Fragmento de exemplar do Alcorão talvez seja mais velho que Maomé. Talvez

Em nome de Allah, o Clemente e Misericordioso, hoje, aos 17 dias do mês de Dhul-Qada, perfazendo 1436 anos desde o dia da Hégira, a fuga de Maomé (salallahu alaihi ua salaam) de Meca para Medina, leio sobre o teste de Carbono-14 em um fragmento de um manuscrito do Sagrado Corão. Curiosamente, a datação revelou que a feitura do mesmo seria de antes de Mohammed ter recebido a Revelação do Arcanjo Gabriel e ter recitado as passagens.

Não que eu acredite no relato mitológico islâmico (apesar de achar muito legal, confesso), mas há detalhes que as pessoas parecem não ter dado a devida atenção. Para isso você vem aqui, certo? Para aprender mais (além de escrever bobagens, mas só uns poucos fazem isso).

Uma cópia do Alcorão encontrada na Universidade Birmingham, na Inglaterra, foi levado para testes. Um fragmento mostrou que o pergaminho usado para a feitura do manuscrito precedia Maomé em alguns anos, e alguns já falam em "reescrever a história primitiva do Islã", mas isso é uma bobagem.

A datação por Carbono-14 do "Alcorão Birmingham" indica que a idade deste pergaminho aponta para sua origem entre 568 e 645 da Era Comum (e não do calendário islâmico e não. Jesus não dividiu calendário nenhum). Bem mais recente que a Bíblia, é claro, mas um tantinho mais velhinho que Muhammed, que teria vivido entre 570 EC e 632 EC.

Exatamente, nem livro é. Só algumas folhas

Não estou entendendo a celeuma, já que fica claro que a faixa de tempo pode muito bem permitir que este pergaminho seja da época de Maomé. Mas também pode ser antigo, certo? Sim e não.

O texto formal do Alcorão, tal como nós o conhecemos hoje (ou quase), data de 653 EC. Maomé mesmo não escreveu nada, assim como Mateus, Marcos e João não escreveram coisa nenhuma. Por isso são chamados "Evangelho Segundo Mateus" (ou Marcos ou João), e muito provavelmente não foram escritos por Lucas, mas como este escreveu Atos dos Apóstolos, não entra nessa soma, ainda mais pelos erros gritantes dos textos de Lucas, que só ficou na base da entrevista de gente que conheceu gente num telefone-sem-fio teológico.

No caso de Maomé, seus ensinamentos eram orais (e isso soou esquisito, mas não é problema meu). Seus discípulos que escreveram tudo. Dessa forma, pro Alcorão existir, Maomé teria que ter vindo primeiro, mas o redator dos referidos fragmentos bem que poderiam ter sido escritos antes de Muhammed. Mas se Muhammed é o fundador do islamismo, então, como esse manuscrito pode ter essa datação?

Muito simples: o pergaminho já existia antes do manuscrito ter sido escrito a mão lá.

Primeiro de tudo. O que é um pergaminho? Pergaminho não é papel, não vem sequer de origem vegetal. É de origem animal: ovelhas. Sua pele é retirada, esticada, curtida e tratada num processo artesanal (estamos no iniciozinho da Idade Média, gente). Isso era caro, muito caro. Por isso, existem poucos livros dessa época, e é por isso que não temos os originais dos Evangelhos, só a cópia da cópia da cópia.

Depois de fazerem as folhas, elas eram escritas já dando espaço para serem decoradas depois. Sim, os escribas antecederam o PageMaker. Eram decoradas e pronto. Livro prontinho, certo? Errado! Não havia livros como temos hoje. Sequer tinham capa. As folhas eram juntadas e enroladas. Como esse processo era carinho e demorado, e alguns textos só tinham uma folha, eles eram guardados juntos. Eram os códex. O "livro" tinha que ser bem extenso para ser só ele num rolo todo. E muito mais tarde que surgiram as capas. As primeiras eram de madeira, depois foram se sofisticando.

O problema, como falei, é que o pergaminho era muito caro. Então, quando se queria escrever algo e estava-se sem din-din para comprar mais pergaminhos, o que os espertões faziam? Metiam o estilete e raspavam o que estava escrito lá, para dar lugar a outro texto (claro, o serviço nunca ficava perfeitinho e dá pr ler o que tem debaixo do texto mais recente, nem que seja com equipamentos especiais). O nome disso é "palimpsesto", do grego "aspar de novo". Um bom exemplo disso é o Codex Ephraemi Rescriptus.

Para vocês terem uma ideia, um antigo texto foi descoberto e, depois de analisado, encontraram várias inscrições meio apagadas contendo diagramas, textos, desenhos etc. Qual a data dele? Bem antiguinho, porque o texto que está lá é de um certo camarada Chamado Arquimedes, e aquele é um palimpsesto do seu livro: O Palimpsesto de Arquimedes. E isso também nem seria novidade com o Alcorão, já que em 1972 foi descoberto o que foi batizado como Palimpsesto de Sana’a.

Estão debatendo se a datação está correta. Mesmo que esteja (e sempre teremos algum erro, embora datações nunca são feitas por um único método sem contra-prova por outro), isso significa apenas que o pergaminho é antigo, mas em nada significa que seja mais antigo que Maomé, apesar do muito que é encontrado lá podemos achar em outros textos mais antigos, pois nenhuma cultura surge PUF! do nada. haja visto os trocentos mitos de dilúvio semelhantes (mas nunca igual) ao relatado na Bíblia. Sem falar que a ideia de uma chuvarada arrasando tudo é comum em locais em que chove muito, como a Índia na época das monções e no Rio de Janeiro, na época do descaso político.

Até agora, nenhum teste foi feito na tinta. Estamos no aguardo, e mesmo que comprove que é do tempo de Maomé sabe o que prova? Não muita coisa, ou os textos da Ilíada provariam que Zeus mandou Posseidon construir as muralhas de Troia (que existiu, por sinal). No máximo que os ensinamentos de Maomé eram baseados num texto que já existia. Liturgicamente, isso não vai alterar muita coisa, já que fanáticos nunca deram bola para ciência, mesmo. Sendo aceite, não creio que um muçulmano inteligente vá perder a fé por causa disso.

Ahá! Isso significa que a datação do Santo Sudário não prova que ele é uma fraude, certo?

Você está esquecendo que o Sudário foi datado como sendo DEPOIS de Jesus, e não antes. E mesmo assim, não faziam palimpsestos de panos de defuntos. Tente de novo!


Fonte: The Australian News

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