Astronauta chinesa faz no Espaço o que professor brasileiro deveria fazer nas escolas

Vamos ser sinceros. O ensino de Ciências no Brasil é uma sonora bosta. Nem tanto por culpa de professores, apesar que muitos dos "professores" são pedagogos e pedagogo falando de Ciência consegue ser algo pior que jornalista do G1. Poucos se salvam. Só que chineses gostam de Ciência, e, por isso, mantém um projeto onde astronautas dão aulas para crianças direto do espaço. Aqui no Brasil? Bem, vamos para a notícia da chinesa.

Wang Yaping nasceu em 27 de janeiro de 1980 (se bem que há controvérsias nessa data), na cidade de Yantai, na província de Shandong, na China. Ela é piloto da Força Aérea da China, com a patente de capitão, treinada para mandar bala nos imperialistas. Como a China é um país comunista que adora capitalistas (obrigado por existir, Deal Extreme), Wang foi recrutada para o projeto espacial, se tornando uma astronauta. Aliás, há algum nome afrescalhado para "astronauta" na China, já que na Rússia são chamados de "cosmonautas"? Wang só não foi a primeira astronauta feminina da China pois Liu Yang tinha melhores conexões com o Partidão e acabou sendo a primeira onde qualquer posição que você tenha não importa, o que importa é ficar no topo de uma bomba movida a hidrazina com combustão controlada. Algo que costumam chamar de "foguete".

(curta reflexão: Wang Yaping parece ser como José da Silva. Olhem só quantos! Se bem que estamos falando da China, é claro.)

Na quinta-feira passada (20/06) Wang deu aula de Ciências a bordo da nave espacial Shenzhou X, que foi retransmitida ao vivo. Número de seu público? 60 milhões de crianças, oque deve ser um único colégio na China. É a primeira vez que a China fez este tipo de atividade no espaço.

Marcos Pontes fez o que, mesmo?

Imaginem só a magia: você dando aula de Física básica para milhões de estudantes de seu país… e para o mundo. Nossas fronteiras deixaram de existir, o Espaço é a fronteira final. Nossos sistemas de comunicações destruíram muros e fronteiras criadas aleatoriamente. Podemos ver cientistas a muitos quilômetros de nós, na vertical, nos ensinando coisas básicas que deveríamos aprender nos colégios. Isto é muito importante, pois aí aprenderíamos, ao contrário do pessoal do Terra, que no espaço não existe gravidade zero e sim microgravidade (ou, mais corretamente, imponderabilidade), e as coisas não flutuam lá (jornalistas do Terra: vocês deveriam ter prestado atenção na professora Wang, para não escrever besteiras).

Como? Ficou com vontade de assistir a aula de Wang sobre pêndulos, gravidade, giroscópios etc? Do alto de meus poderes, eu vos dou… o YOUTUBE!

Marcos Pontes fez o que, mesmo?

No Brasil, não temos o hábito de dar aula de Ciência e sim de alguns fatos isolados e com pouca relevância enquanto fatos isolados. Ciência é feita de fatos, como uma casa é feita de tijolos. Mas um punhado de tijolos não é uma casa, assim como um punhado de fatos não é Ciência. Infelizmente, quem decide o que professores de Ciências lecionarão não é professor de Ciência e sim aquela ralé que não faz sequer ideia do que é Método Científico. Nem falo nada sobre Ensino Médio, pois sabemos que Ensino Médio no Brasil é para adestrar alunos a prestar vestibular, ou nem isso se levarmos encontra o ensino público.

Não vejo, tampouco, cientistas doando um pouco de seu tempo para trazer um pouco de seu trabalho para crianças e jovens em geral. Ficamos à mercê de colunas de ciência nos jornais naquele nível que eu vivo "elogiando" ou então o Gleiser falando besteira sobre Evolução. Quando foi que um pesquisador na Antártida falou com algum colégio? Temos internet, Skype etc. Qual é o problema?

A verdade é que muitos "cientistas" não entendem que, sim, eles devem suas pesquisas à população, pois os financiamentos do CNPq não são dados pela Fada Madrinha. E mesmo que viesse da inciativa privada, a função do cientista é não só angariar conhecimento, mas fazer com que este conhecimento chegue até a população, ou então ainda estaríamos comendo carne crua, pois o fogo é importante demais para sair dos laboratórios.

Wang Yaping encantou os meus olhos com seus experimentos, pois despertou minha curiosidade infantil. A curiosidade de saber como é viver no Espaço, sem ter que ficar imaginando através de histórias em quadrinhos ou filmes de ficção, com todos os erros e exageros característicos. Enquanto isso, o Marcos Pontes fez… nada, lamento, mas nada!

A capitã Wang Yaping não ficou afastada a quilômetros das pessoas aqui, sentada num trono inexistente em pleno Universo. Ela trouxe o Universo até nós, e isso faz toda a diferença.

9 comentários em “Astronauta chinesa faz no Espaço o que professor brasileiro deveria fazer nas escolas

  1. “Aliás, há algum nome afrescalhado para “astronauta” na China, já que na Rússia são chamados de “cosmonautas”?”

    Há. É Taikonauta.

  2. Acho que vou começar a estudar mandarim. Parece que os chineses vão dominar o mundo.

    Pergunta: algum astronauta americano já deu aula do espaço sideral?

  3. O Ensino Médio é, atualmente, meu mais sombrio pesadelo e minha mais sórdida realidade. O slogan do meu colégio, aliás, é “Passar na Federal não tem mágica. Tem Acesso”, o que me faz inteiramente obrigado à uma cusparada de decorebas para o vestibular. Já estudei em quase uma dúzia de colégios ao longo de minha vida acadêmica, e o tão vangloriado ensino particular (o tampa-buraco brasileiro) jamais me surpreendeu. A educação no Brasil não é precária apenas em suas ramificações bancadas pelo Governo, ou seja lá o que for, é a podridão em todos seus campos.
    A propósito, meu professor de Física é um paraibano recém-saído de uma universidade também paraibana. É um motivo perfeito para cair em prantos. Black power, faixas de cabelo aleatórias, bandeira do Brasil envolta ao corpo, um sotaque que me irrita, tênis de escalada e uma disposição regada a fogo no ânus que broxa qualquer curitibano em seu ápice de animação. E, particularmente, isto me é tão difícil de acreditar quanto às primeiras palavras da Bíblia Cristã, mas o e-mail desse professor é “discipulo_de_cristo”.
    Minhas esperanças às utopias patriotas.

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