Negros possuem maior carência de vitamina D que brancos, ambos morando na mesma região

Eu sempre leio (o mais que posso) todo tipo de publicação científica. Isso me ajuda a me manter informado, ajuda nas minhas aulas e ajuda a trazer mais informações para vocês. O problema é que muitas dessas publicações são "mais do mesmo". Eu, ainda assim, trago estas notícias à guiza de informar e falar mais sobre algo que (ao menos para mim) é algo que não tem nada de novo, mas é desconhecido por muita gente. Portanto, este será mais um capítulo no Livro dos Porquês.

Cientistas norte-americanos estudaram homens negros (não, não uso "afro-americano", pois não sou idiotinha politicamente correto. O nome da etnia é "negra". Não gostou, azar) e brancos vivendo no mesmo lugar. A pesquisa constatou que homens negros possuem uma maior carência de vitamina D do que os brancos que vivem na mesma região. Há um motivo para isso, mas se você for fundamentalista, pare de ler, aceite que isso é coisa de Jesus e que os negros ofenderam YHWH (sim, eu já li isso em algum fórum de discussão com crentes retardados à solta).

Bem, você é um maldito apóstata que resolveu saber mais ao invés de aceitar o que nóssinhô disse. O ouro aos vitoriosos! Vae victis!

A questão começa durante os bilhões de anos de Evolução Biológica…

Não! Não! É um pesadelo! Kumbaiah, my Lord, Kumbaiah… Não quero ouvir isso… lálálálálá

Como eu estava dizendo, tudo começa com a Evolução Biológica, que depois de alguns bilhões de anos promoveu o aparecimento do Homo sapiens, pouco antes de soltarem uma bomba atômica em Hiroshima. Com o aparecimento dos hominídeos na África, a Seleção Natural deu uma examinada e começou a separar as coisas. Por causa da alta incidência de luz ultra-violeta, houve uma seleção mediante a intensidade de melanina na pele. Acontece que as emissões eletromagnéticas na região do ultra-violeta, por terem comprimento de onda pequeno, possuem alta energia, mediante a equação de

A energia contida em um fóton é calculada pelo equação de Planck-Einstein:
E = frac{h.c}{lambda}

Onde E é a energia, h é a constante de Planck (6,626068 × 10–34 m2kg/s), c é a velocidade da luz no vácuo (3 x 108 m/s) e λ é o comprimento de onda medido em metros.

Por causa da sua alta energia, os raios ultra-violeta penetram fundo (êpa!) pelo tecido epitelial adentro, causando coisas maravilhosas como câncer de pele, por exemplo. Isso causa certos problemas, pois ataca fortemente o ácido fólico, degradando-o rapidamente quando a pele é exposta ao Sol inclemente.  O ácido fólico é uma importante vitamina do complexo B (a saber, é a chamada Vitamina B9), extremamente necessária durante o período da gravidez, pois estudos feitos na Hungria com quase 5.500 gestantes demonstrou que a administração de ácido fólico como suplemento vitamínico reduziu o aparecimento de bebês com malformação do tubo neural, assim como do trato urinário e do sistema cardiovascular, além de diminuir os sintomas de enjoos, náuseas e vômitos durante o primeiro trimestre de gravidez. Para saber mais, leia AQUI e AQUI.

Levando isso em conta, indivíduos expostos a altas taxas de emissões de raios ultravioleta correm o risco de terem bebês com má-formações. Dessa forma, os indivíduos que estivessem adaptados para conter a penetração (ops!) dos raios UV-A e UV-B na pele teriam maiores chances de terem bebês mais saudáveis, suplantando o número de indivíduos sem esta adaptação. A adaptação veio sob a forma de maiores concentrações de melanina na pele, isto é, maiores taxas de pigmentação, ou seja, peles de tonalidades mais escuras.

Não é por acaso que indivíduos africanos possuem pele bem mais escura que os europeus (já vamos chegar lá, tenham calma). Com os altíssimos índices de luz ultra-violeta dando no couro, negros possuem maiores chances, pois as camadas mais superficiais da pele absorvem a energia eletromagnética. Se o Lamarckismo estivesse plenamente certo, poderíamos dizer que só ficando em lugares muito, mas muito banhados pelo Sol, indivíduos iriam adquirir tonalidade de pele mais escura, mas não é assim que funciona. O que aconteceu foi o mecanismo da Seleção Natural que privilegiou aqueles que já tinham a capacidade de impedir que os raios UV chegassem até a corrente sanguínea e destruísse o ácido fólico no sangue e nas células das camadas mais internas.

Molto bene. Por que os europeus possuem pele clara, então?

Porque a Natureza é sacana. As pessoas retratam a Mãe Natureza como uma doce mãe acalentando todos nós. Para mim, é uma desgraçada FDP que deveria ser representada por um troll face.

Para vocês terem uma ideia, o corpo humano precisa de uma outra vitamina para se desenvolver, pois o calciferol – como ela também é chamada – é a vitamina que promove a absorção de cálcio nossos ossos, atuando no sistema imunológico, no coração, no cérebro e na secreção de insulina pelo pâncreas. Sendo uma vitamina lipossolúvel, ela se dissolve na gordura de nosso corpo, podendo estar localizada em todo nosso corpo e atua como um hormônio que mantém as concentrações de cálcio e fósforo no sangue em níveis ótimos. O problema dessa pequena safadinha é que ela é ativada pela… Luz!

Antes que você diga algo, não, ficar no sol não fará você absorver vitamina D, pois a luz do sol não tem vitamina D. Luz é luz, não vem substâncias químicas junto. A luz apenas age como catalisador na síntese de vitamina D. Para tanto, você deve se alimentar adequadamente, de forma que seu corpo possa absorver a vitamina D vinda dos alimentos, com ajuda da luz do sol, que age como um agente que propicia a reação bioquímica no seu corpo.

Indo em direção norte, percebemos que quanto mais perto do pólo, a intensidade de luz solar diminui, dado o ângulo de incidência. Assim, naquela região há menor quantidade de luz do Sol chegando, o que acarreta em menos luz ultra-violeta. Portanto, o ácido fólico fica na santa paz de Deus, mas a síntese de vitamina D fica prejudicado. Por causa disso, pessoas que vivem em latitudes mais altas são mais propensos a desenvolver e morrer de linfoma de Hodgkin entre outros tipos de câncer, como os de cólon, pâncreas, próstata, mama, ovário etc., além de aumentar o risco de se ter diabetes tipo 1, esclerose múltipla, doença de Crohn, hipertensão e doença cardiovascular.

E lá vem a Seleção Natural.

Indivíduos que puderam absorver o máximo de luz ultra-violeta estaria em condições de sintetizar vitamina D. Como a incidência de luz é baixa, não há risco dela causar má formação no feto por destruição do ácido fólico. Portanto, os melhores candidatos a sobreviverem naquela região são os que tivessem tons de pele mais claros, de forma que a radiação ultra-violeta não ficasse absorvida apenas na pele.

Quem seria o maluco de criar um corpo vivo que dependesse de duas substâncias químicas muito importantes, mas com comportamentos totalmente diversos frente à luz?

O que você esperava de um engenheiro que projeta o playground do lado da saída de esgoto?

De acordo com a pesquisa do dr. Adam Murphy, instrutor clínico no departamento de urologia da Northwestern University Feinberg School of Medicine, negros norte-americanos estão apresentando casos de carência de vitamina D em maior quantidade que os norte-americanos brancos, de origem europeia (mexicanos não contam, como sempre). Os pesquisadores analisaram o marcador para a vitamina D em 492 homens com idades entre 40 e 79 anos que vivem em Chicago, a região com menor incidência de luz UV dos EUA, segundo o artigo publicado na American Association for Cancer Research. Eu fico me perguntando qual é a taxa de raios ultra-violeta no Alasca.

No grupo estudado, 93% dos negros (e não afro-americanos, sr Politicamente Correto) e 69,7 por cento dos europeus-americanos norte-americanos brancos do sexo masculino foram deficientes em vitamina D. De acordo com o dr. Adão, "com tantas doenças ligadas a baixos níveis de vitamina D, deveríamos ter mais recomendações setorizadas considerar grupos dentro da população em vez de fazer sugestões monolíticas".

Algum imbecil pode achar que devemos ter tratamentos iguais e não um modo de transformar a sociedade em castas ou raças. Infelizmente, não é assim que funciona em nível biológico. Por causa da alta concentração de melanina, muito pouco dos raios UV recebidos são usados para sintetizar a vitamina D. Sua carência foi explicada acima. Logo, negros precisam de receber suplementos de vitamina D em maior quantidade que brancos. Simples assim.

Assim como outros países globalizados, os EUA possuem todos os tipos de etnias e culturas convivendo, nem sempre de maneira amigável. Desde a tiazinha de pele beeeeem escura, até senhoras de religiões que obrigam a usar vestimentas dos pés à cabeça (e isso não é apenas exclusividade dos muçulmanos), ambas possuem necessidade de ingerir suplementos de vitamina D, pois estão, biológica ou socialmente impedidas, sem capacidade de receber luz do Sol.  E isso vale também se o cara é daqueles que fica trabalhando de 9 às 5 num cubículo, sem uma janela por perto para, nos fins de semana, ficar em casa o dia inteiro.

E você? Tomou um pouco de Sol hoje?

27 comentários em “Negros possuem maior carência de vitamina D que brancos, ambos morando na mesma região

  1. “O que você esperava de um engenheiro que projeta o playground do lado da saída de esgoto?” hauhauaha Muito boa! Fico imaginando o Deus do “Um Sábado Qualquer” mostrando o magnífico condomínio com um esgoto ao lado do parquinho :-) Mas, com um pouco de criatividade, vc pode ter dois paquinhos… mas deixa pra lá… hauah

    Achei bastante interessante o artigo. Do ponto de vista evolutivo, é óbvio que existem mudanças entre diferentes etnias. O ambiente molda a espécie (ou, no caso, etnia), me parece sensato entender linhas genealógicas que viveram em ambientes distintos tenham alguma caractetísticas distintas. Fico imaginando se, caso o homem não tivesse se espalhado pelo globo tão rapidamente, as raças em cada continentes chegariam a formas espécies distintas.

    Quem leu alguma coisa sobre evolução (A Origem das Espécies tem espaço garantido na minha prateleira) e ouve tantas besteiras faladas sobre evolução (youtube é uma merlim mesmo), como que ela não explica nada e diz que o “universo veio do nada, de repente” fica um pouco deprimido…

    Sobre a confusão entre “existir diferenças biológicas entre etnias” e “negros são inferiores”, como se só existissem estas duas etnias, infelizmente isso é bastante comum para a maioria das pessoas mais ignorantes e infelizmente acaba afastando a maior parte da população do conhecimento científico mais elementar sobre a diversidade de espécies no planeta.

    É uma confusão de conceitos atrás da outra…

  2. Não havia até então lido em nenhum outro lugar essa informação, que além de bem óbvia é uma questão de saúde muito importante.
    A impresão minha é que essa informação não é divulgada por ser considerada por alguns elementos como racista.

  3. Imagino como ficaria essa pesquisa usando a população brasileira, altamente miscigenada e com uma variação de “insolação” tão grande.

    Eu mesmo tenho ascendência alemã, italiana, negra (avô de minha mãe) e turca (acredito, pois um de meus sobrenomes só pode ter origem em um “cristão novo”).

    Respondendo á sua pergunta: Sim, já tomei um MUITO de sol hoje. E, no domigo, na praia, devo ter suprido todos os 35 anos de falta de sol que tinha ao morar no RGS…rs.

  4. Se o querido Dr. Adam Murphy tivesse feito essa pesquisa no Brasil correria o risco de ser taxado de racista ou até ser processado. Muito boa essa divulgação. Quando a chuva parar vou tomar um pouco de sol. :cool:

  5. Interessante a pesquisa. Eles poderiam amplicar para outras etnias o caso e fazer um mapeamento global.

    Comentário off: sou a favor de que tratamentos médicos devem ser especializados para cada etnia, vejo meu marido que em cada médico que vai recebe aulas de explicação das diferenças que a etnia dele tem e porque tal tratamento tem que ser diferenciado.

    André, uma dúvida fora do contexto, as vitaminas criadas sintéticas possuem o mesmo benefício e reação (de serem digeridas, absorvidas e utilizadas pelo organismo) do que as que obtemos dos alimentos?

    1. as vitaminas criadas sintéticas possuem o mesmo benefício e reação (de serem digeridas, absorvidas e utilizadas pelo organismo) do que as que obtemos dos alimentos?

      Enquanto substância química, a vitamina C sintética é a mesma vitamina C natural, pois trata-se da mesma substância e, por isso, possuem as mesmas propriedades físicas e químicas. Mas quando vc toma um redoxon ao invés de um suco de laranja, vc apenas ingere vitamina C. O suco de laranja tem outras vitaminas. Portanto, o ideal é o suco natural pelo que vc tem a mais.

  6. @andre

    “Algum imbecil pode achar que devemos ter tratamentos iguais e não um modo de transformar a sociedade em castas ou raças.”

    Você quis dizer tratamentos “clínicos iguais” ?

    Gostei do seu artigo, e se você aceitar uma critica construtiva, gostaria de dizer que seria muito mais eficiente seus textos se removesse a parte “pessoal” nas narrativas principalmente as ofensas que são claramente pré-conceitos do autor.

  7. Não, bebê. Você não me irritou. Já estou acostumado com gente burra que não entende o que são blogs. E reitero que o modo como escrevo não é da sua conta. Não gostou, vá ver vídeo do Felipe Neto.

    Ah, sim. Comentar é um privilégio, não um dirito. Seu privilégio foi revogado

  8. Muito bom texto. Mas hein, sobre a questão do uso da expressão afro-americano não tem haver com politicamente correto e sim o contrário. Denominar os negros da América como afro-americanos é de longe um dos termos mais segregacionistas para os negros na América nos últimos anos. Não se vê utilizar o termo euro-americano para os brancos vivendo na América, porque deveríamos usar este termo para os negros? A utilização deste termo serve bem como meio de não aceitar ou reconhecer a presença do negro dentro da América tentando sempre lembrá-lo que sua terra ou origem não ali. Do contrário, o branco nunca é lembrado de sua origem europeia dando a entender que a América é para os brancos!!!

        1. Todos esses genes que esse cientista albino dizem que foram responsaveis pela evolução da pele branca são gene associados ao albinismo.

          http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/estudo-traca-surgimento-da-pele-branca-entre-os-povos-europeus-15794597

          Aqui tem uma materia explicando que mutações nos genes OCA-2 e SLC… são responsaveis por causar albinismo.
          http://www.copacabanarunners.net/albinismo.html
          Brancura não é evolução coisa nenhuma é albinismo, espero que vc entenda e se não entendeu pesquise mais sobre esses genes e por favor, divulgue. Aborigenes Australianos conseguem dormir sem roupa em temperaturas muito frias coisa que Pseudo-Europeus não podem fazer porque eles não são adaptados ao frio.

          1. :Eu peço publicação científica e você me dá Copacabana runners.

            Desisto dessa conversa. Vocês jamais entenderão.

          2. Tariq, a teoria da vitamina D foi feita para falar que os povos brancos era adaptações, mas claro as pessoas brancas sofrem revez também no clima do Norte, desde a queimaduras praticando esporte na neve, a neve ajuda aumentar a radiação dos raio uv, e o templo nublado também.

            Agora vou anexar aqui uma pesquisa científica de 2003 que os brancos admitem que negros tem tem a densidade óssea maior e reduzindo o risco de fraturas:http://s3.amazonaws.com/academia.edu.documents/31095564/1043.pdf?AWSAccessKeyId=AKIAIWOWYYGZ2Y53UL3A&Expires=1498947976&Signature=s3HW8YEwWiMOmuDDYxj1N0j6WKA%3D&response-content-disposition=inline%3B%20filename%3DRacial_Differences_in_Bone_Turnover_and.pdf

            E a palavra caucasiana e referido a brancos, e uma formação craniana algo comum em africanos, o vídeo anexado aqui mostrar pesquisas cientificas apontado africanos com maior diversidade craniometrica: https://www.youtube.com/watch?v=qrvCA4m_1XA

  9. Já foi refutado essa teoria de negro ter problema de vitamina D, no climas do Norte. A parti de 2013 refutaram tudo isso, observe algumas:”A população dos Estados Unidos com a melhor saúde óssea é a população afro-americana”, diz o Dr. Ravi Thadhani , professor de medicina do Massachusetts General Hospital e principal autor do estudo. “Mas quase 80 por cento desses indivíduos são definidos como deficiência de vitamina D. Isso foi perplexo”.

    Concluindo cientificamente, as pessoas brancas sofrem maior carência de vitamina D de que pessoas negras morando na mesma região.

    Link dos estudos:http://www.massgeneral.org/about/pressrelease.aspx?id=1646
    http://www.npr.org/sections/health-shots/2013/11/20/246393329/how-a-vitamin-d-test-misdiagnosed-african-americans

    1. Lembre-se que os negros possuem sim uma tendencia a ter estrutura óssea mais forte mais especificamente por questões genéticas e não necessariamente por questões de exposição ao sol. E não descarta que a população negra possua menor índice de absorção de luz solar e/menor produção de vitamina D em regiões menos ensolaradas.

  10. Olá André Carvalho, meu nome é Alice, sou nutricionista e estou vendo mais atentamente as questões com a vitamina D, vc tem estudos sobre mulheres negras tb, e já viu esses estudos aqui, feitos no Brasil mesmo, grata Colega,aguardo o material se tiver…

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