bem rudimentares, só ficando na frente de comentarista de YouTube na escala evolutiva, preferiu-se denominar "biota".

Darroch e seus colaboradores fizeram uma extensa análise paleoecológica e geoquímica da comunidade ediacarana mais jovem conhecida, lá pelas bandas do deserto da Namíbia, na África. O sítio chamado Farm Swartpunt é datado em 545 milhões de anos. A diversidade de espécies encontradas naquele local foi muito menor, mas não havia evidência de maior estresse ecológico, do que em locais comparáveis ??que são 10 a 15 milhões anos mais velho. Ou seja, não havia evidência de algo grande caindo em cima. De acordo com a pesquisa, as rochas dessa idade preservaram uma diversidade cada vez maior de tocas e trilhas feitas pelos primeiros animais complexos, apresentando uma ligação plausível entre a sua evolução e extinção dos ediacaranos.

A pesquisa foi publicada no periódico Proceedings of the Royal Society B.

Claro, tudo isso evidencia pouca coisa e muitos malucos ainda acreditarão que a Terra tem apenas 6 mil anos e existem cobras falantes. Os fatos mostram outra coisa. Seres vivos que vem brigando ao longo do tempo para continuarem vivos, desastres que acontece por acontecimentos fortuitos, sem uma causa prima. A não ser que alguma entidade mágica seja indecisa e fique começando e recomeçando o mundo do zero várias vezes. Bem, o bom da ciência é que ela continuará com os fatos, mesmo que você não acredite neles.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

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