Como voar sem gravidade (ou quase nada de gravidade)

Um reino tão vasto cujo Sol nunca se põe
Quando pesticidas matam abelhinhas, quem poderá salvá-las? Aranhas!

Um dos artigos que mais gostei (dentre uma saraivada deles), é o da Kate Upton em microgravidade. Aliás, não foi só eu. Muita gente adorou o artigo, ao ponto até de "se inspirar" nele. O voo parabólico é uma das coisas mais maneiras que existem e não é coisa recente. Ele sempre foi usado para o treinamento de astronautas, mesmo quando ainda não havia efetivamente astronautas, mas sem ele não haveriam astronautas.

Imaginem o seguinte: se hoje o treinamento para um astronauta é rígido, como seria o treinamento para o início dos anos 1960, quando Kennedy lançou a corrida espacial (que, DE FATO, os EUA chegaram atrasados em tudo, e só foram primeiro à Lua, porque a URSS nunca teve intenção de mandar ninguém pra lá). Entre testes de paraquedas, quedas e ações centrífugas, como seria o comportamento de seres vivos em ambientes com microgravidade (NÃO É GRAVIDADE ZERO!!!!!)?

Só o LIVRO DOS PORQUÊS para nos explicar.

O vídeo a seguir é um trecho de um documentário feito pela Força Aérea dos Estados Unidos, através da Divisão de Medicina Aeroespacial, com pesquisas no Laboratório de Medicina Aeroespacial, que fica em Dayton, Ohio. Desde gatinhos fofuxos "flutuando" (eu sei!) até pombos, vemos como são os efeitos da perda de referencial inercial:


Hipster USAF já postava vídeos de gatinhos antes de ser moda!

O problema da corrida espacial era: "O que diabos acontece com os corpos em condições que sequer sabemos direito quais são?" Por isso, surgiu a Bioaustronáutica, a área que mistura bioengenharia, medicina, psicologia, física e "ai meu Deus do Céu, estou enjoadblueeeeeeeeeeeergggh"

Era preciso entender o que aconteceria com o corpo em microgravidade e, para isso, era preciso entender, entre outras coisas, como a falta de referencial inercial afeta os seres vivos.

Gatos, como vocês sabem, sempre caem de pé. Isso porque ele felinamente retorce o corpo para que possa cair em suas 4 patas, tocando as patas da frente no chão primeiro, amortecendo o impacto (imagem à esquerda, né?)

Da mesma maneira que nós, humanos, gatos precisam de algum referencial para ajeitarem o corpo e usam sua própria noção de peso (sim, peso, pois é a sua massa submetida a uma aceleração gravitacional) de forma a tomarem posição para a queda.

O problema é que eles não têm a percepção de peso quando há falta de gravidade (ou tão pequena que se torna desprezível). Assim eles ficam se retorcendo pra tudo que é lado. Eles veem o chão, mas não é "o chão" pra eles., pois ao olhar pro teto do avião, veem "outro chão".

No caso dos pombos, eles se orientam por uma bússola magnética em suas próprias células. Eles conseguem a direção norte-sul, mas isso não significa muito quando você precisa de ter peso para poder medir quanta força precisa fazer nas asas. Assim, eles ficam também se debatendo e por causa da Lei de Ação-Reação, eles vão pra todo lado. É muito engraçado, ainda mais que não sou eu que fico lá querendo ir pra um lugar e meu corpo leva pra outro, meio quando a gente está de porre.

que engloba vários aspectos de interesse biológico, comportamental e médica rege os seres humanos e outros organismos vivos em um ambiente de vôo espacial; e inclui a concepção de cargas, habitats espaciais e sistemas de suporte de vida. Em suma, ele abrange o estudo e suporte de vida no espaço.

A Bioaustronáutica tem um interesse do ponto de vista biológico sobre como esses efeitos afetam o Homem. O problema, como foi falado, é criar aparelhos para simular este efeito, e não, a NASA não tem como ter máquinas antigravidade e somos um pouquinho maiores que sapos para "flutuarmos" em um campo magnético boladão.

Criamos centrífugas, tanques com água, voos parabólicos e outras engenhosidades. Mas nada simula inteiramente um ambiente tão extremo quanto o Espaço. Mais do que isso, engenheiros tiveram que pensar em problemas antes que se fizesse ideia que existissem estes problemas (e para um engenheiro, tudo tem problemas, nem que se crie algo que possa previamente ter problemas previstos. São criaturas estranhas, esses engenheiros).

Assim, com assentos ejetáveis, os para-quedas tinham que abrir independente do piloto acionar ou não; e, cá pra nós, já provamos que na maioria das vezes fazemos as piores escolhas nos piores momentos. Melhor deixar no automático, exceto se você for Neil Armstrong que pousou a Apolo XI na mão grande no melhor tipo "dá esta bagaça aqui. Flanelinha é o cacete!"

O Universo é inóspito.Ele não foi feito para os seres humanos. Se não tivéssemos moldado nosso planeta, também já não estaríamos aqui, indo para a vala da extinção, junto com trocentas outras espécies, que sequer temos o menor vislumbre de todas elas.

Todo mundo fala sobre o Sol, mas sem a gravidade do jeito que é em nosso próprio planeta, também não seríamos o que somos hoje, não teríamos conseguido desenvolver muitas tecnologias. Talvez tivéssemos desenvolvido outras tecnologias, talvez não. Não sabemos, nem acho tão importante assim esse tipo de elucubração. As forças gravitacionais do planeta existem e aprendemos a lidar com elas, assim como estamos aprendendo a lidar com outras forças fora dela. Somos inventivos, inteligentes e capazes de criar máquinas maravilhosas e executar ações que outros animais não podem, mas que se saem extremamente superiores em seus habitats (tente correr de um leão numa savana africana e me diga se não tenho razão…. se sobreviver, claro).


Fonte: io9

Um reino tão vasto cujo Sol nunca se põe
Quando pesticidas matam abelhinhas, quem poderá salvá-las? Aranhas!

Sobre André Carvalho

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