Entre exoplanetas, vida e viagens espaciais

Para começar, o que é um exoplaneta? É de comer? Seria, mas só se você fosse o Galactus. Um exoplaneta é, como o nome diz, um planeta "de fora", planetas bem longe, que orbitam outras estrelas, tendo seu próprio sisteminha. O primeiro a ser descoberto foi o HD 114762 b, em 1989, e situado na constelação de Comma Berenices, a uma distância módica de 132 anos-luz, oque em termos leigos significa "longe pra cacete!".

Mas e os outros? Vamos saber um pouco mais no LIVRO DOS PORQUÊS.

Atualmente, o número de exoplanetas superou o número milhar. Cientistas pesquisam exoplanetas por um motivo simples: saber se tem alguém por lá. Os mais interessados fazem parte do pessoal do SETI, o programa de busca por inteligência extraterrestres, já que buscaram alguma forma de vida inteligente durante a prova do ENEM e se sentiram desmotivados. O lance, então, é mirar radiotelescópios para o céu.

O problema é que para você buscar vida, é preciso buscar um planeta, já que bactéria fossilizada flutuando (sim, eu sei) no frio éter do Espaço não é lá algo de supremo interesse. O HD 114762 b é legal e tudo. Mas é meio "meh!", se me compreendem. Em toda a galáxia, com bilhões de estrelas, encontrar um planeta seria o mais que óbvio. E, para ser sincero, o HD 114762 b não seria de muito interesse apenas (frise-se) por ser um exoplaneta. Ele é um gigante gasoso, tal como nosso Júpiter. Vida lá, como conhecemos aqui, já é muito improvável, quanto mais vida inteligente que disponha de tecnologia; afinal, golfinhos são inteligentes, mas a capacidade deles construir uma lança, por exemplo, é nula. Se você pensar um pouquinho, vai saber porquê. Já orangotangos, chimpanzés e bonobos têm inteligência e conseguem fazer ferramentas, mas uma vara de pescar está um pouco longe de um radiotelescópio.

Frank Drake, além de homônimo de um pirata, criou a famosa equação de Drake, que é expressa da seguinte maneira

N= R*. fp . ne . fl . fi . fc . L

Onde: R* representa taxa anual de formação de estrelas na Via Láctea; fp, a proporção de estrelas que possuam planetas; ne, o número de planetas potencialmente habitáveis por espécies vivas; fl, a proporção de planetas habitáveis onde a vida realmente se desenvolveu; fi, a proporção, entre estes planetas, daqueles que têm vida inteligente; fc, o número de civilizações dentro deste conjunto que têm tecnologia para se comunicar com outros planetas; e L, o tempo de vida dessas civilizações em que seus sinais estariam detectáveis no espaço.

A Equação de Drake é um bom exercício mental, mas, convenhamos, é um grande PALPITE. Não sabemos o que acontece lá fora. Não conhecemos todos os fatores e variáveis caóticas na formação da vida, no desenvolvimento desta vida, no processo evolutivo desta vida e no grau de desenvolvimento desta vida. Não sabemos os fatores que podem influenciar no desenvolvimento, como um meteoro ou um vulcão de mau-humor. Por mero acaso ainda não caiu um meteoro do tamanho daquele que caiu em Yucatán depois que construímos a nossa civilização. Já basta desastres naturais mandando sociedades inteiras pro ralo, como o que aconteceu em Pompeia. Não conhecemos todas as sociedades, civilizações ou impérios que ascenderam e desapareceram nas brumas do tempo, bem como não sabemos todos os detalhes das sociedades, civilizações, e impérios que já conhecemos.

A Equação de Drake é, portanto, um exercício de imaginação, mas não ha nada de errado nisso. Einstein cansou de fazer experimentos mentais, ele não elaborou nenhum experimento físico. Outros fizeram isso e… bem, acabaram comprovando que o tio descabelado mais famoso da Física estava certo (se bem que também provaram que ele estava errado, quando ele desdenhou da Mecânica Quântica e do trabalho de Lemâitre).

O número de exoplanetas que foram descobertos em estrelas distantes superou 1000, talvez realmente haja vida lá… ou não. Não sabemos. Não sabemos nem se eles desenvolveriam tecnologia similar á nossa. Pensem bem: eu lhes dou uma fita de vídeo-cassete e eu quero ver cada um de vocês conseguir ver o que tem lá gravado. O inverso? Eu vijo no tempo com um Blu-ray para 15 anos no passado e quero ver quem conseguiria ver seu conteúdo. Um jogo para Commodore 64 rodando num i7, com trocentos giga de memória e HD estupidamente gigante?

Outro problema é que as informações saem daqui usando a velocidade da luz e demorarão ANOS (ou mesmo séculos) para chegar aos seus destinos e vice-versa. Nossos amigos ETs podem já ter mandado uma mensagem, nem que seja algo como "TIRA A MÃO DAÍ, PORRA!!"

Em 2007, foi descoberto o primeiro exoplaneta com condições de ser habitável. Claro, isso segundo nosso padrão, ninguém disse que tenha que ser "O" padrão. Fora que ainda temos o sistema da estrela Kepler 7. Abaixo, um infográfico com os principais exoplanetas já encontrados:

Você sabe o que é pra fazer!

De repente, como disse o próprio Carl Sagan, alguma sociedade teria que desenvolver a tecnologia primeiro. Por que não a nossa? Os dados da sonda Kepler ainda contêm 3500 ou mais "eventos", que pode significar a presença de planetas em torno de estrelas distantes, que ainda não foram examinados pelos cientistas. Vocês sabem, a porcaria da galáxia é imensa, mas não as verbas de pesquisa, ainda mais com o shutdown feito pelo governo dos EUA. Brasil? Vamos deixar isso de lado, ok?

O número de exoplanetas só irá crescer e os radiotelescópios apontarão para eles. Estamos ainda no início das pesquisas, mas renegá-los seria o mesmo que negar a Fernão de Magalhães, Cristóvão Colombo, Vasco da Gama, Américo Vespúcio e Neil Armstrong a busca de novo mundos. E não, acabar com esta pesquisa não melhorará a vida das pobres criancinhas do Instituto Royal ou dos beagles da África. A Ciência não pode parar, apesar do pessoal que ainda tem mentalidade da Idade Média.

A cada linha de informação descoberta, acrescentamos na Enciclopédia de Planetas Extra-solares, bem como ao imenso corpo de conhecimento que chamamos Ciência. Não temos todas as respostas, nunca teremos, mas cada planeta novo é algo a mais, assim como cada conhecimento novo aumenta o número de nossas sinapses.

Se algum desses planetas têm vida inteligente, talvez não saibamos nunca. Talvez eles já tenham aparecido, vivido e se extinguido, talvez, como disse Sagan, realmente somos os primeiros. Mas tudo começa em procurar um lugar num cantinho. Um cantinho bem pequeno deste vasto universo. Um cantinho chamado "Via Láctea".

3 comentários em “Entre exoplanetas, vida e viagens espaciais

  1. Hoje, acredito, somos como as pessoas que viviam antes da época das grandes navegações.
    Sabemos que existe muito mais coisas no universo mas não podemos ir até lá e ver.

  2. Quando imaginamos vida em outro planeta, sempre é parecida conosco, veja os filmes, quase sempre humanoides, viajam em veiculos de metal, e ralizando pesquisas científcas. Mas se num só planeta, a vida desenvolveu em formas tão diferentes como fungos e pessoas, por que a vida fora da Terra, tem que ser tão parecida com a daqui? Será que alienigenas desenvolveriam tecnologia? Explorariam o espaço? Teriam capaciade de se movimentar? De se comunicar? Seriam formados de carbono? Seriam sólidos?

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