Isaac Asimov: O homem que previu o Ceticismo.net

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Antes que fiquem de palhaçada, começo dizendo uma coisa e de maneira clara: Eu sou FÃ de Isaac Asimov, tanto quanto sou fã de Carl Sagan. Aliás, Asimov admirava Carl Sagan pois, segundo suas próprias palavras, era uma das poucas pessoas tão inteligentes quanto ele mesmo. Tenho uma identificação com o bielorrusso, pois somos irmãos, na ficção científica e na pesquisa científica, já que Asimov era químico, como doutorado em Bioquímica. Respeito MUITO Arthur Clarke e tenho grande carinho por este e sua obra, mas segundo minha concepção, Asimov é DEUS!

De todos os seus livros, as duas fundamentais obras que saíram de sua caneta foram a série Robôs e a trilogia Fundação (Fundação, Fundação e Império e Segunda Fundação). Se você não faz ideia do que eu estou falando e acha que ficção é Matrix, MATE-SE! Matrix é um L-I-X-O perto de Fundação, Inception apanha que nem boi ladrão e o Exterminador do Futuro sai correndo sem dizer que vai voltar.

Nerd que é nerd sabe o nome do Primeiro-Orador da Segunda Fundação, sem precisar ir no Google. Geek que é geek anda tranquilo pelos vales escuros do Skynet, pois sabe de cór as 3 Leis da Robótica. CDF que é CDF sabe o nome da primeira obra de FC (SciFi is my ass) de Asimov e sabe onde ela foi publicada. Sim, eu sou nerd. Sim, eu sou geek. Sim, eu sou CDF e seu ED-209 não é nada comparado ao intelecto de Susan Calvin. Os irmãos Wachowski não têm seus nomes imortalizados num asteroide, mas o 5020 Asimov está lá, observando a todos nós.

As longas costeletas brancas e o antiquado óculos de armação pesada são uma característica marcante de Asimov. Seu intelecto era estupendo e seus livros deveriam ser obrigatórios, ao invés de mandarem ler coisas chatas como Senhora (desculpem, puristas da fraca literatura brasileira, mas José de Alencar era um pé-no-saco já na época dele e fica piora cada dia que passa). Sua mente fantástica — tão fantástica como uma viagem pelo corpo humano num submarino – nos brindou com ideias lúcidas sobre como seria o futuro de nossa sociedade (sim, estamos ferrados, mas parece haver algum tipo de salvação), principalmente em como seria o ideal do sistema de ensino/aprendizagem.

Em 1988, antes de tudo o que temos como “normal” e “corriqueiro” em termos de informática, Isaac Asimov deu uma entrevista ao jornalista Bill Moyers, que entrevistou figuras famosas como Joseph Campbell. O diferencial desta entrevista foi a descrição das ideias de Asimov sobre como poderia ser o processo de ensinar as crianças, à maneira dos antigos preceptores e mestres, somente acessíveis aos mais abastados.

É uma visão primorosa, onde aprenderíamos de tudo, bastava perguntar a uma espécie de oráculo da sabedoria. E de assunto em assunto, no que chamaríamos mais tarde de hiperlinks, de texto em texto, aprenderíamos e faríamos o mundo muito melhor. Isso tudo sem o aprendizado chato e repetitivo, mas obedecendo a velocidade de cada um de nós e adequando aos nossos interesses pessoais, que acabariam criando conexões com outras áreas de interesse.

Asimov sempre foi defensor do uso recreativo dos computadores e até posou de garoto-propaganda (pelo qual deve ter ganho um bom cachê):


JESUS! 16 kB de memória!!!

Entretanto, de acordo com a psicohistoria, eventos sociais só podem ser estandartizados de maneira global, mas não específica. Não se pode prever, mediante as rígidas admoestações da Teoria do Caos, como um evento irá se desenrolar ao se colocar um agente que surge devido a um ato aleatório. No caso da Fundação foi o Mulo. No caso da ideia de um saber globalizado, ampliado pelo interesse das pessoas no aprendizado, o fator aleatório que causou uma reviravolta no continuum foi o…

Mas Asimov não estava errado ao dizer que haveria locais onde você entraria em contato com uma imensa base de dados de saber, com professores prontos para te ensinar e elucidar as suas dúvidas, pois sempre é bom ter uma pessoa por perto, para sanar quaisquer dúvidas pendentes.

Isaac Asimov, um dos Grandes Nomes da Ciência, previu a existência do Ceticismo.net com décadas de antecedência. E, ao menos para mim, a concepção artística de Rowena Morrill é mais do que adequada e dispensa considerações:

O mundo ficou mais triste em 6 de abril de 1992, data em que os robôs fizeram um minuto de silêncio, pois seu pai havia morrido. Asimov ainda vive em cada um que ver um nanorrobô, pois até estes seguem as 3 Leis da Robótica e, valentemente defendidas pela Drª Susan Calvin, a quem Arthur Clarke prestou homenagem ao citá-la em seu romance 3001 – A Odisséia Final (sim, um asimoviano conhece as obras de Arthur Clarke, trolls). Talvez, nossa sociedade jamais fora tão bem descrita frente às máquinas como quando a Drª Calvin disse:

Houve uma época em que a humanidade encarava o universo sozinha, sem um amigo. Agora, o homem possui criaturas para ajudá-lo; criaturas mais fortes do que ele – mais fiéis, mais úteis e absolutamente devotadas a ele. A espécie humana já não está sozinha. Já encarou o assunto sob este prisma? (…) Para você, um robô é um robô. Engrenagens e metal; eletricidade e pósitrons. Mente e ferro! Feitos pelo homem! Caso necessário, destruídos pelo homem! Mas você não trabalhou com eles, de modo que não os conhece. São uma raça mais limpa e melhor do que a nossa.

E uma aula de sócio-economia:

Na realidade, a humanidade nunca teve tal direito [de decidir seu futuro]. Sempre esteve à mercê de forças econômicas e sociológicas que ela era incapaz de compreender — à mercê dos climas e das fortunas da guerra. Agora, as Máquinas compreendem essas forças; e ninguém poderá conter as Máquinas, porque elas cuidarão dessas forças do mesmo modo pelo qual estão cuidando da Sociedade em Prol da Humanidade — tendo à sua disposição a mais poderosa de todas ar armas: o controle absoluto de nossa economia.

A vocês, eu deixo uma questão: Qual é a resposta para a última pergunta?

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Sobre André Carvalho

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