Quando pesticidas matam abelhinhas, quem poderá salvá-las? Aranhas!

Todo mundo anda preocupado com abelhas. Eles praticamente estão se tornando os pandinhas, com a diferença que pandas só servem para modelos de bichinhos de pelúcia, enquanto os insetinhos do bem são responsáveis pela polinização de muitas flores (mas não todas elas).

O problema é que nossa agricultura é extremamente dependente de pesticidas, ou as pragas (que são uma praga!) mandam todas as plantinhas felizes ro ralo. Só que estes pesticidas mandam as abelhinhas pro ralo. Apenas dona Aranha poderá nos ajudar (ou quase isso).

Quatro pesticidas comumente utilizados em culturas para matar insetos e fungos também matam as larvas das abelhas dentro de suas colmeias, conforme uma pesquisa de pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia (mais conhecida como Penn State). De acordo com o trabalho do dr. Jim Frazier, do Departamento de Entomologia da Penn State, substâncias como o N-metil-2-pirrolidona, utilizado como um aditivo de pesticidas, é altamente tóxico para as larvas das abelhas, mandando as coitadinhas para Céu que faz Zum-Zum. They are dead, Jim.

Frazier critica que a segurança de pesticidas é medida quase inteiramente sobre a sensibilidade das abelhas adultas, mas deixa de lado o que acontece com as formas larvais das coitadinhas.

A pesquisa do dr. Frazier foi publicada no periódico Plos One, mas nem tudo está perdido, enquanto outros pesquisadores buscam alternativas, como um pesticida baseado no veneno de uma aranha. Apesar de ser um severo veneno contra pragas e insetos que não deveriam estar ali, naquele local, ele parece ser inofensivo para as abelhas. Assim, pulgões e lagartas podem muito bem ir encontrar o desenhista que os planejou, mas abelhas mostram o dedo médio e dizem "tchau pra vocês!" (sim, eu sei que abelhas são biologicamente incapazes de fazer isso. Elas são educadas).

A drª Angharad MR Gatehouse é professora de Biologia Molecular de Invertebrados da Faculdade de Biologia da Universidade Newcastle, no Reino Unido. Sua pesquisa enfoca em como pesticidas atacam insetos polinizadores (não necessariamente abelhas), sugerindo como estratégia o uso de proteínas de fusão recombinantes contendo peptídeos neuroativos, algo simples e que você não faz a menor ideia do que seja, perguntando-se se com molho shoyo fica gostoso. Dica: não fica. Nada fica gostoso com molho shoyo. Molho shoyo [e uma porcaria. Não sei como alguém come algo com molho shoyo.

DÁ PRA PARAR DE FRESCURA E ME DIZER QUE BOSTA É ESSA DE PROTEÍNA DE FUSÃO DO CACETE A QUATRO????

Gente chata, vocês, viu?

Uma proteína de fusão recombinante é uma proteína criada através de engenharia genética de um gene de fusão, isto é, um gene híbrido que foi formado a partir de pedaços de dois genes diferentes. Pega-se estes pedaços e "funde-se", formando um gene novinho em folha. CLARO, isto é uma explicação bem simplista.

Eu posso recombinar estes legos de genes, de forma que a proteína que ele codifica seja diferente, de forma a fazer o que eu quero que ele faça, produzindo a proteína que eu quiser. Genes de fusão podem ocorrer naturalmente no corpo por transferência de DNA entre cromossomos, mas não é o caso aqui. Eu que manipulo (muahahaha) estas estruturas químicas, através da combinação de genes ou partes de genes a partir do mesmo ou de diferentes organismos. Sim, cientistas brincam de Frankenstein Genético, às vezes!

A proteína de fusão em questão foi retirada do veneno de aranhas, e que consiste de um bloqueador dos canais de cálcio derivados de veneno de aranha. Como bons sádicos que são, os pesquisadores bombardearam as pobres e éticas abelhinhas com doses absurdas da toxina que produziram e o resultado foi… Nada.

Os venenos de aranhas paralisam insetos que caem em suas teias, de forma que eles fiquem quietinhos enquanto Dona Aranha sobe pela parede e vem devorá-los, da maneira mais ética possível. Esse veneno ataca os canais de cálcio; eles são os responsáveis por controlar como entra o cálcio (duh!) pelas membranas das células nervosas e musculares. A ação resulta no descontrole de como o cálcio age nessas células, o que pode acarretar em contrações musculares ou excitação de neurônios (UI!). Se for de forma descontrolada, o insetinho meio que tem uma parada cardíaca e se vê em palpos de aranha, se me permitem o trocadilho (se não permitirem, azar. Já foi!)

Para os pesquisadores, os resultados sugerem que, em abelhas, a proteína de fusão malvadinha, devidamente produzida por genes de fusão especificamente criados para isso, não age nos canais de cálcio das membranas neurais das abelhas como faz em outros insetos. Não fizeram nem cosquinha nas abelhudas; e, com isso, pode-se ter algo que possa protegê-las de serem brutalmente assassinadas pelo pessoal que aplica os pesticidas nas lavouras.

A pesquisa foi publicada no periódico Proceedings of the Royal Society B

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