As muitas maravilhas de Angkor

Médiuns de araque passam vergonha na Inglaterra
Sandy é filmada por paparazzo espacial e está de mau humor. FLY YOU FOOLS!

Heródoto viveu lá pelo século V A.E..C. Uma espécie de mochileiro que vagou por muitas partes do mundo. registrou muita coisa em suas viagens e viajou muito em seus registros, falando de deuses e criaturas míticas como se fossem reais. Ele elaborou uma lista de 7 obras que são conhecidas até hoje como As 7 Maravilhas do Mundo (do mundo antigo, claro). Não foi culpa de Heródoto que ele não tivesse visto estátuas budistas tão enormes (procurem no Google Imagens por "huge buddhist statues") ou mesmo estátuas hinduístas colossais (procurem por "huge hinduism statues" e vejam como o Cristo Redentor é ridículo perto do que você encontrar).

Heródoto registrou o que viu e o que viu são, sim, maravilhas… mas há outras tão ou mais maravilhosas, mas que não foram vistas pelo grego mochileiro. E uma delas é Angkor. Abram o Livro dos Porquês, no capítulo de História.

Entre o século IX e o século XV, na região que compreende o Camboja, Tailândia, Laos e parte do Vietnã, havia um império que mandava e desmandava na região: o Império Khmer. Sim, o termo "Khmer Vermelho", daquele analfabeto, iletrado, inculto e tosco Pol Pot, que era inimigo de tudo que fosse mais culto que um analfabeto de AK-47 nas mãos, vem daí, numa irônica referência a uma nação grandiosa, com uma arquitetura sublime e um planejamento urbanístico que me faz chorar cada vez que eu passo pela Zona Norte do Rio.

Vindos de várias, desde muito longe como a China em sua Rota da Seda, o Khmer acabou construindo-se numa miríade cultural, forjando a sua própria sociedade, tendo o Budismo como alicerce religioso.

Como nenhum império surge do nada, Angkor floresceu desde uma simples vila, que se organizou e montou o princípio de qualquer sistema econômico: autossustentabilidade. Para tanto, eles precisaram arrumar comida e conseguiram isso por meio da agricultura. O império começou no governo de Jayavarman II (790 E.C. – 850 E.C.), que construiu 54 templos e estabeleceu sua capital em Hariharalaya. Mas foi no reinado de Suryavarman II, que o templo principal Angkor Wat foi construído. Aliás, "Angkor", em sânscrito (língua falada na região) significa simplesmente "cidade".

O templo dedicado ao deus Vishnu, um dos membros da Santíssima trindade hindu (Brahma, Vishnu e Shiva) é tão importante para a cultura e nacionalismo do povo que lá vive que ele adorna a bandeira do Camboja.

Angkor é uma preciosidade de belissimo, mesmo em suas ruínas. Sabemos muito sobre ele graças às cartas do diplomata chinês Zhou Daguan, que passou cerca de 40 dias em Angkor, no ano de 1296. Daguan registrou passeios, desfiles e como era a cidade em sua época. Se André fosse um deus bondoso, nós poderíamos ler o diário de Zhou Daguan em mãos e folhear cada página e reconstruir a memória do bom diplomata. Bem, senhores, eu não lhes dou Woldercan, mas lhes dou a Amazon com o livro que pode ser adquirido por apenas, APENAS, 23 dólares. Na iBook Store não tem este livro, mas tem o Journey to Angkor de Michael Joseph a 2,99 dólares. Ah, sim, ia esquecendo. Ele está na categoria "Homossexual". Sem maiores comentários de minha parte.

Angkor é tão colossal quanto as pirâmides, mas ao seu jeito, já que não há pirâmides ali, embora os templos tenham sido construídos com pedras cortadas, lavradas, esculpidas e decoradas. Cada uma com mais de uma tonelada e é nesse momento que algum maluco de cabelo esquisito aparece dizendo: ALIEEEEEEEEEENS.

Para sustentar um império é preciso de comida. E comida demanda ter fontes de água e reservas de água é uma das principais preocupações de governantes, exceto se forem políticos brasileiros. Coo Angkor não estava à sorte, descendo ladeira sem freios, era preciso ter um modo de fazer irrigação e garantir abastecimento de água para consumo. Pesquisas recentes descobriram uma série de canais com aproximadamente 86 km de extensão, com dados obtidos por satélites. Esses canais, segundo pesquisa conduzida pelo dr. Etsuo Uchida, da Faculdade de Ciência e Engenharia da Universidade Waseda.

Em sua pesquisa, o dr. Uchida concluiu que toda canalização de água não só servia para abastecimento de água, como para transporte e foi assim que os imensos blocos de pedra puderam ser transportados. A pesquisa foi publicada no periódico Journal of Archaeological Science.

A pesquisa pode ajudar a explicar como o enorme templo de Angkor Wat foi construído com seus impressionantes cinco milhões de toneladas de arenito, e em "ridículos" 35 anos, apesar de estimativas de que devia ter tomado várias centenas usando a tecnologia disponível na época. Tecnologia de transporte é tudo e bem se parece em como os egípcios traziam suas enormes peças de calcário da pedreira de Assuã.

Uchida não tem a menor dúvida que os canais foram construídos especificamente para o transporte de blocos de arenito, já que o ambiente em volta não é muito agradável para rraster imensos blocos de pedra e se algum maluco disser que um OVNI trouxe peça por peça, só lhe resta ser escarnecido.

Como todo império, ele nasceu, floresceu e encontrou seu fim. Não se sabe ao certo o que aconteceu com o Império Khmer, se foi por guerra ou desastre natural. Os Budas e as Apsaras lá esculpidos não contam seu segredo. A teoria mais aceita é que eles foram invadidos por Ayutthaya.

Hoje, Angkor está protegido como Patrimônio Mundial da Unesco. Eu gostaria de visitá-lo, de tocar em suas paredes e visitar as bibliotecas que já não contém mais livros, pois ele mesmo é um livro duradouro, escrito em rocha, bastando ter vontade de ler oque cada linha, cada rachadura, cada entalhe tem a contar sobre sua história.

Nossos marcos hoje são efêmeros e não resistirão à prova do tempo. Angkor está lá, iluminado pelo deus Surya, de dia, e acalentado à noite por Chandra. Indra, o Senhor dos Céus, abraça Angkor e o tem protegido por todos esses séculos, e enquanto Vishnu, a quem Angkor é consagrado, for a deidade responsável pela ordem e equilíbrio, Angkor e todo o complexo do antigo Império Khmer brilharão ali, no Oriente Distante, mostrando o quanto somos ridiculamente pequenos e nossa civilização é porcamente resplandescente frente à sabedoria dos Antigos.

Madama mohana murari. Haribol! Haribol!


Fonte: New Scientist

Para Saber mais:

Médiuns de araque passam vergonha na Inglaterra
Sandy é filmada por paparazzo espacial e está de mau humor. FLY YOU FOOLS!

Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας

Quer opinar? Ótimo! Mas leia primeiro a nossa Polí­tica de Comentários, para não reclamar depois. Todos os comentários necessitam aprovação para aparecerem. Não gostou? Só lamento!