15 de outubro… Ah, você já sabe

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Em algum momento da história da Humanidade, resolveram que as pessoas tinham que aprender alguma coisa. Não só que sementes dificilmente brotarão se não forem enterradas em terra úmida, como fazer uma pirâmide com o lado maior para cima não era uma boa ideia. As pessoas precisavam daqueles com os quais podiam sempre contar. Construíram locais de aprendizado e, é claro, havia crianças por pertos. Local de aprendizado + Crianças deu origem a uma das profissões mais amadas de todas: o pipoqueiro!

Sim, pessoal, o pipoqueiro. Todos amam pipoqueiros. O menino peralta que corre pelo parque, a menina delicada com seu vestidinho novo, casais apaixonados, respeitáveis senhoras, ilustres senhores, freiras, artistas, amantes de tecnologia, empresários, adolescentes, maníacos psicopatas etc. Mesmo o mais cruel dos assassinos se rende às deliciosas pipocas e nada no mundo consegue substituir o pipoqueiro.

Tentaram automatizar o processo, tentaram desumanizar a profissão. Tentaram criar soluções toscas e rápidas, como as pipocas de microondas. Todos sabemos que pipocas de microondas não são coisa de Deus. Microonda é tão coisa do Diabo que resolveram fazer revisão da palavra no novo acordo ortográfico, o qual eu me recuso a usar, mesmo o corretor do Live Writer ficar berrando para mim que a grafia está errada. Azar o seu! Pode sublinhar de vermelho o quanto quiser!

Mesmo fazendo em casa, há muita diferença. Há toda uma magia em volta da pipoca, onde o mago pipoqueiro coloca um pouco de sua paixão naquele ridículo milho estourado. Milho, uma coisa sem graça que vira algo deliciosamente magnífico quando virado do avesso.

Quentinha, com manteiga, sem manteiga, doce, salgada, com bacon, apimentada, com catchup ou mesmo com torresmo… Os incríveis pipoqueiros fazem mágica com poucas coisas, atraindo a simpatia de todos, guardando em nossa memória afetiva datas, situações, sentimentos… Como não amar o nosso querido pipoqueiro, com sua camisa branca e um sorriso no rosto, responsável por momentos tão felizes?

Uma pena que as pessoas deem mais valor a uma droga de vendedor de milho estourado, responsável por ficar jogando óleo queimado no bueiro mais próximo e emporcalhando tudo do que um professor. Uma pena como uma porcaria de sociedade se lembra mais do pipoqueiro do que o nome da tia que o alfabetizou, levando em conta o desrespeito para com essa mesma tia ao escrever no amaldiçoado idioma miguxês. É revoltante saber que um pipoqueiro recebe homenagens de uma câmara de vereadores enquanto professores recebem salários de faxineiros, são xingados, ameaçados e tidos como "preconceituosos linguísticos" por acharem que aquele merda de livro do MEC que defende o ato de escrever errado não serve nem pra limpar a bunda!

É triste saber que um pipoqueiro acaba com uma renda mensal maior do que aqueles que são os pais de todas as profissões. Você pode ficar sem ir no médico durante décadas, pode construir sua casa de pau-a-pique, pode se consultar com a tia rezadeira e tomar aquelas beberagens ridículas sem chegar perto de nenhum remédio, mas tanto médicos, engenheiros, farmacêuticos, químicos e a dona gostosa que trabalha de caixa no supermercado precisaram de professores.

O reitor da UTFPR pode homenagear pipoqueiros ou o que quer que seja, mas sem um professor, seu empreguinho seria cancelado e o distinto senhor reitor estaria na rua (provavelmente, vendendo pipoca, tendo que arrumar outro ponto longe do "homenageado"!).

Alexandre da Macedônia, cognominado "O Grande" (não pela altura, já que ele tinha cerca de 1,60m), disse que dava mais valor a Aristóteles do que seu pai, Felipe da Macedônia, porque Felipe o trouxe dos Céus para a Terra, mas Aristóteles o levara da Terra para os Céus. Quando ele estava na frente de Diógenes Laércio, disse para o filósofo pedir qualquer coisa. Diógenes o olha de modo irritado e diz "Não me tires o que não me podes dar! Devolva-me o meu Sol". Os guardas, claro, fizeram menção de tomar uma atitude, mas o homem que conquistara o mundo antigo fez que não e saiu da frente de Diógenes dizendo "Se eu não fosse Alexandre gostaria de ser Diógenes".

Imperadores reconhecem o trabalho dos professores, reconhecem que foi o saber que nos deu a civilização, que erradicou pragas, curou doenças e até mesmo nos ajudou a conferir o troco. Numa sociedade que valoriza o mais rápido, o mais forte, o mais armado, o mais habilidoso, pouco sobra para aqueles que, com paciência e dedicação, se preza a gastar minutos preciosos para com quem o detesta, despreza e abomina. É fácil ser bom profissional quando lhe amam e prezam o que você produz, mas somente as grandes personalidades continuam seu trabalho, mesmo quando crianças, pais, coordenadores, diretores e a tal caixa de supermercado lhe olha com indiferença e desgosto.O trabalho foi feito e se um engenheiro projeta uma casa que será destruída depois, não é culpa dele, assim como não é culpa do professor se o que foi ensinado será destruído pela ignorância. Um engenheiro irá desistir de construir em terreno podre sem algo que sirva de alicerce. Professores não desistem, eis a diferença!

Hoje é dia 15 de outubro, Dia dos Professores. Faça uma grande tigela de pipocas e pense naqueles que lhe deram condições de saber a diferença entre milho e feijão.


PS1. Detesto pipoca de microondas.
PS2. Ganhei um chinelo estampado do meu colégio por "reconhecimento" do meu trabalho.
PS3. Muito caro para o bolso de um professor.
PS4. Errado do ponto de vista gramatical, já que o certo seria PS, PPS, PPPS etc.

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Sobre André Carvalho

και γνωσεσθε την αληθειαν και η αληθεια ελευθερωσει υμας