Analisando séries e filmes de super-heróis XX

Homem-Aranha: Chutado de Casa

Obviamente, eu não poderia deixar de mencionar e analisar o último filme do Miranha. Eu diria que é REALMENTE o último filme do Miranha, mas no MCU. A Disney fez de tudo para tirar o Cabeça-de-Teia da Sony, mas eu já tinha dito como era o um problema negociar com japoneses. Também falei que o Homem-Aranha é o melhor herói do MCU sem ser do MCU, talvez, justamente por isso.

Bem, se preparem par a análise do filme, sobre o qual vocês não sabem do que se trata, mas eu irei explicar. Vai ter spoiler, mas o principal spoiler não é spoiler faz tempo: Peter Parker sempre se fode. Isso é mais do que canônico.

Vamos começar do início: a Disney tem um problema, aliás vários. Ela precisa organizar sua cronologia merda e sérios defeitos de continuidade e congruência (que nunca teve, e estou falando de ambos). Para piorar, ainda comprou a Fox Filmes e passou a ter direitos sobre os X-Men (Deadpool incluso) e Quarteto Fantástico. Como dar um jeito nisso? Mas calma, ainda tem o problema do Miranha. Então, a Disvel achou que podia fazer como a DC e reorganizar tudo com uma espécie de Crise nas Infinitas Terras. Claro, a Marvel não é a DC e fez de qualquer jeito.

Disvel começou a explicar com a série do Loki, resgatando a TVA, que longe de ser operadora de TV por assinatura, era a instituição responsável por ficar de olho no espaço-tempo. Esta entidade não é recente. Apareceu em 1986 em Thor vol.1, nº 372. Precisou de vários episódios para dar a entender que existe um Multiverso. Nisso teve Spider-man in the Spiderverse, em que o protagonista era o Miles Morales, aparecendo outros na Spider-turma, embora Peter Parker ser só um. Não apenas isso, precisavam levar para o cinema, já que fã de cinema não é bem fã da Marvel. É fã do MCU. Nem dos quadrinhos são fãs. Não apenas isso, Disvel tinha que dar um jeito de se livrar do Aranha, pois ajuda a produzir o filme, mas quem fica com a grana é a Sony.

Aliás, foi satanicamente divertido como a Sony esfregou na cara de todo mundo QUEM é o verdadeiro dono do Aranha ao colocar seu logo gigantesco na tela nos primeiros segundos do filme, depois a Columbia Pictures (que pertence à Sony) para só depois vir a vinheta da Marvel Studios. Um dos produtores do filme foi Avi Arad. Eu contei como ele assumiu como presidente da Marvel Enterprises, fundou a Marvel Films, não produziu um único filme sequer e vendeu todo o plantel por merrecas, espalhando todos os personagens entre diversas produtoras.

Foi muito divertido ver uma menção honrosa como grande visionário no fim do filme do Homem-Aranha: Sem Volta Pra Casa. Sony realmente tem muito o que agradecer a ele por ter podido comprar o Aranha a troco de pinga, por ridículos 4 milhões de dólares.

Voltando ao filme e ao reboot da Marvel, ela precisa reorganizar a casa, então, apelou para magia. Peter foi desmascarado pelo vilão Mysterio no final do filme Far From Home (quem andou dando estes nomes nessa nova trilogia deveria ser enforcado, esquartejado, estuprado e espancado em praça pública. Não necessariamente nessa ordem, mas se quiser pode). J. Jonah Jameson, agora um youtubeiro (eu tinha explicado isso no artigo sobre o Miranha, que eu linkei mais acima), começa a campanha contra Peter Miranha. O Damage Control entra em cena. Esta organização secreta aparece no primeiro filme do Holland Miranha, tendo aparecido pela primeira vez em 1989.

Começam aí os erros.

Peter é levado para depoimento. Tipo: o cara apenas fala que ele é o Homem-Aranha, um youtubeiro conspiracionista tipo Alex Jones surta, e isso é tudo. Todo mundo acredita sem efetivamente ter provas e Peter começa a aparecer em todo canto com uniforme mas sem máscara. Deve ser pra reforçar que ele é o Miranha mesmo. Pegaram os drones do Stark (aquilo já não fazia sentido no Far From Home) e começaram a culpar Peter, mas sem ter processo propriamente dito. Peter é liberado assim, sem mais nem menos. Aliás, mais uma menção honrosa: a unificação com o marvelflix, apresentando Matt Murdock, o Demolidor.

A vida de Peter e seus amigos vira de cabeça pra baixo. Ninguém foi aceito na Universidade. Só Flash Thompson, um personagem tosco. Não é o Jock dos quadrinhos (um imbecil com mais músculos que cérebro que faz da vida de Peter um inferno), e sim um Flash Thompson gordinho e imbecil, cuja maior ofensa a Peter é chamá-lo de Penis Parker. Sim, é um xingamento para molecada leite-com-pêra que fica desestabilizada se trocam o seu gênero, os pobres floquinhos. Peter desbunda e resolve que tem que dar um jeito naquilo.

Peter pede ajuda ao um Dr. Estranho que parecia estar com peruca vagabunda e Wong, que tinha assumido como Mago Supremo quando o Estranho foi desintegrado por Thanos. Wong adverte o Dr. Estranho para não fazer isso, mas o Dr. Estranho caga e anda. Assim, o Estranho começa a criar um feitiço para que todo mundo esqueça quem é o Aranha, mas Peter fica enchendo a porra do saco e interfere no feitiço, e isso abre uma brecha no Multiverso e todo mundo que conhecia a identidade do Homem-Aranha vem para este universo. Quer dizer todos, mas não todos, mas tem que ser os vilões porque sim.

Não, O Mago Supremo Wong parece que não percebeu o que aconteceu, não soube de nada e sequer reaparece daí em diante. Isso pode fazer sentido pra você. Ninguém aqui vai lhe culpar por estar absurdamente errado.

Já estamos quase com uma hora de filme e até agora foi enche-linguiça. Depois falam que o filme d’Os Eternos foi lento. Peter conversa com o Dr. Estranho e o Dr. Estranho fica MUITO PUTO por Peter ser estúpido o suficiente para não ter pego a bosta do telefone e ligado pro MIT para explicar sua situação.

Sim, o grande gênio de ciência e tecnologia é estupidamente idiota. Malditos jovens!

Peter vai atrás de uma das representantes do MIT e nisso chega o Dr. Otto Octopus e ele toca o terror numa via expressa, em que Peter salva a tia do MIT e ela, numa PÉSSIMA interpretação, com um texto para lá de vagabundo olha para ele e diz “Peter, você é um herói. Vou muito te ajudar, falow, valew”.

Peter consegue deter o dr. Octopus num daqueles maravilhosos artifícios descarados de mal escritos em que Nanites Ex-Machina do seu traje “infectam” as garras do Octopus como um vírus. Não, não faz nem um pouco de sentido, e ainda tem gente reclamando do Martha Ex-Machina de Batman vs. Superman.

Pausa para a piadinha com o nome do dr. Octopus, mas eu senti falta da tradução clássica: Oquinho.

Peter volta e o Estranho dá a ele uma geringonça mágica que se acertar o bandido, ele aparece numa cela. Assim, Peter consegue pegar o Dr. Octopus, o dr. Lizard, Homem-Areia e o Electro. Depois, aparece Norman Osborn que está em good vibes. Então, vem a revelação: eles morreram enfrentando os diferentes Miranhas em seus universos. Peter não consegue se permitir deixar que eles morram, discute com o Dr. Estranho e vem a fuga com o artefato mágico-mal-explicado. O dr. Estranho o persegue na Dimensão Espelho, mas Peter consegue fugir e aprisionar o Estranho lá. Como isso aconteceu é fácil de entender. Como o próprio Stan Lee disse: numa briga entre dois personagens, ganha quem o roteirista quiser que ganhe.

Peter volta da Dimensão Espelho, deixando o Estranho lá, e diz que pode ajudar os vilões, consertando o que deu de errado com eles, e é quando o dr. Lagartão avisa que quando se tenta consertar pessoas sempre há consequências. E é aqui que temos um vislumbre sobre o que é o filme, mas ainda é cedo para se falar disso. O primeiro a ser “consertado” é o Dr. Oquinho e tudo vai bem, ele pára de ser controlado pelos braços robóticos, mas algo dá errado. Peter tem seu Senso de Aranha ativado. Então, ele se dá conta que Norman Osborn não queria ser curado; ele ainda é o Duende Verde. Electro tem a sua chance e pega o minigerador de arco e o Homem Areia também se vira contra Peter. O Dr. Lagartão foge da van onde estava e começa a porradaria, com o Dr. Octopus fugindo. Tudo sendo filmado pelo J. Jonah Jameson como denúncia contra o Homem-Aranha. Peter entra na porrada, o Duende Verde quase o mata e tia May acaba virando baixa de guerra. O Duende não mata o Peter, mas é pior. Peter vê tia May morrer em seus braços e nos seus últimos momentos, ela fala a famosa frase sobre grandes poderes e responsabilidades. Peter aprende isso: atos tem consequências, e como o dr. Lagartão avisou, ao tentar consertar pessoas dá merda. E deu.

Neste universo não foi o Tio Ben que morreu para o Peter aprender a ser super-herói. Tio Ben sequer é mencionado nesta trilogia. Bem, vamos correr porque vai rolar mais enche-linguiça. Ned consegue usar o anel abridor de portais do Dr. Estranho e procura por Peter, mas ao invés de encontrar o Tom Miranha, encontra o Homem-Aranha do Andrew Garfield e o do Tobey Maguire, que estavam neste universo procurando por Tom Miranha. Por sinal, eles remoçaram digitalmente o Alfred Molina e o Willem DeFoe, mas não os dois Miranhas, e isso foi proposital. Algo tinha que fazer sentido no filme. Os vilões morreram cedo, os Homens-Aranhas continuaram suas vidas e, com isso, envelheceram.

Tobey sendo bem mais velho que o Garfield, por sinal (Tobey tem 46 anos e o Garfield tem 38). Engraçado como o Dr. Estranho passou um porradão de tempo sem sequer abrir portal nenhum enquanto estava treinando em Kamar-taj e o Ned consegue porque sim (mas isso não vai durar). Juntos eles conseguem vencer o principal vilão, que sempre será o Duende Verde, com o DeFoe sendo o melhor ator do filme, como sempre.

Vamos agora falar do filme enquanto filme. Primeiro: sobre o que é o filme? O filme é sobre redenção, libertação. E isso vale para todo mundo. Até para quem produziu o filme!

Primeiro de tudo: Como falei, não tem Tio Ben no Holland Miranha. Isso explica por que ele age feito um imbecil inconsequente e fica atrás de um pai o tempo todo. No primeiro filme, fica babando o ovo do Tony Stark. Depois, ficou abanando o rabinho para o Mysterio e em seguida foi atrás do dr. Estranho. Tobey Miranha e Andrew Miranha aprenderam a duras penas. Tom não teve nada que o empurrasse para ser um herói. Ele só queria impressionar alguma figura paterna. Os outros faziam porque aprenderam o lance dos grandes poderes logo de saída. Precisou a tia May morrer para Tom Miranha se conscientizar. Ele se sentiu culpado, mas a conversa com os outros Miranhas mudou isso. Como falei lá em cima, é canônico: Peter Parker sempre tem que se foder. Faz parte da história. Ele sempre vendo seus entes queridos morrerem. Não tem final feliz pra Peter Parker. Lembrem-se: Stan Lee jamais permitiria isso.

Tobey Miranha foi o mais afetado pela morte do Tio Ben, já que ele podia ter impedido o bandido, seguindo fielmente os quadrinhos, e acabou vendo o tio morrer em seus braços; para depois ele perseguir o bandido e o matar, e isso o destruiu por dentro, mudando totalmente o foco dele. Ele passa a querer ajudar a todas as pessoas. Assim nasceu o herói. Já Andrew Miranha passou por isso, mas o que mais mexeu com ele foi ter tentado salvar Gwen Stacey, mas não conseguiu. Todos eles estavam feridos carregando uma culpa. Este filme foi a redenção de todos eles e libertação de seus fantasmas do passado. O mesmo aconteceu com os vilões. Eles encontraram a redenção forçada, quando o Trio Miranha consegue rapidamente desenvolver uma cura, mas Tobey Miranha diz que tem trabalhado anos numa forma de curar Norman Osborn. A culpa tem estado lá todos esses anos.

Antes de começar mesmo a luta, os três Miranhas ficam numa conversa muito legal. Eu gostei dessa parte de confraternização em que cada um fala com quem lutou e o Andrew Miranha desgostoso por não ter enfrentado vilões tão poderosos quanto os dois e o Tobey Miranha diz que ele não deve se achar assim, que ele deve se achar espetacular. Não preciso dizer o easter egg, né?

Vem a luta final e aos poucos os vilões vão sendo derrotados pelo trio Miranha. Só falta o Duende Verde, e durante o ataque do verdão, MJ cai do andaime. Tom Miranha não consegue salvá-la, mas Andrew Miranha, sim. É a libertação dele por não ter conseguido salvar Gwen Stacey.

A luta prossegue e é o momento do Tom Miranha, bem irritado por tudo o que acontecera nas últimas horas; mas o momento de redenção não é dele e sim do Tobey Miranha, quando Tom Miranha putíssimo da vida com o Duende Verde mete a porrada nele, o vence e tenta matá-lo, mas Tobey Miranha impede. Tobey se livra do seu rancor e do peso do seu coração ao ajudar seu pior inimigo e impedindo que Tom Miranha passe pelo inferno pessoal que ele mesmo passara. Efetivamente, Tobey consegue curar Norman Osborn, libertando este de seus pesadelos e controle do alter ego. Nesse processo, os três Miranhas foram salvos de si mesmos, todos os vilões também. Mas ainda há um problema!

O Multiverso começa a rachar e várias pessoas de todos os universos estão prestes a entrar neste aqui. Tom Miranha pede para o Doutor Estranho soltar o feitiço de forma que todos voltem aos seus universos e o multiverso possa se recuperar (dica: não vai). O feitiço é solto e ninguém mais sequer se lembra do Peter Parker de Tom Holland, quanto mais que ele é o Homem-Aranha. O fato é que todo mundo indo para casa os vilões ainda estariam curados? Não, claro que não. Tudo isso foi apagado e todos eles vão morrer. E aí começa o drama.

O roteiro é simplista e pode ser escrita atrás de um selo. Como filme e complexidade de roteiro, Eternos é infinitamente melhor que o Aranha. Sim, eu sei que vão me xingar, mas só porque todo mundo gosta do Miranha. Eu também adoro. Ele é mil vezes melhor que o Capitão América, que é apenas um soldado. O Homem-Aranha tem uma motivação muito superior a um cara que só pensa na próxima missão. Ainda assim, como filme (vejam que eu frisei de todas as formas possíveis. Só faltou caixa alta, mas tudo tem limite), Eternos tem um roteiro mais complexo por ter mais personagens com motivações próprias, apesar de similares.

Com isso, não é demais observar que mais de 2h de No Way Home era desnecessário, e para ser sincero, o filme só melhora exatamente quando aparecem os antigos Miranhas. Holland bem merece o sidekick do Ned, formando uma dupla de insuportáveis e a MJ bancando a sabichona sempre. Arrogância é legal, mas o ar de superioridade dela a coloca muito inferior a todas as outras personagens femininas. Não que ela tivesse que ser a donzela em perigo, mas não precisa ser escrota 90% do tempo. Gwen Stacey de Amazing Spider-man 2 é ótima, não é donzela em perigo, parte para a ação quando necessário, e nem é a escrota como a MJ da Zendaya.

Sério, eu vendo os 3 (leia-se Tom Miranha, Zendaya MJ e Ned) se ferrando só consigo pensar “bem-feito”. Com os Eternos, você sente o drama de cada um e compartilha da sua dor. São personagens muito melhor construídos. Obviamente, vão dizer que não, mas serão pessoas que até hoje dizem que o primeiro filme do Esquadrão Suicida é uma merda, sem nunca terem me dito POR QUE é uma merda. Eu me sinto mais conectado com os vilões, como quando o Dr. Octopus respira aliviado quando Peter coloca o chip que isola o cérebro do dr. Octopus do controle das garras. Ele para de ouvir as vozes que o controlavam e nós também respiramos. Passamos ter empatia com ele. Já o Duende Verde não. A gente o odeia. Ele é praticamente o Coringa da Marvel. Mesmo em sua redenção quase no fim do filme, ele ainda é “O” vilão do filme. Ainda assim, como eu falei, filme é sobre redenção e dissipação dos próprios demônios de cada personagem do filme, do próprio filme, da franquia ainda presa no MCU, mas que a Sony irá expandir mais.

No filme do Miranha, todo mundo gostou mesmo foi da ação, que está ótima, é verdade, mas tirou ela resta o insuportável Ned e o chove não molha com a MJ, que nem beija direito (podem reparar: ela beija no canto da boca). Acho que a Disvel pensa que adolescente indo pra Universidade não beija ninguém. A verdade, é que o melhor do filme mesmo é incontestavelmente o Willem DeFoe e a segunda coisa melhor são o Tobey e o Garfield. Tom Holland é um péssimo ator, Ned é insuportável como eu disse e a MJ está lá porque tem que ter MJ (ou não. No filme do Garfield tinha a Gwen, infinitamente melhor que as duas MJ dos outros filmes).

Como ponto positivo, o filme respeitou os personagens dos outros filmes e dos próprios quadrinhos. Electro aparece estilizado em que aplicaram efeitos no rosto de forma a ficar parecido com o uniforme dos quadrinhos, com a máscara de raios.


Tendo substituído aquela coisa do Amazing Spider-man 2.

Outro ponto positivo: ter trechos da trilha sonora dos filmes do Tobey e do Garfield.

Como análise geral, Spider-man No Way Home não é um filme ruim. É um filme de super-herói de gibi formatinho, e isso é ok! Eu gostei. Minha crítica foi por ele enquanto produção cinematográfica, já que um filme nem sempre precisa de ação direto, mas precisa ter um plot mais consistente. Disseram que o filme d’Os Eternos pecou nisso, mas é outra história, outros personagens, outra motivação. Ambos os filmes são excelentes, cada um à sua maneira.

Mas Spider-man No Way Home é mais que um filme. Foi a forma que a Disvel encontrou para se livrar de várias batatas quentes. Primeiro, o Aranha, já que não aguenta mais ver o grosso do dinheiro ir pra Sony. Em segundo, ter que dar um jeito na cronologia. Não por acaso, a segunda cena pós-créditos é o trailer do Dr. Estranho no Multiverso da Loucura. A Disvel precisou de uma mini-série inteira do Loki, uma mini-série da Feiticeira Escarlate, as animações do What If, o filme do Miranha e o próximo filme do Dr. Estranho.

Vejamos como apresentar o multiverso:

1 minuto. Lamento, Marvel, mas DC já tem muito mais experiência com crises e o multiverso desde a Crise nas Infinitas Terras.

Com a arrumação do multiverso e o aparecimento dos Celestiais e Os Eternos, está pronto para a entrada dos X-Men e o Quarteto Fantástico. Se farão algo que preste, não sei. Teremos que aguardar. Com certeza, não teremos filme solo do Hulk por enquanto, mas teremos a Mulher-Hulk. Com isso, Disney não precisa mais do Aranha, e ele pode ir em paz, sem estar nos eventos que se seguirão no MCU. Claro, posso estar errado e Disney voltar a fazer um novo contrato de parceria com a Sony, mas esta deixou bem claro neste último filme quem realmente é a dona da franquia Spiderverse, ainda mais que a primeira cena pós-crédito é o Venom, que estará pronto para enfrentar o Cabeça-de-Teia, só não sei como colocarão um vilão de quadrinhos que foi alçado a anti-herói no cinema virar um vilão e ficar de boas depois.

Também pode ser que coloquem o Miles Morales. Aliás, o próprio Electro fez a piadinha de um Homem-Aranha negro. Sony vai fazer? Não sei. Tem aquela odiosa animação merda, que por sinal tem sequência sendo outra animação merda, mas aí não é problema da Disney mais.

Infelizmente, a verdade tem que ser dita: o roteiro continua capenga e nada no filme faz sentido. Só a ação e a interação com o Trio Miranha são boas, o resto poderia ter sido muito reduzido. A parte do feitiço também não faz sentido, já que seria apenas para esquecerem que ele é o Miranha, não que esquecessem que um certo Peter Parker existiu. Não é erro de roteiro, é roteiro mal escrito de propósito por falta de criatividade, já que a Casa das Ideias da Marvel há muito deixou de ser “A” Casa das ideias.

O objetivo do roteiro, capenga ou não, era aquele mesmo, e ninguém se preocupou em refinar. Só queriam que Tom Miranha possa recomeçar do zero, indo para um supletivo pois nem mesmo se lembravam de ele frequentar colégio, embora isso não faz um puto de sentido. Mesmo que as pessoas esquecessem, havia zilhões de vídeos do Mysterio falando quem era o Homem-Aranha, há registros em vídeo, fotografias, reportagens, podcasts, programas de rádio, documentos de colégio etc. Lembrem-se: o feitiço era para as pessoas esquecerem a identidade do Teioso, e não adianta mudar as regras do plot no final. O motivo é o que eu falei: Disvel se livrando do Aranha no MCU. Ela não precisa mais dele, e a parceria caracu com a Sony não é lucrativa para Camundongo. A vantagem era ter o personagem mais popular da Marvel, só que agora o MCU engrenou de vez e não precisa do Aranha.

O filme termina com Peter procurando seus amigos insuportáveis e vê que eles estão bem. Então, ele vai tocar a sua vida sozinho com algum subemprego, apesar das suas habilidades com ciência e tecnologia, mas até nisso Peter Parker tem que estar fodido, o que é canônico, embora nunca tenha feito sentido desde a criação com Stan Lee metendo o bedelho no trabalho de Steve Ditko. Por sinal, finalmente Ditko recebeu os créditos que merecia, ainda que estivesse do lado do nome de Stan Lee, mas é mais do que ele tinha recebido até agora.

Obrigado por todo o seu empenho em ter criado o mais icônico personagem da Marvel, Steve.

6 comentários em “Analisando séries e filmes de super-heróis XX

  1. Não assisti mas creio não ter perdido muito, o primeiro do Holland não me cativou. Falta mais subtexto nesses filmes, algo que faça “durar” mais que 2 horas sem o filme ter 2 horas de duração.

  2. Eu lembro de ter achado “eh, legal, mas não é tudo isso” e ouvir que o filme era maravilhoso, melhor filme da Marvel yada yada chá de pêssego. Eu não acompanho quadrinhos e não tenho wishful thinking suficiente pra esperar que a Disney vá insistir em pegar o Miranha emprestado. Eu só quero ver histórias divertidas de gente que não existe na vida real :P

  3. Tem um quadrinho do cabeça de teia que ele cai na porrada com o Flash em um ringue hahaha, esse Flash do tom é muito triste

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